A Morte não é só o começo | Gazeta do Balão
A Morte não é só o começo
Publicado em 08/02/2019 | 744911836 Visualizações

Olá pessoal, hoje vamos contar uma história de 2 balões que, para muitos, são os mais lindos da história. História essa que começou lá em meados dos anos 2000 e terminou com sucesso em 16 de dezembro de 2018.

Se lá naquela manhã de 02 de setembro de 2009 o mundo do balão assistiu perplexo aquela obra de arte explodir sem “motivos”, 3392 dias depois, a redenção não veio só de uma turma, mas de um homem, um baloeiro dedicado, teimoso e meticulosamente perfeccionista que jamais aceitou o que aconteceu naquela manhã no Buraco. Para quem conhece o Euclides, Clidão para os mais amigos como eu, sabia que ali começaria uma nova história, um novo capítulo em busca da perfeição. Em entrevista a GB, ele nos contou tudo que o fez criar esses 2 projetos, como os fez, as dificuldades e os poucos amigos que estiveram ao seu lado e de todos da Progresso para enfim, mostrar a todos que A Morte não é o começo, fazendo uma analogia com a Manchete impressa na bandeira. Antes de mais nada, ele nos contou como nasceu a ideia de criar um balão com esse tema:

Euclides:Em 2000, já tinha um sonho de fazer um pião riscado, só que nunca tive oportunidade. Sou fissurado em tudo ligado ao Egito, já li vários livros e tenho um sonho de conhecer o Egito um dia. Em 2004, surgiu oportunidade de fazer esse balão depois do Modelado de 17m e o Lapidado de 20m.

Modelado de 17 metros solto em 2004

Um dia encontrei o Sola e comentei que queria fazer um pião de 30 metros, ele disse que também tinha vontade de fazer um e combinamos de fazer juntos. Comecei correndo atrás de papel e comprei duas bobinas de Kraft Santista de um amigo. O molde, falei com o Denilson da Zeppelin (Suzano) e ele indicou o Paulinho da Ícaro. Levamos o papel para o Paulinho ele puxou o papel e disse que as bordas estavam um pouco tortas e sugeriu que um pião de 28 metros com 80 gomos daria pra cortar com aquele papel e aceitamos a sugestão.

Lapidado de 20 metros solto em 2004

Nessa época, o Sola não pode fazer o leque por problemas particulares, conheci o Júnior lá na banca do Godoy, ele gostou do projeto e aceitou participar.

Pouco depois, eu e o Bozzo começamos a pesquisar imagens sobre o tema na internet, separamos as que gostamos e levamos para o Júnior montar o leque.

Depois de pronto, ele riscou metade do balão, eu risquei o resto e naquela manhã de 02 de setembro de 2009, aconteceu o que todos já sabem.

Veja o Vídeo

GB: Quais as lições que aprendeu com o Pião de 28 metros de 2009 e buscou não repetir nesse e nos próximos balões?
Euclides: É uma coisa meia complicada. Foi um balão que perdi e não foi um erro meu, mas preferi assumir essa culpa para não passar a ninguém. A verdade é que não conferi os pontos do molde. Por por confiar muito no Paulinho da Ícaro, um cara experiente em cortar balões, eu não conferi os pontos do molde e paguei por isso. Fechei o balão todo, balão de corte perfeito, 3 fios dental do grosso de boca a bico, cintado de 20 em 20 centímetros até o meio e 10 em 10 centímetros do meio para cima, todo no papel.

Naquele dia, fomos soltar o balão e após encher o balão, sai da boca e fui ver de longe o balão e, ao ver a silhueta, tive certeza que iríamos perder o balão. Por mais que confiássemos na nossa confecção, percebi falhas de pontos na curva do birote e sabia que ia acontecer o que aconteceu. Até que ele aguentou mais do que imaginei. Achava que ele iria estourar antes.

Falhas de pontos que podem ter causado a explosão do balão

O que aprendi depois disso é que devemos sempre conferir tudo que você for fazer. Confira, nunca confie, entendeu? Então eu sou o culpado. Sou o culpado, não por dar errado, mas por não conferir os pontos já que o molde não era meu, o que eu pedi era o da Pirâmide, e ele usou outro molde. Não é à toa que explodiram o balão da Origami (30) e o 54 da Anjos da Noite que foram feitos com o mesmo molde. Aliás, nesses anos todos tivemos vários relatos de balões que explodiram feitos com esse molde. É isso que levei como aprendizado. Agora, eu confiro tudo, ponto a ponto, ainda mais quando algo vem terceirizado como o molde e o corte nesse caso.

Balões feitos com o mesmo molde que explodiram

GB: Todos sabemos que após esse balão, decidiram fazer um novo, um pouco maior (33 metros) para subir com a mesma bandeira sem esforço. Muito tempo passou, o balão ficou parado muito tempo e a turma Progresso praticamente acabou.Como foram as dificuldades que enfrentou?
Euclides: Em 2009, antes do 28 já estava programado que, após o balão subir, eu iria dar um tempo de quatro anos. Nesse tempo, o Júnior começou a fazer o leque do novo projeto começando pelo canudo e a bandeira ficou guardada no Dri (RZL). Em 2012 nós montamos uma turma chamada TNT. O primeiro balão que eu fiz nesse retorno foi o Modelado de 25 metros.

Modelado 25m – TNT solto em 2013

Depois de um tempo, tivemos um desentendimento, optei em sair da turma e fui no Dri buscar a bandeira para restaurar. Coloquei na bancada, dividi a bandeira em 10 cones de 4 metros e meio e tive que refazer algumas as placas. No total 36 faixas tiveram que ser refeitas, pois estavam queimadas ou rasgadas.

Terminada a bandeira, decidi começar o balão, escolhi o Drag Car, mesmo molde do Pião de 45m dos Naypes. Tirei os pontos e levei a escala para o Rogério que cortou o balão para mim. Ele cortou o balão com 6 cones de 5 metros e meio, 1,2 cm de bainha e 84 gomos. Aí comecei a fechar o balão.

O balão foi fechado com dois fios do grosso de boca a bico e cintado de 20 em 20 centímetros até o meio e 10 em 10 centímetros do meio até o bico, tudo no papel, assim como no outro. Balão fechado e cintado e nada do Junior entregar o resto do leque. Já pra começar a riscar o balão, fiz um acordo com o Luciano Gordo (Vai Quem Quer) e ele riscou o balão pra mim. Ele riscou os dois primeiros cones do canudo na qual o leque já estava pronto. Depois de todo riscado, comecei a decorar o balão e nada da batata e o resto do leque que não tinha sido feito ainda, aí fui no Junior buscar o leque, ele disse que não dava pra fazer, pequei o que tinha lá e, assim que saí, liguei para o Sola, ele aceitou prontamente terminar. Levei os desenhos que queria e ele, com todo talento que tem, enfim, terminou o leque. Como eu sou super chato, toda sexta eu ia lá ver como estava o leque, mudava uma coisa ou outra e, aos poucos, ficou do jeito que eu queria.

GB: Como você foi parar na Balopira?
Euclides: Um tempo atrás, quando ainda estava decorando o balão, eles já tinham me chamado para a turma, mas não estava com cabeça para participar de uma nova turma, entende? Eu estava tentando me acertar com os caras aqui (Progresso) estava fazendo o 33 sozinho, os caras não tinham tempo, os horários não batiam, quando dava para mim não dava para os caras e quando dava pra eles, não dava para mim, então resolvi aceitar a proposta. Liguei pra eles, disse que aceitava e combinamos em terminar o 58 e depois todo mundo ajudaria no 33. E assim foi! Soltamos o 58 em 2017 e na sequência já começamos a mexer no balão. Quando o pessoal da Progresso soube não gostaram muito, mas sabiam que foi a melhor escolha. Mesmo assim, o Bozzo, que a principio ficou chateado, aceitou e pegou uma parte do teto para decorar e, assim como com ele, nunca deixei ninguém da Progresso de fora. Eles sabiam de tudo e quem pode ajudar, ajudou. O canudo ficou na minha casa, a batata na bancada principal da Balopira e o birote foi feito em outra bancada com outros integrantes da Balopira. Em 8 meses o balão estava pronto, já forrado.

c (52)

c (52)
Picture 73 of 73

GB: Escolher a Balopira foi a melhor opção para acabar o balão?
Euclides: Entrar na Balopira foi a melhor decisão que eu tive. Com essa decisão, não me sobrecarregava mais, não me estressava mais. Antes, eu quem fazia tudo, corria atrás de materiais, de caminhão, de campo, de montar uma antena. Lá as funções são divididas, hoje tenho uma turma onde todo mundo ajuda. A melhor coisa que ganhei de tudo isso é a família que conquistei. Tenho muito orgulho de fazer parte dessa família. E que venha os próximos projetos! Com esse balão fechamos o ciclo da Progresso curiosamente com o cara que ia começar isso tudo comigo (Sola). O mundo deu voltas e quis o destino que toda essa história terminasse do jeito que planejamos lá em 2004. Enfim, colocamos balão pro céu e hoje estou na Balopira, os verdadeiros amigos continuam sendo meus amigos e isso que importa. Hoje tenho uma família, não sou mais o cara da Progresso. Hoje eu sou um integrante da Balopira e isso que vale a pena. Obrigado pela oportunidade de contar a nossa história e agradeço a todos que me ajudaram a realizar esse sonho, a todos que me mandaram mensagens de incentivo depois do 28 e agora depois do 33.

Confira o Vídeo

Galeria de Fotos

p33-126

p33-126
Picture 1 of 124

Gostou? Curta e Compartilha!
  • 189
    Shares

Mande seu Recado:

Copyright © 2006 / 2019 - Gazeta do Balão | Todos os Direitos Reservados - Permitida a reprodução com citação da fonte
error: Não copie, compartilhe!