27x27 - Figueira Grande: 20 anos | Gazeta do Balão
27×27 – Figueira Grande: 20 anos
Publicado em 02/01/2013 | 507431 Visualizações

Olá amigos! 2 de janeiro de 1993. Há exatos 20 anos, pouquíssimas e selecionadas pessoas assistiram a soltura de uma lenda do mundo do balão, o 27×27 da Figueira Grande solto na região do Grajaú, zona sul de São Paulo sendo visto por toda a grande São Paulo e ABC, afinal, era uma imensa bola de papel que desfilou por toda região por horas até seguir para o Paraná onde caiu por volta das 23:00 na cidade de Jacarezinho.

Antes de relembrarmos tudo que aconteceu naquela manhã, poucos sabem mas a história deste balão começou 7 anos atrás.

A turma da Figueira Grande, bairro do extremo sudoeste da zona sul nasceu em meados dos anos 80 através de seu líder, o até então empresario conhecido por Miltão que gostava muito de balões. Mesmo não colando um gomo sequer, tinha em sua turma grandes e apaixonados baloeiros que fizeram  história  com seus balões em São Paulo.

Figueiralogo
Devido a ter um problema na mão direita, Miltão não podia ajudar muito na confecção dos balões mas sempre deu estrutura para a sua turma, fato que tudo que quiseram fazer fizeram. Em quase 15 anos, a Figueira Grande  foi marcada por grandes balões, armações inesquecíveis, resgates duvidosos e os gigantes, claro.

Como muitos baloeiros, a ambição por querer ser o melhor, soltar o maior foi uma das marcas de Miltão e sua turma. Desde os primórdios do balão, soltar um gigante era levar sua turma para o topo e seu primeiro gigante, um 17×17 fogueteiro noturno deu início a busca de se tornar uma turma de ponta em São Paulo.

Em 1986 a Figueira Grande tentou soltar esse balão por diversas vezes. Em todas as tentativas o tempo não ajudou. Choveu, ventou e a cada tentativa, todas no lendário campo dos Lagos na zona sul de SP, o balão foi sofrendo com o vai e vem e acabou sendo destruído pelo próprio Miltão no campo.

4 anos se passaram e a busca por soltar um gigante era incessável, fato que Miltão e sua turma estavam  na soltura de muitos gigantes da época em busca de aprender algo para ter sucesso em seus balões. E foi em 1990 que tentaram mais uma vez mandar aos céus um gigante. Desta vez um 23×23 feito em Hulk Sulferine, o famoso e mais popular papel das décadas de 80 e 90. E lá se foi mais uma árdua espera para poder soltar o balão.

Depois de muitas tentativas adiadas pelo mal tempo, o balão foi pro campo, um sítio no bairro de Colônia Paulista, lá pros lados de Parelheiros no fundão da zona sul. O balão encheu, começou a subir e quando estava acabando de puxar suas gaiolas, uma forte brisa atrapalhou tudo. O balão estourou e caiu sobre as fogueteiras. Tem gente correndo até hoje!

Figueira1

Na época, a Figueira Grande foi muito criticada por causa deste balão. Chegou a ser chamada de Fogueira Grande e rolaram muitos boatos sobre a turma dar cones para outras turmas fazerem, má fé de alguns que o guiaram e, após a explosão do balão o puxaram para cima dos fogos, pois é visível que dava para tirar o balão queimando de cima das fogueteiras além claro da má confecção.

E foi por causa dessas dicas que muita coisa mudou para o próximo projeto, o 27×27.

Desta vez, procuraram fazer o balão com mais atenção, ele montou uma bancada imensa em sua casa, trouxe os melhores materiais e, após 2 anos, o balão estava pronto. Feito em menos de 4 meses em apenas 4 cones, o gigantesco Mixirica virou objeto de admiração para muitos e inveja para outros que achavam que aquilo seria uma loucura.

Sua primeira tentativa de soltura foi em junho de 92. O tempo não ajudou novamente e centenas de pessoas que ficaram a noite toda na espera de ver a soltura do maior fogueteiro da história até então, voltaram para casa frustrados.

Os meses foram passando e, devido a experiência adquirida  com suas falhas e presença em diversos gigantes de SP e Rio, Miltão decidiu que só soltaria o balão em uma manhã perfeita. E ela veio: 02 de janeiro de 1993.

Figueira

Foi uma madrugada agitada. Poucas pessoas ficaram sabendo e praticamente, apenas os amigos mais chegados estiveram presentes. As 50 pessoas privilegiadas, inclusive eu, puderam acompanhar a árdua batalha de todos para segurar o gigante.

Ele começou a ser inflado ainda na noite. Eram poucos maçaricos, o pessoal teve que entrar dentro do balão para que ele inflasse e, após quase 1 hora ele ficou de pé. Assim que saiu nas guias, ninguém conseguiu segurar o gigante. Chegaram a enrolar uma das guias na trave do campo de futebol onde ele estava sendo solto e ela chegou a entortar.

A força era tanta que perderam literalmente o controle do balão. Acabou subindo com 2 das 5 gaiolas  de 300 dúzias de cortadinho programadas e ele subiu como um foguete. Após quase 30 minutos estourando ele ficou parado sobre o ABC por horas.

Durante todo o dia milhares de pessoas tentaram acompanhar o balão. Após uma forte chuva, muitos desistiram mas a galera da turma Boca da Noite de Santo André não desistiu, pegou a estrada e conseguiu pegar o balão em sua queda em um bambuzal na cidade de Jacarezinho ao norte do Paraná e divisa com a cidade de Ourinhos em São Paulo por volta das 23:00.

Não conseguiram fazer muita coisa pois o balão explodiu e só restou trazer a boca, churrasqueira e guias. A boca ficou por anos sobre a laje da sede da turma e dizem que até hoje ela existe.

Figueiraboca

Bem esta é a história de um dos maiores fogueteiros da história que hoje completa 20 anos da sua soltura. Se o Miltão não tivesse seguido para a política, muitos gigantes seriam soltos por sua turma afinal, depois deste balão a idéia era de fazer um maior. Dizem que seria um 40×40. vai saber… Você se lembra? Então participe dando a sua opinião no formulário abaixo. Vale lembrar que mensagens que não são relacionadas ao assunto serão ignoradas e apagadas. Também serão ignoradas mensagens sobre o Miltão, afinal, todos sabem o que ele faz hoje e isso não vem ao caso e nem é necessário falar muita coisa. O assunto é o balão ok?

Abraços

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