A Pomba que não queria subir | Gazeta do Balão
A Pomba que não queria subir
Publicado em 05/03/2019 | 837913 Visualizações

Olá amigos! Hoje vamos relembrar a história de uma bandeira, feita para um balão histórico, um balão criado para celebrar o sucesso de uma das maiores turmas do mundo do balão, a Saudade.
Nascida em junho de 1981, a Turma da Saudade teve uma enorme importância no desenvolvimento do balão em São Paulo através de belos balões, muitos deles marcantes e feitos com técnicas inéditas de confecção trazidas do Rio de Janeiro pelos irmãos Décio e Dirceu, além claro, dos festivais que reuniam milhares de pessoas a cada edição.

Entre os feitos memoráveis da Saudade estão os créditos de ter solto o primeiro pião “gigante” com 24 metros de São Paulo em 24 de Julho 1983, um marco na história do balão em São Paulo.

No ano seguinte, mais um feito: o primeiro balão taqueado de São Paulo, técnica trazida da turma do Méier do Rio de Janeiro, criadora deste estilo de decoração. Era um 10×10 com fogos e uma bandeira ilustrando o rosto de Jesus Cristo:

E em 1987, um 8×7, o primeiro balão fogueteiro com Rojões de Vara coloridos de São Paulo, técnica também trazida do Rio de Janeiro através do Jardel, criador do balão fogueteiro noturno onde trouxeram os materiais e eles mesmos criaram os fogos.

Ainda no começo de 1987, decidiram fazer um balão maior, um Pião de 34 metros com fogos e uma bandeira de 38×52 ilustrando uma pomba. Em 26 de julho de 1987 houve uma tentativa de soltura que foi atrapalhada pelo vento lá no seu famoso campo da Vila Piauí, divisa de Osasco com o bairro de Jaguara, zona oeste de São Paulo.

Mas no sábado, 26 de março de 1988, desta uma vez tentaram soltá-lo. Ele subiu, mas sem a bandeira, e ela é o personagem de nossa história.

Como o balão ficou meses guardado após a primeira tentativa de soltura, as buchas que eram feitas de sacos de estopa, parafina e sebo, devido ao tempo guardado, perderam a qualidade e o balão não conseguiu ter fogo suficiente para levar a bandeira. Ficou minutos parado nas guias, chegou a tirar quase toda a bandeira do chão mas não teve jeito. Cortaram a bandeira e antena e ele subiu somente com fogos. Caiu na região de Itapecerica da Serra e os baloeiros colocaram fogo no balão, já “dobrado” depois de muita muvuca e polícia.

Veja o Vídeo:

 

Logo após a subida do balão, num bate papo com os amigos da Alemão e Cia (Vagalume) eles ofereceram a Saudade um 12×12 que tinham pronto, estava guardado e só precisaria unir os cones e soltar.

 

E assim foi. Em 02 de julho de 1988, foram soltar esse 12×12 com a bandeira do Pião de 34m e quando estava nas guias, veio uma brisa violenta, o balão queimou e mais uma vez, a bandeira não subiu.

Veja o Vídeo:

 

Muito amigo de todos da Saudade, o Olivio (Latitude) procurou o Dirceu e ofereceu um Pião de 30m que estava pronto para soltar para que a bandeira fosse solta nele. Eles toparam, ele foi com o Yoshida buscar a bandeira e a antena, levaram para sua bancada na Freguesia do Ó, bairro da zona norte de São Paulo para ser restaurada.

Enfim, ela subiu no Pião de 30m da Latitude em Jordanésia, Cajamar, na manhã de 17 de julho de 1988:

O balão caiu perto de Bauru num canavial, não teve como resgatar nem o balão e nem a bandeira. O único baloeiro que chegou foi o Paulinho Ignorante (Piratas do Céu) que trouxe a boca e alguns pedaços do papel.

Veja o Vídeo:

 

E essa foi a história de 3 balões marcantes que tiveram a missão de levar uma enorme bandeira “que não queria subir”.

Abraços a todos
Dinho

Gostou? Curta e Compartilha!
  • 224
    Shares

Mande seu Recado:

Copyright © 2006 / 2019 - Gazeta do Balão | Todos os Direitos Reservados - Permitida a reprodução com citação da fonte
error: Não copie, compartilhe!