A história do Balonismo | Gazeta do Balão

Com o surgimento do avião 23 de outubro de 1906 de Alberto Santos Dumont , os balões foram relegados a segundo plano. Somente de tempos em tempos eram reativados para aventurar como travessia do deserto ou exploração polares . Ed Yost e outros 3 amigos montaram Raven Industries em Sioux Falls, Dakota do Sul, um dos primeiros trabalhos da Raven foi para comissão US Navy’s Office of Naval Research (ONR) para criar um avião que ia levar um homem e combustível suficiente para voar durante três horas, transportar uma carga de 10000 pés, e de ser reutilizável. Além disso, o sistema deveria ser de pequenas dimensões, leve e um mínimo de pessoas para a operação. Em 22 de outubro de 1960, Yost fez o primeiro vôo livre de um balão de ar quente moderno com maçarico de querosene e envelope de filme plástico. Tendo mudado o balão para nylon no envelope, e havia recriado o maçarico agora com gás propano. O peso bruto do balão, incluindo Yost e os combustíveis, era 404 libras. A duração do vôo foi de 25 minutos e opouso a 3 milhas da decolagem.A partir de 1960 surgiria o protótipo do balão moderno com envelope de 1000 m³. e queimadores alimentados a propano, a 10 de outubro de 1960 renascia no estado americano do Nebrasca, a pratica do balonismo a ar quente . Hoje balonismo conquistou todos os continentes e dezenas de milhares de balões estão registrados em clubes e departamentos de aviação civil , pois como toda aeronave o balão deve ser registrado em seu pais de origem. Os modernos balões a ar quente são muito maiores que os balões a gás , já que o ar quente é muito mais denso que o hidrogênio , e portanto , maior quantidade de ar é necessária para garantir a ascensão . De todas as formas e cores os balões a ar quente não mais representam uma louca aventura de irresponsáveis ou de quem confia no destino dos ventos . Ao contrario a tecnologia de construção do invólucro e dos queimadores e das nacelas confere ao balonista total controle da ascensão e da descida . Com um mínimo de experiência um balonista pode interpretar as variações do clima escolher a melhor camada de ar estabilizar o balão e faze-lo subir ou descer sem qualquer margem de erro.

Balonismo no Brasil

No Brasil só nos últimos 30 anos o balonismo retornou para chegar ao ano 2000 com sinais de um crescimento vigoroso. E tanto na primeira vês como da segunda vez, note americanos foram responsáveis pela chegada dos balões ao pais. Em 24 de julho de 1867, durante a guerra do Paraguai, o exercito brasileiro contratou os serviços dos irmãos Allen, que tinham feito fama como observadores aéreos durante a Gerra Civil Americana (1860-1865) de seu país. Cerca de 20 ascensões foram realizadas pelos irmãos Allen. Junto com eles subiram oficiais brasileiros encarregados das observações militares, o primeiro deles que participou do histórico vôo de 24 de junho de 1867, foi o capitão de Estado-Maior de 1 classe Francisco Cezar da Silva Amaral, seguindo-se o capitão de engenheiros Conrado Jacob de Nyemeyer, o capitão Antonio da Sena Madureira e o primeiro-tenente Manoel Peixoto Cursino do Amarante. Assim o exercito brasileiro teve o pioneirismo do uso da aviação militar na América Latina, durante as comemorações de 125 anos deste feito foi incluído no distintivo da Brigada Aviação do Exercito hoje baseada em Taubaté SP ostentando um Balão. Findo o conflito o exercito chegou a comprar alguns equipamentos para infla-los e os irmãos Allen treinaram os primeiros pilotos brasileiros Com o passar do tempo e o surgimento dos aviões , mais modernos e manobráveis que os balões ocorreu seu abandono em nosso pais. Passados 100 anos em 1970 o empresário paulista Victorio Truffi viajou aos Estados Unidos. entusiasta dos balões Truffi aproveitou a viagem para tirar brevê de balonista e para adquirir seu primeiro balão de ar quente. Já naquela época o balonismo de ar quente era uma febre entre os norte americanos e europeus e vendo a possibilidade para essa modalidade aero-desportiva em seu pais Truffi convidou um balonista americano, Robert Rechs, para acompanha-lo como instrutor, o primeiro vôo de um moderno balão de ar quente em território brasileiro foi realizado por Truffi e Rechs na cidade paulista de Araraquara, no dia 20 de outubro de 1970. A partir daí Truffi passou a voar regularmente em festividades aéreas criou um clube numa granja de sua propriedade em Cotia e passou a instruir novos entusiastas.Em 1975 o Ministério da Aeronáutica usando como base os regulamentos Norte Americanos trazidos por Truffi começou a definir as normas brasileiras para o esporte. e em 1978 começou emitir breves nacionais de pilotagem. Os dez anos seguintes foram caracterizados por uma rápida divulgação do balonismo, auxiliadora pelo seu uso em festas aéreas e por serem utilizados para divulgar marcas comerciais de alguns produtos importantes. Surgiram vários clubes, em São Paulo e em outros Estados, e aumentou o número de balões, alguns importados e outros de fabricação local. Em 1987, finalmente, realizou-se na cidade de Casa Branca o I Encontro Brasileiro de Balonismo, que contou com a presença da maioria dos entusiastas do desporto e de representantes do DAC. Na ocasião os problemas do balonismo foram amplamente debatidos e definidas as regras para a sua prática. Pouco depois, em dezembro de 1987, era fundada a Associação Brasileira de Balonismo, órgão máximo da modalidade em nosso país. Estatisticamente o mais seguro dos chamados esportes aéreos (no Brasil nunca ocorreu um acidente fatal) o balonismo tem algumas características interessantes como o baixo custo da sua prática e a ênfase pelo trabalho de equipe, já que tanto para inflar como depois para recuperar o balão é necessário equipe de terra. Só nos Estados Unidos existem hoje cerca de 5500 balões de ar quente registrados, enquanto a Inglaterra, o país europeu onde esse desporto é mais difundido, possui outros 1500. No Brasil, por enquanto ,são pouco mais de cinqüenta balões registrados, parte deles adquiridas no exterior e parte de fabricação nacional. O DAC tem regras claras para o registro de balões, que levam matrícula civil como qualquer aeronave. Os balões fabricados no Brasil têm quase todos certificado na categoria Experimental. . Já foram emitidos, no Brasil, 98 brevês de pilotos de balão, 50 dos quais estão ativos na prática do desporte. Há também, no Brasil, quatro empresas fabricando os envelopes dos balões (de tecido sintético especial), duas fabricantes de cestos e uma produzindo os queimadores. Os cilindros de gás e parte dos instrumentos a bordo são ainda importados, mas já há empresas interessadas em fazê-lo aqui, e sua produção não envolve qualquer problema técnico acima da capacidade da indústria nacional. Tudo é uma questão escala e a nacionalização completa acontecerá quando o número de balões e balonistas aumentar. Já foram realizados Campeonatos Brasileiros de Balonismo. O primeiro, em 1988, foi na cidade de Casa Branca (SP) e o segundo, em 1989, na cidade paulista de Americana. Naquele mesmo ano pela primeira vez um balão fabricado no Brasil participou de um Campeonato Mundial, realizado em Saga no Japão. O representante brasileiro sagrou-se, então, em 48º lugar competindo contra 102 participantes de vários países. A prática do balonismo já está regulamentada pelo Ministério da Aeronáutica e espera-se ainda para breve seu reconhecimento oficial pelo Conselho Nacional de Desportos. Isso conseguido os balonistas poderão disputar oficialmente provas internacionais e contarão com o apoio das vantagens que o CND concede aos esportes oficializados. O fato de que não necessitarem de pistas de pouso e nem de agngares especiais, dão aos balões de ar quente amplas possibilidades de divulgação no Brasil e não seria exagero acreditar nas estimativas otimistas dos praticantes dessa modalidade de que poderemos comemorar os 30 anos do primeiro vôo de Vitorio Truffi com mais de 100 balões registrados. Ou chegar a 2008 com 260 máquinas matriculadas (fonte ANAC). Mas, mesmo hoje, o Brasil já é o país sul-americano onde esta modalidade está mais desenvolvida.

Victorio Truffi – O o primeiro homem a realizar um vôo de balão de ar quente na América do Sul

Victorio Truffi foi o primeiro homem a realizar um vôo de balão de ar quente na América do Sul. Este grande feito aconteceu no dia 25 de outubro de 1970, em Araraquara, interior de São Paulo. Este sonho começou ainda na infância de Truffi, quando ele ainda costumava fazer balõezinhos de papel com cestinhos improvisados de lata de massa de tomate. Na infância pobre, seus primeiros tripulantes eram os filhotes de ratos encontrados perto do fogão a lenha, os mesmos que normalmente morriam colados uns nos outros dentro das latinhas devido aos pingos de breu das tochas mal feitas. Certa vez resolveu fazer um balão um pouco maior e na dificuldade de arrumar um tripulante a altura, lançou mão do gato siamês da vizinha. Claro que a vizinha viu e deu a maior confusão. O balão caiu em num túmulo de um cemitério abandonado e havia um buraco nas costas do gato feito pelos pingos do breu. Truffi correu na sapataria de um amigo, arrancou uns pêlos do rabo do gato e os colou nas costas, sobre o ferimento. Como ninguém acreditou na versão apresentada por ele de que o gato tinha se ferido em uma cerca, acabou tomando um bela surra de sua mãe. Nesta época Truffi adorava sentar pelas calçadas e bancos da praça de Araraquara para ouvir as conversas de um cientista local, amigo e correspondente de “Piccard”, o cientista americano que fazia a exploração da estratosfera através de balões. Passada a infância ele foi trabalhar com o objetivo de ser industrial. Começou como jogador de futebol, passando pela Portuguesa, pelo São Paulo e Bonsucesso do Rio, depois fiscal da prefeitura e vendedor de rádios. Acabou montando sua própria loja onde também fabricava rádios e com a chegada da guerra, entrou no negócio de gasogênios. Em 1945, finalmente fundou as antenas Truffi. No início da década de 60 foi Presidente da Federação de Pombos Correio e pertenceu à Patrulha Aérea Brasileira. Durante a ditatura Truffi foi preso e torturado, acusado de ser comunista e se comunicar com os “vermelhos” do Uruguai utilizando-se dos pombos. Em 1970, sua filha voltou dos EUA com um convite de Piccard para que Truffi fosse ao seu ateliê. Ele foi e pela primeira vez viu um balão inflado de perto. Chegou a fazer um vôo a convite de Bob Rechs e adorou, apesar do pouso pouco confortável sobre uma cerca após esbarrar em uma alta tensão.Voltou de lá já com a idéia de construir o primeiro balão brasileiro e logo depois fez um convite a Bob, para que viesse ao Brasil acompanhar a construção. Com o balão pronto Truffi iniciou os primeiros vôos de experiência cativos, enquanto aguardava autorização do CTA – Centro Técnico Aeroespacial, para que pudesse voar livre com seu sonho realizado. A autorização foi trabalhosa e demorada, mas depois de inúmeras idas e vindas e uma restrição absurda para que comunicasse o CTA dos vôos com 72 horas de antecedência, Truffi recebeu o prefixo PP-ZBT para seu balão.
O passo seguinte foi o primeiro vôo de balão da América do Sul, o que logicamente foi programado para acontecer em Araraquara. A decolagem se deu em um Domingo durante o jogo da Ferroviária contra o São Paulo, com estádio lotado Truffi decolou levando um repórter a bordo. Ao contrário da decolagem, o pouso foi horrível, com os maçaricos sub-dimensionados para o balão eles caíram aproximadamente 500 metros a sotavento do estádio. Depois disso muita coisa mudou na vida de Victorio Truffi, passou a viver em função dos balões até que foi batizado com o “elétrico louco”. Os materiais foram evoluindo e as construções também, até que em 1973 começaram aparecer os primeiros seguidores. A partir daí Truffi não estava mais sozinho, já havia um grupo formado que se reunia em todos os sábados e feriados para os vôos que passaram a ser triviais aos finais de semana. Em 1975 eles fundaram o “Clube Paulista de Balonismo” e o registraram no DAC. Foi o próprio Truffi que formou os 20 primeiros pilotos brasileiros em uma cerimônia informal, regada a muitos banhos de champanhe. Por muitos anos Truffi foi o detentor da maior frota de balões do Brasil, chegando a ter 16 balões. Entre eles um dirigível de 42 metros que nunca chegou a voar. Fez vôos memoráveis por todo o Brasil, chegando inclusive a participar do inesquecível “Balão Mágico”, um programa infantil da Rede Globo. Truffi viu 12 de seus balões arderem em um acidente que destruiu inclusive o PP-ZBT que seria doado ao Museu da Aeronáutica. Desse dia em diante o Comendador Truffi como era chamado esmoreceu, abatido pela tristeza deixou de voar em 1991. Durante seus últimos anos Truffi não escondia sua desilusão e mágoa com os amigos e pilotos que formou. Dizia que todos haviam bebido, comido, rasgado e queimado seus balões e não o reconheciam mais. Infelizmente esta decepção ele levou com ele. Mas em um ponto até seus desafetos terão que concordar, Truffi foi uma grande pessoa, um grande pioneiro e como ele mesmo dizia, foi ele que chutou a bola que agora está rolando por aí.

A Turma do Balão Mágico

Na manhã do dia 25 de outubro de 1970, um domingo ensolarado no interior paulista, um balão azul com 35 metros de diâmetro rasgou o céu de Araraquara. A bordo da pequena cesta de vime, um homem de 57 anos aproveitava cada segundo da aventura.Victorio Truffi subiu a 500 metros de altura e sobrevoou a cidade durante alguns minutos. “Eu me deixei levar pela brisa”, lembra. No chão, os moradores pareciam não acreditar no que estavam vendo. A façanha ofuscou a partida de futebol realizada na mesma tarde entre o São Paulo e o time local, a Ferroviária. Foi o assunto do ano na região e o primeiro vôo de balão realizado na América do Sul. “Ainda bem que não aconteceu nenhum acidente. Eu não quebrei nenhum telhado”, diz Victório. Depois do primeiro vôo, Victorio dedicou-se exclusivamente aos balões. Construiu 16, a maior frota particular do planeta, e acumulou três mil horas de vôo. Transformou o sítio onde mora, em Cotia, na Grande São Paulo, num clube de balonismo. “Eu tinha permissão do Ministério da Aeronáutica para ensinar os primeiros pilotos do País”, conta. Entre seus pupilos da época estava Rubens Kalousdian, o atual pentacampeão brasileiro da modalidade. Além de ensinar pilotagem, Victorio teve participação importante no programa infantil A Turma do Balão Mágico. Era ele quem levava Simony e companhia no passeio de Balão que abria o programa. “Eu tenho esse balão até hoje”, diz. Na época, em 1981, a apresentadora tinha apenas cinco anos. Victorio escolheu Araraquara para seu vôo inaugural, porque cresceu na cidade. Foi lá que aprendeu a gostar de balões. Ele morava com a família em uma casa de cinco cômodos. Seu pai, Henrique, era descendente de italianos e tinha uma pequena fábrica de cerveja. Trabalhava duro para sustentar os 12 filhos e a mulher. Aos sete anos, Victorio só pensava em soltar balões de São João. “Eu queria voar”, lembra. O menino ficava maravilhado com as histórias que ouvia sobre Santos Dumont e outros inventores. Mas como tinha de trabalhar para ajudar a família, o sonho foi ficando cada vez mais distante. Victorio parou de estudar ainda no ensino fundamental, pois precisava trabalhar. Foi entregador de jornais e operário de uma torrefação de café. No início da década de 1930, tentou ser jogador de futebol. Passou por times importantes como o extinto Paulista e a Portuguesa de Desportos. “Naquela época futebol não dava dinheiro”, diz. A família se mudou para São Paulo e Victorio decidiu iniciar um negócio próprio. Começou a vender rádios de porta em porta. Em pouco tempo Victorio economizou o suficiente para alugar uma loja na avenida Ipiranga, no centro da cidade. Com o início da Segunda Guerra Mundial, em 1939, os negócios ganharam impulso. “Todos queriam saber as notícias da guerra e o rádio era a melhor opção”, recorda. No período do pós-guerra, Victorio começou a oferecer assistência técnica. Ele consertava pessoalmente os aparelhos. Foi assim que conheceu o presidente Jânio Quadros. “Ele era falastrão e ficou meu amigo”, recorda. Os dois iam juntos ao bar que ficava ao lado da loja. “Entre um gole e outro ele falava em se candidatar”, relata Victorio. “Dizia que com um pouco de dinheiro seria fácil ganhar a eleição para vereador.” A amizade entre os dois só terminou em 1953, quando Jânio se elegeu prefeito de São Paulo. “Ele ficou muito importante e não tinha tempo para me visitar”, diz. A essa altura a pequena loja de Victorio havia se transformado em uma fábrica de antenas para rádios. “Eu fabriquei o primeiro modelo nacional de antena embutida”, lembra. “Todo mundo queria ter um carro equipado com um rádio e uma antena Truffi”, orgulha-se. A empresa chegou a ter 800 funcionários. Victorio ajudava a família e ainda levava uma vida confortável com viagens constantes ao exterior. “A fábrica de antenas foi o passaporte para o sonho de infância”, diz Victorio.

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