10 anos da soltura do maior fogueteiro da história | Gazeta do Balão
10 anos da soltura do maior fogueteiro da história
Publicado em 02/12/2011 | 14731485 Visualizações

Balão! Chegam a ser infinitas as palavras de todos nós ao descrever os sentimentos sobre um objeto tão complexo quanto o amor de todos nós por ele. A cada balão que sobe, são sensações, sentimentos diferenciados de todos nós e junto com eles, o orgulho de mostrar do que somos capazes. Para muitos soltar um balão é apenas uma diversão. Para outros é um estilo de vida, uma eterna briga entre quem faz o melhor, o mais bonito, o que mais se destaca… o maior! Mas para fazer o maior não basta querer fazer um balão, colar centenas de gomos, andar quilômetros indo e vindo numa bancada. Tem que ter conhecimento, experiência e porque não sorte? Eu acredito que a sorte acompanha quem tem responsabilidade e dedicação. Todos sabemos que fazendo direito, não tendo pressa tanto pra fazer quanto para soltar, escolhendo o dia certo faz com que muitos tenham sucesso. Imprevistos acontecem todos sabemos mas quando um grande projeto sobe com perfeição, ele fica marcado em nossas memórias. E isso aconteceu há 10 anos em Santa Isabel. Ninguém acreditava muito naquele dia mas ele subiu. Subiu tão perfeito que até hoje, nunca foi batido. Mesmo tendo um do mesmo tamanho desde 2006 pronto que todos sabem de quem é, a dificuldade que a turma que o fez mostra que os acontecimentos de 02 de dezembro de 2001 merecem ser lembrados com ênfase, afinal um Modelado de 60 metros fogueteiro diurno, só a Jurema conseguiu até hoje colocar nos céus.

A história

Tudo começou 3 anos antes, em 1998, quando na época o conhecido Gordo da Buffalo Branco / Balão Mágico pediu para o Banha da Turma do Parque, o mesmo que cortou o Pião de 72 metros do Lelo, cortasse um modelado de 60m para a sua turma. Quando o balão já estava sendo cortado, o Gordo desistiu do balão alegando que o papel era fraco demais para um balão desse porte. Mesmo com a desistência da Buffalo Branco, ele decidiu terminar de cortar o balão e dar para alguma turma que fosse capaz de fazer e soltar o gigante de papel. Com a indicação do Nilson Ligeirinho, o balão foi dado para a turma do Jurema de Guarulhos que havia acabado de soltar seu 20×20 também fogueteiro diurno.

No começo de 1999, a Jurema começou a fazer o balão, acredito que a maior dificuldade encontrada por eles era o fato de nunca na história nenhuma turma tinha feito um balão desse tamanho com esse molde. Tudo era novidade. Afinal, até então, o maior fogueteiro diurno já solto foi o 27×27 da Figueira Grande em 1993 que teve problemas na soltura e subiu com apenas 2 das 5 gaiolas programadas. Naquela época, eu (Dinho) presenciei a soltura e vi o quanto que sofreram para segurar aquele monstro nas guias. Não conseguiram o balão arrastou a todos e por isso subiu com 2 gaiolas. Antes deste balão tivemos outras histórias com gigantes que mostravam que soltar um balão desse tamanho era sinônimo de loucura pois era impossível acreditar que alguém “domaria” um bichão desses nas guias. Lá em 1982, o maior de todos os Mixiricas, o 33×33 da Piratas do Céu de SP arrastou a todos sem ao menos chegar a ser inflado totalmente. Assustados, os baloeiros que heroicamente tentavam segurar a boca decidiram soltá-lo apenas com a boca, o mesmo aconteceu com o 1º Pião de 70 metros da Unida de Paulinho Carrapato em 1990. Em 1989 o pião de 60 do Ivo explodiu no maçarico. 2 Anos depois a Turma da Bola o soltou e também teve problemas. E assim foi com todos os gigantes acima de 60 metros até então. Ninguém acreditava que esse balão poderia subir corretamente. Preocupados com as estatísticas e cientes da enorme responsabilidade, criaram técnicas jamais vistas em algum balão até então, como descer 4 ramis na vertical num único gomo, fechar os 180 gomos somente no papel e depois passar os ramis e unir o balão somente na cola sem os nós. Isso gerou muita desconfiança entre as outras turmas na época, pois muita gente dizia que o balão iria soltar os cones na soltura.

Foram 2 anos e meio de trabalho e gastos aproximadamente 120 kilos de cola Carcorez, 50 kilos de rami e 350 kilos de papel Hulk de 35 gramas. Foram colocadas 483 cintas horizontais e 720 verticais de rami 04 fios. Com o balão fechado, cintado e decorado veio outra dificuldade que era unir 8 cones daquele gigante. E o trabalho foi árduo. Os cones pequenos foram unidos na rua e para unir os maiores, fizeram uma bancada de 60 metros no meio de uma plantação num sítio em Arujá. O balão ficou sendo guardado sob ela ao ar livre, tomando sol e chuva por semanas. A cada fim de semana de tempo bom, iam até lá, retiravam a lona que o protegia e uniram os cones. Com o balão já completamente pronto arrumaram uma carreta para buscar o balão. Realmente era necessário uma carreta para transportar o gigante afinal eram mais de 550 kilos de papel. Quando a carreta estava saindo do local com o balão, o motorista da carreta foi surpreendido por uma viatura da Polícia Militar. Os policiais queriam saber o que havia no baú da carreta e o motorista disse que eram apenas bobinas de papel. Pra sorte de todos os policiais foram embora sem olhar o baú. Com o balão pronto, era a hora de começar a montar as enormes fogueteiras. A ideia de colocar uma enorme e inédita carga de fogos baseada na carga do 20×20 em 1997 (1500 dúzias). Como o balão era maior, decidiram colocar 3400 dúzias de cortadinho, 30 dúzias de varas e 34 paraquedas feitos com cones de truffis de 4 a e 6 metros. O peso total da carga era de aproximadamente 2000 kilos.

Mesmo sendo uma carga assustadora, baseados na facilidade em que o 20×20 levou a sua carga acreditaram que ele levaria de boa. Alguns integrantes não acreditavam que levaria mas foi decidido que iriam tentar. Para montar as gaiolas, se basearam na largura da boca (5,20m) e montaram as enormes gaiolas que tinham por volta de 600 dúzias de cortadinhos cada uma. Novamente tiveram que improvisar um barracão, desta vez no sitio onde iriam soltar o balão. Ali os fogos e as fogueteiras foram montadas e estopinadas. Ficaram por várias semanas guardadas até o dia da soltura.

O dia da soltura por Cesar – América

Como em todo balão grande, na reta final, começaram a surgir vários boatos sobre esse balão. Cada um dizia que o balão iria de um lugar mas, na verdade, ninguém sabia na real onde ele iria subir. O curioso foi que, na véspera do dia da soltura, eu (Cesar), fui até uma loja comprar pipas e estavam vendendo o mapa do local da soltura. Mesmo desconfiando, comprei sem saber se era verdadeiro ou não e fui correndo mostrar para meus amigos. Naquele sábado ventava demais e o tempo ruim durou o dia todo. Por volta da meia noite o vento parou completamente e fomos procurar o local da soltura apenas com aquele mapa. Chegando em Santa Isabel, paramos em um posto de gasolina para pedir uma informação e o frentista já foi logo falando: ” Eu já sei. Estão indo ver o balão? ” Só nesse posto já haviam passado uns 200 carros com esse mapa. Foi engraçado, caímos na risada e fomos rumo ao sítio. Chegamos no sitio tarde, por volta das 5:00 da manhã, e o pessoal já estava começando a inflar o balão. Foi impressionante ver aquele gigante de pé. Todos ficaram espantados com o tamanho do balão, mesmo a noite. Ao amanhecer, podemos ver também as enormes fogueteiras, uma quantidade de fogos jamais vista em um só balão (3500 dúzias). Com o balão já completamente cheio, baixou uma forte neblina. Decidiram esperar a neblina limpar para soltar o balão e ele ficou ali cheio, paradinho por quase 3 horas.

Por volta das 8:30, o tempo abriu e começaram a liberar o gigante de papel. Mesmo com tanta apreensão e desconfiança de muitos sobre a resistência do balão, ele tirou toda a fogueteira na maior tranquilidade. E olha que tinha mais de 2000 kilos pra baixo da boca! Quando faltava apenas a gaiola de paraquedas que tinha um formato de estrela todos já comemoravam, pois sabiam que tudo tinha dado certo e o balão subiu. Deu um show de fogos jamais visto na história chegando a ficar 3 minutos estourando de uma vez gaiola por gaiola.

Veja o vídeo:

Resgate

Após o show de soltura e queima de fogos, o balão foi sentido Rio de Janeiro. Menos de 2 horas de voo, já estava sobre a Cidade Maravilhosa. Entrou em alto no mar e apareceu 4 horas depois na direção da praia da Barra da Tijuca.

Veja o Vídeo

O enorme balão parou a Barra da Tijuca. Mobilizou a Polícia Militar que, com a ajuda de um helicóptero, deram diversos tiros no balão para que ele descesse no mar e não chegasse na praia. Com os rasgos provocados pelos furos dos tiros e o vento do helicóptero, conseguiram afastá-lo para alto mar onde caiu por volta das 17:00. Um pescador que gostava de balão foi até o local onde o balão caiu, cerca de 5km mar adentro e tentou resgatar a boca. Mesmo sendo maior que seu pequeno barco, tentou trazê-la mas quase afundou o barco. Decidiu abandoná-la e trouxe as cordas, engates e a réplica que estava no chapéu do balão.

Para terminar, gostaria de agradecer ao Ciço (Jurema), Cesar (América), Bozzo (Progresso), Renê (Brasa), Nilson (Ligeirinho), Ivan (Elo e Guerreiros) e ao Zezinho fotógrafo pela ajuda em produzir este especial. Parabéns Jurema pela coragem e capacidade para fazer um balão desse porte e soltá-lo com perfeição. Quem esteve presente naquela fria manhã de 02 de dezembro de 2011 jamais vai se esquecer do maior fogueteiro diurno do mundo do balão. Abraços a todos e até a próxima.

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