30 anos da chegada do balão moderno em São Paulo | Gazeta do Balão
30 anos da chegada do balão moderno em São Paulo
Publicado em 28/08/2010 | 919881 Visualizações

               

Pra quem é saudosista ou conhece a história dos balões sabe que eles foram inventados pelos chineses há séculos e vieram para o Brasil junto com os portugueses, os nossos colonizadores.
Temos relatos de diversos baloeiros durante todo o século passado que reuniam centenas de pessoas para acompanharem as solturas de seus balões. Na maioria das histórias conhecidas, os responsáveis pelo fabrico de balões juninos no começo do século passado eram pessoas descendentes e ligadas a famílias europeias que trabalhavam com a fabricação de fogos de artifício e traziam de família a tradição de soltar balões não só em festas juninas e religiosas, mas também em datas comemorativas como Carnaval, Natal, Réveillon e aniversários de parentes e amigos.

Alguns baloeiros conhecidos durante todo o século passado foram o Sr. Raphael Rosa, conhecido fabricante de fogos que soltava seus balões em pleno Viaduto do Chá no centro de São Paulo no começo do século, o Sr. Romeu de Oliveira que juntava com seus filhos e vizinhos para fabricar e soltar balões na Vila Industrial em Campinas e os balões de Gilberto Marcatti que morava na Avenida Cruzeiro do Sul, na zona norte de São Paulo e sempre soltava seus balões dentro do Carandiru com os presos assistindo de “camarote”.  Temos também, relatos de balões soltos por Nino Dusi em São Bernardo e do conhecido Nenê de Santo Amaro.
Histórias são muitas e personagens são poucos. Fato que no Rio de Janeiro, a prática de soltar balões se desenvolveu mais rápido do que em São Paulo. No começo da década de 70, já havia grandes baloeiros como Ivo Patrocínio, Betinho do Cachambi, Edson de Guadalupe, Cizinho da Ouro Preto  e  Jorge Turco, mestres da arte que tive o imenso prazer de conhecê-los numa viagem ao Rio no ano passado. Estes grandes baloeiros juntamente com tantos outros artistas, desenvolveram os conhecidos balões juninos e com todo esse desenvolvimento, vieram formas, estilos e suas dimensões cresceram assustadoramente.
Até meados da década de 70, a maioria dos balões soltos tanto em São Paulo quanto no Rio eram os conhecidos como Maria-Preta. Eram os Caixas, Zeppelins, Barricas, Almofadas, Piões de gomo torto, Carecas de Padre e os eternos balões de Recorte. Todos medidos por folhas e não por tamanho. Nesta mesma época, o costume de se soltar balões apenas em datas festivas e durante Copas do Mundo começou a mudar sendo visto a qualquer tempo desde que o tempo ajudasse.
No fim da década de 70, os balões se desenvolviam a cada soltura. Os cariocas inventaram o balão Tangerina, aqui chamado até hoje de Mixirica, um modelo aperfeiçoado do Pião de Gomo torto, o Mont Golfier e o mais popular de todos os modelos de balão, o Pião Carrapeta.
Estilos e técnicas surgiram como a utilização de maçaricos. Esta técnica acabou com a famosa vara de pesca ou com a arriscada técnica de subir em telhados e árvores para segurar o bico do balão para que pudessem ser inflados. Vieram as lanterninhas e com elas o balão de armação ou painel. Rapidamente se tornou uma febre entre os cariocas, principalmente o 9×8. Acredito que entre 1976 e 1990, os anos de ouro das armações cariocas, devem ter subidos mais de 1000 Tangerinas 9×8 com armação. Com isso, turmas como Cometa, Realengo, Ouro Preto, Rede, Pirâmide e Amizade entraram para a história com seus 9×8 riscados com dezenas de temas fantásticos e solturas históricas. Com o surgimento da Boca de Ouro no Rio em 1977, a necessidade de crescer, inovar e mostrar a cada balão um projeto novo, novas turmas apareciam a cada ano e para esta febre chegar a São Paulo, não demorou muito.

Por volta de 1978, após voltar de uma viagem ao Rio, o baloeiro e comerciante Nenê que morava em Santo Amaro e possuía uma loja no Brooklin, bairro próximo ao Itaim Bibi, na zona sul de São Paulo, comentou com amigos os balões que viu nos céus Carioca e eles decidiram voltar ao Rio para aprender as técnicas e trazer para São Paulo estes balões de armação soltos no Rio de Janeiro. Após algumas viagens, conheceram um baloeiro que lhes indicou o Point dos baloeiros na época, o lendário balógrafo Titio Mello, que vendia fotos de balões em sua loja num Shopping do Méier, conhecido bairro carioca. Lá eles conheceram o Zeca da Turma da Amizade, um dos maiores baloeiros da história. Sua turma, a Amizade era muito conhecida por todos os baloeiros pelos belos trabalhos e festivais que reuniam milhares de pessoas e baloeiros.
No mesmo ano, um dos amigos de Nenê que foram ao Rio para fazer intercâmbio, o fabricante de jóias Paulinho, decidiu retornar com sua esposa Sônia para a cidade Maravilhosa e lá criou uma grande amizade com o Zeca.
Paulinho e Soninha como são carinhosamente chamados até hoje, voltaram do Rio decididos a criar uma turma e soltar aqui, as armações e balões que conheceram no Rio de Janeiro. Em homenagem ao grande amigo Zeca, fundaram em 1978, a Turma da Amizade, a primeira turma de baloeiros de São Paulo.
Em 1980, a Turma da Amizade já arrastava dezenas de pessoas de todas as regiões da Grande São Paulo em suas solturas. Naquela época, a soltura um balão da Amizade parava a cidade. Lembro do meu pai que saia aqui de Interlagos e ia lá pro Ipiranga só para ver um 3×3 com armação. E era assim mesmo. A cada balão, novas pessoas chegavam, pediam para aprender e com isso, novas turmas de todas as regiões da cidade nasciam principalmente em bairros e cidades próximas ao Ipiranga onde a Turma da Amizade se estabelecia e soltava seus balões.
Devido a este crescimento, Paulinho decidiu criar um Festival para que as novas turmas pudessem participar e serem conhecidas. E assim foi realizado na noite de 30 de Agosto de 1980 o primeiro festival de balões de São Paulo.

O primeiro Festival

Realizado em um grande terreno na Avenida Ricardo Jafet no Ipiranga, o primeiro Festival de Balões de São Paulo apresentou novas turmas. Além da própria Amizade que soltou um 6×6 com uma armação com desenho de um cavalo, o mundo do balão conheceu turmas como Zeppelin (Tatuapé), Lua (São Bernardo do Campo), Dez de Ouros (Aclimação), Arranca Rabo (São Bernardo do Campo), Bola (Ipiranga), Remendo (Ipiranga), Siri (Aclimação), Churrasco (Belém), Águia (Ipiranga) e União (Aclimação).

O primeiro Festival de Balões de São Paulo também premiou seus campeões com o troféu Boca de Ouro, inspirado no campeonato de mesmo nome realizado desde 1977 no Rio. O campeão foi um 4×4 da Turma Dez de Ouros que levou uma armação alusiva a seu escudo.

 A Casa das Retortas

Entre os dias 12 de abril e 28 de junho de 1981, uma Exposição de balões foi realizada na Casa das Retortas, um conhecido prédio tombado de arquitetura industrial do final do século 19, localizado na Rua do Gasômetro, no Brás, região central de São Paulo.
Organizado pela Secretaria de Cultura com ajuda de Ivo Patrocínio e Odair Bueno, o Odair da Lua, a Exposição mostrava fotos sobre a nossa arte além de diversos balões fornecidos pelas turmas de São Paulo. Durante a exposição, os visitantes ganharam um livro chamado: “Balão, A Arte do Ar e do Fogo” que ensinava como fazer alguns balões. Ao mesmo tempo, Odair e Ivan (Dez de Ouros) decidiram realizar um segundo Festival, no mesmo lugar só que desta vez, além dos balões de armações, houve uma nova categoria, os fogueteiros noturnos. Os campeões foram um 4×4 da Turma da Lua com armação e um 3×3 da Dez de Ouros com fogos.

 Memória em jornal, foto e vídeo

Nestes 30 anos da chegada do “balão” moderno em São Paulo, muitas turmas e baloeiros fizeram história e ajudaram no desenvolvimento do balão em São Paulo e Rio de Janeiro. Porém, nada seria lembrado sem os balógrafos, cinegrafistas e editores de jornais de balões.

O primeiro Jornal de balão de São Paulo foi o Jornal do Balão, criado e editado por Odair da Lua, que circulou entre 1981 e 1997, inspirado na Folha do Baloeiro, o primeiro Jornal de Balão do Rio editado pelo Zequinha.  No fim da década de 80, um novo Jornal foi lançado pelo conhecido cinegrafista Luiz Antonio, o Jornal O Painel. Assim como o Jornal do Balão, o Painel comentava as solturas no mês além de informar resultados de campeonatos e festivais e divulgar a programação das turmas. Era uma loucura. Quando esses jornais eram lançados e vendidos nas poucas lojas de materiais do ramo na época, havia filas de baloeiros para comprar um exemplar e poder ficar por dentro do que acontecia no mundo do balão. Em 1990, um novo e revolucionário jornal foi lançado, a Gazeta do Balão.
Criado e editado pelo conhecido baloeiro e lojista de Guarulhos Salvador da Turma da Lembrança, a Gazeta do Balão ou GB como era chamada, trouxe uma nova linguagem em relação aos jornais de balão que existiam  entrevistando turmas, divulgando técnicas, escalas de moldes além de abrir espaço para as turmas se divulgarem, coisa que não era muito utilizada em outros jornais. Em seus pontos de venda e distribuição eram encontrados formulários onde as turmas informavam os balões que iam soltar, que resgataram ou pretendiam fazer.
A GB circulou por 4 anos e em seus 2 últimos anos, realizou o maior cadastro de baloeiros e turmas de São Paulo. Esse cadastro ajudou a contabilizar e organizar as turmas do estado e seu regulamento obrigava a turmas de mesmo nome na mesma região de entrar num acordo para que não possuísse 2 ou mais turmas com mesmo nome na região. No final, uma grande festa realizada em dezembro de 93 na quadra dos Gaviões da Fiel no Bom Retiro presenteou a todos os cadastrados com um Certificado.
Anos depois, um novo jornal apareceu, nos mesmos moldes do Jornal do Balão e O Painel: o Jornal Pega Balão, editado pelo conhecido Pinduka.
Assim como nos seus antecessores, Pega Balão comentava os balões soltos, a programação e divulgava regulamentos de campeonatos e festivais além de criar enquetes sobre assuntos voltados ao balão. Nos últimos anos, fotos foram adicionadas nas notícias tornando o Jornal um dos mais completos.
Falando de fotos, se hoje é comum encontrarmos dezenas de câmeras nas solturas de balões, no começo da década de 80, era raro termos um registro da soltura de um balão. Um dos pioneiros em fotografar balões no Rio era o Titio Mello. Aqui em São Paulo, tivemos muitos balógrafos e points de baloeiros, como a loja Foto Wada no Ipiranga, a loja da Cecília Fogos na Anhaia Mello, o Dercio no Tatuapé, mas nenhum deles se tornou tão popular como o Tatí. Sua loja na Vila Carrão, também na zona leste era um paraíso pra quem gostava de fotos de balões. Pra quem teve o privilégio de conhecê-la sabe o que estou falando. Eram centenas de álbuns, dezenas de estantes de aço recheadas de histórias e ter Tatí ou alguém de sua equipe na soltura de seu balão era como ter a TV Globo registrando seu trabalho. Ângulos diversos, estilo próprio e a certeza que teria um belo pôster na parede da sua bancada faziam do japonês Tatí um dos ícones em cobertura fotográfica da década de 80. E olha que ele sabia de cabeça onde estava cada foto, mesmo tendo dezenas de álbuns e milhares de fotos.
A importância de Tatí para as fotos era tão grande que os primeiros álbuns de figurinhas de balões tinham mais de 90% das fotos fornecidas por seu estúdio. Somente no final da década de 90, novas lojas de fotos apareceram como a Banca do Godoy no centro, por muitos anos, uma referência pra quem queria comprar um joguinho de fotos dos principais balões que subiram em São Paulo, Rio e Paraná.
Tão importante quanto ter o Tatí ou algum membro de sua equipe registrando a soltura de seu balão era ter a filmagem dele feita pelos 3 profissionais em vídeo na década de 80 e 90: Luiz Antônio (Pirituba), Bira (Vl. Olímpia) e Claudinho Alvarenga (Ipiranga).
Durante os primeiros 20 anos do balão moderno em São Paulo, o 3 dominavam o mercado de fitas VHS só de solturas e resgates de balões. Com estilo diferenciado, Luiz Antônio se destacava com suas filmagens educadamente comentadas e jargões inesquecíveis como o eterno: “Bem, Amigos da Rede Balão”. Luiz também ficou conhecido pela produção em massa de fitas chegando a ter dezenas de vídeo-cassetes 24 horas ligados para poder copiar e montar fitas de balões. Já o Bira tinha uma filmagem mais formal. Eram raros e tímidos seus comentários e era apaixonado por filmagens, fato que até hoje, trabalha com vídeo na cidade de Batatais, interior de São Paulo, onde mora desde 1997. Bira foi o pioneiro na filmagem com Gerador de Caracteres, permitindo colocar informações sobre o balão na filmagem. Também tinha seu jargão, finalizando suas filmagens com a frase “ao vivo e a cores para todo o Brasil”.
Já o baixinho e temperamental Claudinho da Turma Alvarenga falecido em 2002 era totalmente diferente dos 2. Quem conhecia Claudinho sabia o quanto ele gostava de filmar chegando a gastar rios de dinheiro em equipamentos. Suas filmagens eram diferentes. Ele não estava nem aí. Falava o que pensava. Se gostava do balão elogiava e se não, metia o pau sem dó. Vivia discutindo com pessoas em solturas de balões e não economizava palavrões a qualquer um que se atrevesse a passar na frente da sua câmera.
No final da década de 90, novos cinegrafistas apareceram como Izzo, Edmundo e Paulinho (GNB Paixão). Hoje temos dezenas de cinegrafistas, diversas coleções de DVD´s e todos eles, com seus estilos, defeitos e qualidades e todos ajudam a escrever a história dos balões em São Paulo e em qualquer lugar do mundo que um balão suba.

Campos de Soltura

Se antigamente qualquer esquina ou campo de futebol servia para soltar um balão ou até mesmo realizar uma revoada ou festival, com a lei criada em 1998 proibindo a soltura de balões, praticamente levaram os balões para o interior e cidades da Grande São Paulo.
Na década de 80, muitos campos se tornaram verdadeiros balódromos. Como não existia Internet e celular, muita gente se arriscava e ia até esses campos todas as manhãs de domingo com tempo bom com a certeza de que alguma coisa ia aparecer. E tinha mesmo.
Quem não se lembra do campo da RTC na Lapa, do Campo de Jordanésia em Cajamar, da Vila Piauí em Pirituba, do Cabuçú, Rancho da Pamonha, Beira Rio em Santo André, do Crematório da Vila Alpina, do campo do Jaú onde hoje é a estação Penha do Metrô?  Os maiores clássicos das décadas de 80 e 90 foram soltos nesses campos, mas o maior, o mais popular dos campos de soltura é sem dúvida, o campo da Igrejinha de Mairiporã, batizado de Paraíso dos Balões pelo cinegrafista Luiz Antônio.
Os primeiros balões neste campo foram soltos por volta de 1987. Um deles, senão o primeiro pelo que sei, foi o pião de 36m da Alemão & Cia ou Vagalume como alguns conheciam. Turmas como Emenda, Buca e Aperto, Parque e Severa Albatroz só soltavam seus balões nesse campo.
Por falar em Emenda, uma das manhãs mais emocionantes da história foi quando soltaram o seu Truffi de 27m feito em homenagem ao Tri Campeão Ayrton Senna pouco mais de 1 ano após sua morte. Milhares de pessoas gritavam e aplaudiam emocionadas quando a bandeira surgia, placa a placa na subida do balão. Quem esteve presente naquela linda e ensolarada manhã no campo da Igrejinha em Mairiporã presenciou um dos mais belos e inesquecíveis balões de toda a história. Lembro me que na hora de ir embora, ouvi dezenas de pessoas comentarem que a Emenda nem precisava fazer mais nada, nem precisaria soltar mais balões pois o que fizeram entrou pra história. E entrou mesmo.

No final da década de 90, novos campos apareceram, mas nenhum deles se igualava ao sítio do Claudinho Alvarenga em Itapevi. Praticamente entre 95 e 2002, ano de seu precoce falecimento, os principais balões foram soltos por lá.
Nos últimos anos, apareceram diversos campos. Com a lei, o romantismo não é mais o mesmo, porém a necessidade da existência destes locais é que fazem a nossa arte sobreviver.

Festivais

Como sabemos, o marco inicial de toda a nossa geração nasceu de um Festival organizado pela Turma da Amizade em 1980 no Ipiranga, porém a realização destes eventos nos dias de hoje são considerados impossíveis devido à repressão.
Em meados da década de 80 os primeiros festivais começaram a surgir arrastando milhares de pessoas e centenas de balões. Os mais populares foram os festivais da Saudade e da Lua que eram realizados no mês de junho e duraram por anos. Dezenas de turmas disputavam a cada edição troféus de diversas categorias na maioria 3×3 e 4×4 bojados e balões com bandeira e fogos na parte matinal dos Festivais. No final e durante a década de 90 diversos festivais foram realizados e merecem serem lembrados como o Festival da Rede e Colibri no ABC, União (Rio Pequeno), Lá & Cia e Caixa, Maria Preta e Figueira Grande (Zsul), Baloema (Crematório Vl. Alpina), Balão Mágico, Paulinho Cometinha, Anjos, Lua Cheia (Diadema), Valle (Taboão da Serra), Pingo de Ouro e os Festivais do Pinduka na Anhanguera.
Já nos últimos anos o único festival a ter prestígio e levar milhares de pessoas  e centenas de balões era realizado pela Tirando Onda em Ipelândia. Infelizmente em sua última edição em 2007, a polícia apareceu e terminou com o único festival que restou pra quem gosta desse tipo de evento.

 Turmas e balões

Nestes 30 anos escolher os melhores balões e turmas não é tarefa fácil até por que cada um tem seu gosto e sua memória, não é?
A primeira de todas, a Turma da Amizade com certeza entrou para a história por tudo que fez pelo desenvolvimento do balão em São Paulo. Há alguns anos ela voltou e aos poucos começa a aparecer novamente, mas a sua importância e respeito serão eternos mesmo não soltando nenhum balão fantástico. A seguir segue minha “lista” com as principais e mais importantes turmas e balões nestes 30 anos:

Zeppelin –Tatuapé (Z Leste)

De todas as turmas que participaram do primeiro Festival de Balões em 1980, a Zeppelin é a única que nunca parou. E quem não parou abismado com seus balões nestes 30 anos? Quem não se lembra das armações do Dinossauro (89), do Cavalo (93), Reis Magos (96)?

Emenda (Z Leste)

Falar da Emenda não merece uma nota e sim um livro. Fundada em 1985, pelos irmãos Sergio e Pedro, a Emenda se destacou por projetos inovadores e marcantes como o 16×16 (1991) considerado até hoje um dos melhores fogueteiros noturnos da história, o Truffi do Senna (95), o Pião de 30m da Peruana (89), Pião de 45m (1994) e o Pião de 61m (2000). Mesmo depois da separação da turma no começo desta década, seus balões merecem respeito e são admirados por muitas gerações.

Estrela do Ar (Diadema)

Se durante as décadas de 80 e 90 a febre carioca era soltar balões de armação, esta maravilhosa doença aqui em São Paulo ficou com a Estrela do Ar. Neste ano a turma completará 30 anos e cada balão sempre esperamos um trabalho de qualidade.

Equipe Penha (Z Leste)

A turma acabou há 20 anos, mas a importância de Adib e sua turma no desenvolvimento dos fogueteiros noturnos em São Paulo terá um valor eterno. Quantos de nós não passávamos as noites em claro acompanhando os balões da Equipe Penha no campo do Jaú?

Saudade (Z Oeste)

Outra grande turma da década de 80. Craque em armações,  o maior feito de Dirceu e sua turma foram com certeza os festivais. Dizem que o de 1990 foi o Festival que mais subiu balões na história de São Paulo.

Baloema (Z Leste)

Quantas turmas que hoje existem em toda a Zona Leste não nasceram nos Festivais do Crematório? Quem teve a oportunidade de acompanhar os festivais sabe como era gostoso virar naquela travessa da Anhaia Mello e se deparar com tantos balões e milhares de pessoas sentadas nos muros do cemitério. A turma Baloema também fez história nestes 30 anos e de tantos balões o que mais se destacou em minha opinião, foi o Pião de 52m feito em parceria com a Guerreiros da Paz de Campinas que teve sua primeira tentativa de soltura em junho de 92 numa fazenda em Sorocaba. Quantos São Paulinos felizes pela Libertadores da América vencida na véspera pelo time do Morumbi não estavam lá em Sorocaba para ver o até então, maior pião carrapeta de São Paulo? Infelizmente ele explodiu no maçarico e em novembro do ano seguinte subiu aos céus após ser reformado pela Emenda e solto com a própria Baloema em Mairiporã.

Praça (Z Oeste)

Mesmo com tantas turmas da Praça, a melhor em minha opinião sempre foi a de Pirituba. Desde a década de 80 a Praça se destacou não por belos balões, mas por projetos audaciosos. Foram tantos balões, mas não podemos esquecer o Pião de 35m em 88 que meu amigo Osmar pegou sozinho na Represa, o  17x2x15 solto na revoada de Cajamar em 89 e do 23×21 que infelizmente não subiu também em 89.

Balão Mágico (Z Leste)

Neste ano perdemos o querido Valmir, um dos cérebros da Balão Mágico, mas a sua participação na história sempre será lembrada pelos grandes festivais e pelos gigantes como o Truffi de 40m (94), o 20×20 (1996), o Modelado de 37m (99), o 11×11 Armação (99) e o Gigantesco Truffi de 52m e sua Gaiola de Varas (2005).

Jurema (Guarulhos)

Lembro-me que a primeira vez que ouvi falar da Jurema foi em 90 quando disputamos a Boca de Ouro no Fogueteiro Noturno. Eles com um 10x3x10 e nós com um 10x2x10. Não adiantou em nada porque levamos uma rasteira da TAF (Água Fria) com um 10×10, mas naquela época já pude perceber que era uma turma de futuro. Fato que até hoje é respeitada pelos seus grandes fogueteiros como o Modelado de 60m, a soltura mais perfeita de um gigante fogueteiro que já vi o 20×20 (97) e o 22x6x18 ou Modelado de 46m (2005).

Estrellar (Z Norte)
Me sinto triste em falar dessa turma da Vila Maria. Tanto talento pra acabar tão cedo. Quem conheceu o Paulada e seus balões sabe do que estou falando. Por mais que ganharam 2 Bocas de Ouro consecutivas com o Pião Carrapeta (1987 e 1988), uma das maiores decepções para o temperamental Paulada e sua Turma foi não ganhar uma Armação de Ouro nos anos que concorreu. Suas duas últimas armações: 10×10 (Passado, Presente e Futuro) e 11×11 (Chico Mendes) foram, pra mim, os balões que levaram armações mais lindos que vi na minha vida em SP. Menos mal que alguns de seus integrantes formaram outra turma de qualidade, a Cortiço.

Cortiço (Z Norte)
Com alguns integrantes da extinta Estrellar, o talento e qualidade continuaram. Balões maravilhosos, fogueteiros grandes e ousados, a Cortiço a cada balão, escreve cada vez mais seu nome na história dos balões em São Paulo.

Figueira Grande (Z Sul)

Independente do caminho que seu comandante seguiu, a importância dessa turma para a Zona Sul será sempre lembrada. Grandes balões, armações e resgates memoráveis se unem a coragem de enfrentar um 27×27 numa época que fazer um gigante era considerada uma loucura sem limites fizeram essa turma entrar para a história.

Maria Preta (Z Sul)

Nascida em 1983, a Maria Preta foi uma das turmas responsáveis pelo desenvolvimento de diversas turmas na Zona Sul juntamente com a Figueira Grande. Sempre deu preferência a resgates e fogueteiros noturnos e por isso, disputou com grandes turmas como Emenda, Penha, TAF, Jurema e Artimanha seguidas Bocas de Ouro, levando em parceria com a Artimanha o troféu de 92, o único empate em toda a história da Boca de Ouro.

Polegar (Z Leste)

Muita gente odeia, não acha graça em balões Golfier, mas essa turma gostava e mostrava a cada ano um projeto campeão. Não é a toa que ganhou 3 troféus e ensinou muita gente a fazer um biscoito de qualidade. Outra turma que deixa saudades.

Sandú Mosaico (Osasco)

Ultimamente não estão tendo sorte em seus balões, mas o feito daquela fria manhã de 10 de junho de 2006 será eterno. Soltar o maior balão do mundo até então e com tanta qualidade é para poucos e para seu feito ser perfeito o balão tinha que sumir como sumiu. Só assim, a dúvida de todos em saber pra onde ele foi, onde ele caiu faz com que sempre seja lembrado.

Os Naypes (Z Leste)

Dizem que para ser grande tem que soltar balões grandes. Mas o que adianta fazer balões gigantescos sem brilho? Os Naypes conseguem unir as duas coisas. Quem não se lembra dos belos piões, dos grandes fogueteiros e de lindos balões como o pião do Drácula (98), do Pião de 45m (2002) e da Bagdá de 25 (2010). Em menos de 20 anos a turma ganhou respeito e é considerada por muitos uma das 5 maiores da história.

Turma Zona Norte – TZN

Uma das principais turmas de resgate entre o fim da década de 80 e começo da década de 90. Juntamente com a Alvorada, também da zona norte, sempre estavam debaixo dos melhores balões da época. Seu maior feito, entre tantos, foi soltar a gigantesca Bagdá de 54m do sítio do Claudinho em Itapevi no ano de 97. Feito que só foi batido neste ano com a Bagdá da BZL.

Alvarenga (Z Sul)

Talvez o maior feito de Claudinho foi sem dúvida, ceder seu sítio em Itapevi para que muitas turmas pudessem soltar seus balões com segurança e tranquilidade. O campo não era um dos melhores para os balógrafos e cinegrafistas, pois era um barrancão de terra vermelha com poucas opções de ângulos para fotos e filmagens, mas para quem soltava era uma maravilha fato que a maioria dos gigantes da década de 90 subiram por lá. Já sua turma, não soltou muitos balões de destaque, porém só o Pião de 35m (Naipes do Baralho-1990) e o Pião de 45m (Relógio – 1993) se tornaram verdadeiros clássicos e suas fotos, DVD´s  e pôsteres  são presença obrigatória nas bancadas de quem viveu esta época.

Dez de Ouros (Z Sul)

Assim como a Amizade, Lua, Zeppelin do Tatuapé e tantas outras que foram as primeiras turmas e suas criações fundamentais para o desenvolvimento do balão em SP, a Dez de Ouros durou pouco, menos de 7 anos mas sempre se mostrou anos luz à frente de muitas turmas de São Paulo, fato que já em seus primeiros anos a turma praticamente ganhava tudo que competia. Também marcou trazendo para São Paulo, o conhecido molde de um Pião de 40m desenvolvido pelo Tião da Turma da Bruxa e soltando o primeiro pião gigante de SP lá em 1985. Um fato histórico!

Clube Paulistano de Balões (Z Oeste)

Mais uma grande turma da década de 80 que encerrou suas atividades precocemente. A turma do Neno como era conhecida, sempre apresentava belos balões na época. Não havia limites e dinheiro sobrava para investir em balões. Dizem que o Neno era tão rico que andava de Ferrari. Com essa “facilidade”, grandes balões foram soltos como o Pião de 35m feito em homenagem ao Jardel e a Turma do Cometa do Rio que ganhou a primeira Boca de Ouro de Pião Carrapeta em 85. No ano seguinte, a decepção quando não conseguiram soltar seu 23×21 que seria fogueteiro noturno. O papel não era muito bom, o balão rasgou muito na hora de encher e decidiram destruí-lo. Neno também teve sua importância para o mundo do balão quando organizava junto do Bia (Luar de Vila Sônia) a Boca de Ouro de SP entre os anos de 87 a 93.

Listagem (Guarulhos)

Mais uma turma que marcou a década de 90 com suas belas armações, mas seu maior feito no mundo do balão não teve um final feliz. A perda do maravilhoso 22×20 em 1994 foi triste e praticamente acabou com a turma. Pra quem estava lá como eu, foi uma pena ver aquele gigante lindo queimar após enroscar nas árvores. Mesmo com todo o azar naquela manhã, os belos trabalhos da Listagem entraram para a história e sua nova geração promete.

Anderson (ABC)

Esse magrelo e dedicado baloeiro mostra a cada balão como é tão grande sua paixão quanto o tamanho de seus balões. Sempre fez sozinho, nunca participou de alguma turma, mas sempre teve centenas de amigos para ajudar em suas saudáveis loucuras como a de construir em 6 meses o maior pião do mundo. Quem o conhece sabe o quanto ele gosta de seu barracão de madeirite onde passa horas e horas por dia fazendo seus balões. Sua audácia e dedicação merecem ser lembradas principalmente nesta década quando Anderson e seus amigos já mandaram muitas toneladas de papel para os céus de São Paulo.

Moldes e novos formatos

Como sabemos os melhores prédios são projetados pelos melhores engenheiros e no mundo do balão não seria diferente. Se até a década de 70 os balões de corte reto predominavam, com o desenvolvimento dos primeiros balões com moldes pelos cariocas, trouxe uma nova cara e fez dos antigos marias-pretas terem seu brilho ofuscado por novos modelos de balões.

Quando os primeiros moldes de Ivo Patrocínio e Tião da Bruxa chegaram do Rio de Janeiro no começo da década de 80, o Pião Carrapeta se tornou uma febre entre as turmas paulistanas. Praticamente durante os primeiros 10 anos, só víamos Piões Carrapetas e Mixiricas nos céus de São Paulo. No final da década de 80, começaram a aparecer novos modelos de balões como o Truffi, inspirado nos balões de balonismo e batizado com o nome de um dos maiores balonistas do Brasil, Victorio Truffi, o Bagdá e Pingolbag, uma mistura de Pião, Golfier e Bagdá criado por Ivo Patrocínio.

Já nos anos 90, o tradicional Mixirica foi estilizado e os primeiros Modelados e Lapidados começaram a aparecer estando até hoje, junto do Pião Carrapeta no topo dos modelos de balões mais soltos no Brasil.

Del Plata

Na última década a idéia de um baloeiro argentino revolucionou o mundo do balão em todo o mundo ao lançar em seu site calculadoras para moldes com dezenas de opções. A Turma Del Plata da Província Argentina de mesmo nome tem a sua frente Gabriel Kranopolsky e ficou conhecida pelos moldes desenvolvidos nas escalas de Gabriel no seu site. Hoje, 9 entre 10 “cortadores” de balões utilizam as calculadoras do site argentino.

Os “Cortadores” de balões

Desde os primórdios da arte, confeccionar um balão englobava a escolha do modelo, do tamanho e o próprio artesão, seus familiares e amigos que cortavam as folhas para fazer o balão. Com a chegada do balão moderno, suas dimensões cresceram e o trabalho em cortar o balão ficou mais difícil. Com isso, os primeiros profissionais em vender balões cortados ou cortar balões por encomenda começaram a aparecer em meados da década de 80. Muitos deles já paravam e na minha memória, lembro-me do Tinão, Banha, Paulada, Paulinho Ícaro, Décio e Denilson Zeppelin, mestres de cálculos e corte de balões.

O comercio de talentos

Ao contrário dos profissionais de corte de balões que apareceram na década de 80, o mercado de venda de projetos e serviços de riscar e confeccionar balões e bandeiras tão comuns nos dias de hoje, na década de 80 raramente existia, porém a amizade prevalecia. Muitos dos projetistas e riscadores da época faziam os projetos e riscavam os balões por amizade com as turmas e não por dinheiro, mas como vivemos num mundo capitalista, a necessidade de remunerar os grandes profissionais se tornou natural e muitas vezes necessária haja vista a grande disputa e qualidade nos balões nos campeonatos atuais, somente os grandes projetos aliados a solturas perfeitas prevalecem.
Já quem tem talento, aproveita reuniões em points, festas ou até mesmo através de sites e blogs para vender seus projetos e turmas que não possuem tempo ou conhecimentos das técnicas regularmente procuram estes profissionais para realizarem seus projetos.

Sites e Internet

Se nas décadas de 80 e 90 os jornais eram os únicos veículos de informação, os últimos 10 anos foram marcados pelo surgimento da Internet , DVD´s e câmeras digitais. Se antes tínhamos que chegar dos campos de solturas e correr para o shopping para revelar os filmes recém tirados do balão que acabávamos de ver nas lojas de revelação em 1 hora ou limpar as cabeças dos vídeos-cassetes com aquelas fitas de limpeza, o surgimento do DVD  e das câmeras digitais acabaram com isso. Hoje, podemos ver vídeos com mais qualidade e se antes raramente tínhamos uma filmagem ou uma foto dos principais balões que subiam, hoje é praticamente impossível não ver uma ou mais câmeras nos campos de soltura.
Hoje praticamente todos os balões que sobem são fotografados por câmeras fotográficas e celulares. Além de poderem ter centenas de fotos de recordação do seu balão ou até mesmo de balões que foi assistir a soltura ou um resgate, esta facilidade em registrar os balões criou uma nova categoria: O repórter baloeiro.
Muitos dos novos balógrafos se tornaram o coração dos sites e blogs de balões. A colaboração destas pessoas é fundamental para a divulgação das solturas na Internet. Hoje o costume do baloeiro é chegar do campo e acessar seus sites favoritos para saber o que subiu naquele fim de semana e, ao mesmo tempo, os balógrafos chegam dos campos e enviam suas fotos para divulgar seu trabalho e seu balão.
Os primeiros sites sobre balões apareceram por volta de 2002. Como as técnicas eram desconhecidas e limitadas, os primeiros sites eram bem simples, porém tinham muitos acessos. Mesmo com a internet discada, os baloeiros ficavam horas na frente do computador para ver as fotos escaneadas de balões e livros do passado além de raríssimas fotos digitais que começavam a aparecer.
O site da Enfeite da Noite foi um dos primeiros em SP. Seu bate papo era disputado e dezenas de baloeiros ficavam horas teclando e falando sobre balões além de conhecerem novos amigos. Com o passar dos anos, vieram novos sites como o Balomania, Mundo do Balão, Cartilha do Balão e Planeta Balão. Nos últimos 5 anos, muitos sites e blogs apareceram porém se manter no topo dos mais acessados e populares não é fácil pois cuidar de um site ou blog exige tempo, conhecimento técnico e muita dedicação. Nesta década os sites e Blogs que se destacaram e já não existem mais foram o Arte Virtual (2004-2009), Balofúria/Casa do Balão (2005-2010), Baloshow (2006-2009), Balofik (2005-2007) e Teta Fotos (2005-2006). Hoje, temos 4 sites mais populares: Planeta Balão (2003), Gazeta do Balão(2006), Balão Mania (2009) e Clube do Baloeiro (2010), além de dezenas de Blogs de balógrafos e turmas.
Enfim, 30 anos se passaram e tenho certeza que a “brincadeira” de nossos amigos da Turma da Amizade e Lua foi um marco para o desenvolvimento do balão em São Paulo. Quem viveu ao menos metade dessa geração como muitos de nós sabe o quanto o romantismo e o amor pelo balão jamais acabará. Vimos grandes turmas nascerem, grandes baloeiros e milhares de obras de arte se eternizarem pelas câmeras de nossos balógrafos , cinegrafistas e na nossa memória.
Ser baloeiro, conhecer a história, fazer parte da história para mim é um privilégio. Um orgulho de ver o que tanto amo crescer e para finalizar nosso especial, reproduzo um dos mais lindos e perfeitos poemas sobre a nossa arte. Nunca saberemos que o escreveu, mas suas palavras dizem tudo o que sentimos ao ver nossa arte nos céus.

“Os balões são como nossos filhos.
Nós os fazemos, montamos como uma vida.
Cuidamos o tempo todo… Protegemos.
Depois eles se abrem. E só ai vemos do que somos capazes.
Então eles sobem.
Bonitos, vivos, alegres…livres.
E nós ficamos alegrias e lagrimas…
Torcendo para que o vento, seja aquele que sempre esperamos para eles.
Mas eles vão embora… somem da vista.
O importante é que ficam registrados no nossos olhos, na nossa mente… lá dentro do coração…..

Balões…

Tem gente que não consegue enxergá-los.

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