A evolução das decorações em balões | Gazeta do Balão
A evolução das decorações em balões
Publicado em 26/02/2012 | 20202012 Visualizações

Olá amigos! Desde os primórdios do balão, assim como qualquer arte, seus artífices, os baloeiros, sempre buscam inovar em seus projetos. De simples balões monocromáticos aos listrados, a cada balão,  todos buscam uma forma diferente de expressar suas idéias. Se até a década de 60 a prática de soltar balões era fechada apenas em épocas de festas juninas com a reunião de famílias em volta da fogueira e em Copas do Mundo, das antigas confrarias aos clubes de baloeiros na década de 80 e as equipes de baloeiros de hoje, o balão deixou de ser apenas uma atividade, uma brincadeira entre amigos para se tornar um objeto de arte. E a cada novo projeto, a decoração evolui chegando, em alguns casos, a perfeição.

Nas décadas de 60 e 70 os balões começaram a evoluir com a fabricação de folhas de Seda coloridas. Com isso, os baloeiros e apaixonados pelo balão começaram a construir balões coloridos e temas como o Futebol, a paixão nacional começou a se tornar comum nos balões, principalmente em meses de Copa do Mundo, unindo-se as festa juninas, afinal, quem nunca soltou um balão verde e amarelo?

Fora os temas abrangendo futebol e Copa do Mundo, dos primeiros anos da década de 80 até meados da década de 90, os balões eram projetados em sua maioria inspirados em temas populares como a Turma da Mônica, Walt Disney, Jesus Cristo, personagens da Marvel e artistas como Bob Marley.

Na época não existia computadores e muitos projetistas, por isso as turmas buscavam em publicações e livros seus desenhos para montar suas maquetes. Muitos destes balões eram feitos seguindo técnicas de ampliação com os desenhos sendo quadriculados e ampliados em maiores proporções, seja numa espécie de papel do tamanho do gomo ou no próprio balão. Nesta mesma técnica que as bandeiras riscadas eram feitas. Por esse motivo que muitos balões riscados daquela época eram feitos por quadros, pois os desenhos eram ampliados fora, totalmente filetados e aplicados no balão.

Paralelo aos primeiros balões riscados, “a brincadeira” com as cores do carioca Jorge Turco, da turma do Méier, bairro do subúrbio carioca, acabou fazendo dele o pai do balão taqueado na década de 70. Jorge não imaginaria mas ali criava um novo estilo de decoração que foi muito utilizado por milhares de turmas.

Esse Careca de Padre é considerado um dos primeiros balões taqueados da história e foi solto em 1977 no Rio de Janeiro.

Com a evolução da idéia de Jorge Turco, os balões taqueados apenas formavam desenhos geométricos com degradé de cores e muitos eram inspirados em capas de almofada de tricô, muito comuns na década de 70:

Já em meados da década de 80, as revistas de Ponto Cruz e Bordados dominaram os projetos de balões taqueados.

Utilizando lápis de cor, canetinhas e um papel quadriculado, os projetistas começaram a adaptar os desenhos em Ponto Cruz  e belos balões começaram a aparecer.

O curioso que nestas épocas, todo esse trabalho era aplicado. Esse papo de balão montado só surgiu nos anos 90. Os balões eram feitos de uma única cor, normalmente de Floor Post ou Hulk e forrados gomo a gomo de acordo com o projeto. Aos poucos a decoração taqueada foi evoluindo deixando de ser 1 por gomo e chegando a 2, 4 tacos por gomo. Com isso, os balões ganharam mais definição e cores.

Voltando aos riscados, com certeza a corrida em busca da Boca de Ouro fez com que o balão evoluísse muito na década de 80. Turmas como Amizade, Realengo e Cometa no Rio e Severa Albatroz, Estrellar e Zeppelim em São Paulo duelaram entre si durante toda a década de 80 nos torneios de armações. No Rio por exemplo, existia uma regra que só poderia participar da Boca de Ouro se soltassem no mínimo 3 armações por temporada. Por isso que é comum vermos tantas armações naquela época. Com isso, a cada balão, novas técnicas eram desenvolvidas e assim como os riscados temáticos, os taqueados e geométricos foram se aperfeiçoando.

 Em meio a tanto talento desfilando nos céus do Rio de Janeiro e São Paulo, algumas turmas se destacaram com inovações nas decorações de seus balões. Devido a isso, alguns balões acabaram se tornando Divisores de Águas, um marco na evolução dos projetos:

Nos 4 exemplos acima,  cada um teve um estilo de decoração que ficou marcado e é copiado por muitos até os dias de hoje:

1 – 9×8 – Realengo.

Esse belo mixirica solto em 1987 no Rio de Janeiro, chamou a atenção de todos com sua decoração retratando Vitrais Sacros.

2 – Pião 24m – Alfa – SP

Mais um tema bíblico que ficou marcado no estilo de decorações taqueadas e foi o marco inicial dos balões temáticos com decoração corrida

3 – Pião 17m – Estrellar – SP

Solto em 94 de Mairiporã, o belo pião foi um dos primeiros a mesclar o taqueado com riscado.

4 – Pião 17m – Alfa – SP

Mais um trabalho inesquecível desta grande turma de Santo André. Foi um dos primeiros a serem feitos no computador reproduzindo fotos.

A era do computador

Com a chegada do computador, o mundo do balão mudou muito. Se antes os balões eram projetados no papel com canetinha e lapis de cor reproduzindo desenhos vindos de livros e revistas, além claro de alguns desenhistas e tatuadores que criavam de acordo com sua imaginação, a chegada dos projetistas de computador facilitou a criação de moldes, bandeiras, armações e decorações. Além de facilitar a busca por imagens e temas.

Um dos primeiros em São Paulo foi o Dudu da Raios de Sol. No começo dos anos 2000, se especializou em projetar balões taqueados e bandeiras com programas como Paint e Photoshop. Com isso, os balões começaram a ganhar mais possibilidades de temas. Se antes ficávamos presos a revistas da Turma da Monica, hoje, qualquer tema pode ser reproduzido, basta ter uma imagem digitalizada. Mas como isso funciona?

Vamos dar um exemplo utilizando uma imagem do personagem Mario Bros:

Na época das bandeiras riscadas, teríamos que quadricular o desenho (figura 2) e riscar quadrado por quadrado.

Quando começamos a entender o que é pixel, vimos que fazer projetos no computador é muito simples. Mas o que é pixel?

Pixel ou Píxel é a junção de Picture e Element, ou seja, elemento de imagem, sendo Pix a abreviatura em inglês para Picture. É é o menor elemento num dispositivo de exibição (como por exemplo um monitor), ao qual é possivel atribuir-se uma cor. De uma forma mais simples, um pixel é o menor ponto que forma uma imagem digital, sendo que o conjunto de milhares de pixels formam a imagem inteira.

Entendendo isso, ao aumentar o tamanho da imagem, podemos ver que elas são feitas por pixels:

Na linguagem do baloeiro, o pixel é chamado de taco. Visando o mercado voltado ao balão, no começo da década de 2000, as fábricas de papel de seda começaram a produzir dezenas de cores. Com isso, nos dias de hoje é possível reproduzir qualquer imagem em um balão ou bandeira. Basta um bom projeto e muita paciência para colar os taquinhos. Com essa evolução, podemos ver a cada dia balões mais perfeitos reproduzindo diversos temas:

1, 2, 16 … 60 tacos por gomo?

Muitas vezes por falta de uma grande bancada para fazer balões, os baloeiros buscam os balões taqueados para fazer. Assim como em bandeiras, o balão taqueado pode ser feito em pequenas partes e depois unidas formando o gomo. Nos últimos anos, em busca pela perfeição, algumas turmas começaram a diminuir o tamanho dos tacos dentro de um gomo. Com isso, o balão ganha em qualidade e definição dos desenhos.

A foto abaixo, encontrada em redes sociais  é um exemplo de um balão que esta sendo feito, de acordo com informações com 60 tacos por gomo. Não sei de quem é mas pelas fotos podemos ver a excelente qualidade das imagens. Além da enorme paciência de quem o fez. As fotos mostram um belo balão, com certeza será lembrado por muito tempo e a turma que o fez está de parabéns pela paciência em fazer um balão com taquinhos de menos de 1 centímetro, além claro do tema em questão que é homenagear algumas pessoas e balões que fizeram história no mundo do balão:

E a galera da canetinha?

Mesmo com tanta tecnologia, ainda vemos projetos feitos a mão com canetinha e papel quadriculado. Muitos deles vem de anos, mas muitos ainda preferem balões e bandeiras feitos apenas com o talento do projetista em desenhar de acordo com sua imaginação:

Nos balões taqueados, a utilização das canetinhas pode até estar descartada, mas o talento dos projetistas sempre continuará nos balões geométricos e riscados. Além de escolher um tema, as turmas que desenvolvem balões riscados, ainda utilizam as técnicas de leques e maquetes feitas a mão e muitos projetistas buscam na internet as imagens para compor seus projetos. Com criatividade e uma boa escolha de cores, os balões riscados chegam próximos a perfeição. Se os taqueados a cada dia parecem fotos, os riscados parecem pinturas:

O computador nos balões riscados

Se há mais de 10 anos os balões taqueados são projetados em programas de computador, nos últimos anos algumas turmas começaram a desenvolver seus balões riscados também em computador através de uma técnica chamada rastreamento. Com isso, rostos são ampliados, suas cores adaptadas as cores padrão de folhas de seda e os gomos impressos em tamanho real com o auxílio de uma Plotter, impressora de projetos em grande escala.

Independente do estilo, da qualidade dos desenhos, uma coisa é fato nestes mais de 30 anos de balão no Brasil: dos maiores projetos aos balões inesquecíveis, tudo é resultado de um grande e longo trabalho. Muitas vezes de anos. Se, para muitos um balão simples e listrado subindo é sinônimo de alegria, para muitos, uma obra de arte simplesmente cheia em algum campo por este Brasil, é o resultado de um sonho. O balão evolui a cada dia que passa, sendo em técnicas para projetá-lo seja em materiais e formas de soltá-los com segurança.

Quem ganha com isso? Somos todos nós que amamos essa arte em papel e enchemos nossas paredes com posteres dos mais belos e inesquecíveis balões da história.

Um grande abraço a todos.

Dinho

Gostou? Curta e Compartilha!
  • 14
    Shares

Mande seu Recado:

Copyright © 2006 / 2020 - Gazeta do Balão | Todos os Direitos Reservados - Permitida a reprodução com citação da fonte
error: Não copie, compartilhe!