Afinal é Truffi, Truff ou Truffy? | Gazeta do Balão

É Truffi! Esse modelo de balão inspirado nos balões de balonismo e do antigo Careca de Padre, se tornou muito popular pela sua força. Os truffis por terem um grande espaço interno são considerados balões cargueiros, fortes e assim como o Pião Carrapeta e o Modelado são os balões mais populares e escolhidos pelos baloeiros. Mas porquê Truffi? O balão foi batizado em homenagem ao Balonista Victorio Truffi – O o primeiro homem a realizar um vôo de balão de ar quente na América do Sul.

Este grande feito aconteceu no dia 25 de outubro de 1970, em Araraquara, interior de São Paulo. Este sonho começou ainda na infância de Truffi, quando ele ainda costumava fazer balõezinhos de papel com cestinhos improvisados de lata de massa de tomate. Na infância pobre, seus primeiros tripulantes eram os filhotes de ratos encontrados perto do fogão a lenha, os mesmos que normalmente morriam colados uns nos outros dentro das latinhas devido aos pingos de breu das tochas mal feitas. Certa vez resolveu fazer um balão um pouco maior e na dificuldade de arrumar um tripulante a altura, lançou mão do gato siamês da vizinha.

Claro que a vizinha viu e deu a maior confusão. O balão caiu em num túmulo de um cemitério abandonado e havia um buraco nas costas do gato feito pelos pingos do breu. Truffi correu na sapataria de um amigo, arrancou uns pêlos do rabo do gato e os colou nas costas, sobre o ferimento. Como ninguém acreditou na versão apresentada por ele de que o gato tinha se ferido em uma cerca, acabou tomando um bela surra de sua mãe. Nesta época Truffi adorava sentar pelas calçadas e bancos da praça de Araraquara para ouvir as conversas de um cientista local, amigo e correspondente de “Piccard”, o cientista americano que fazia a exploração da estratosfera através de balões. Passada a infância ele foi trabalhar com o objetivo de ser industrial. Começou como jogador de futebol, passando pela Portuguesa, pelo São Paulo e Bonsucesso do Rio, depois fiscal da prefeitura e vendedor de rádios. Acabou montando sua própria loja onde também fabricava rádios e com a chegada da guerra, entrou no negócio de gasogênios. Em 1945, finalmente fundou as antenas Truffi. No início da década de 60 foi Presidente da Federação de Pombos Correio e pertenceu à Patrulha Aérea Brasileira. Durante a ditatura Truffi foi preso e torturado, acusado de ser comunista e se comunicar com os “vermelhos” do Uruguai utilizando-se dos pombos. Em 1970, sua filha voltou dos EUA com um convite de Piccard para que Truffi fosse ao seu ateliê. Ele foi e pela primeira vez viu um balão inflado de perto. Chegou a fazer um vôo a convite de Bob Rechs e adorou, apesar do pouso pouco confortável sobre uma cerca após esbarrar em uma alta tensão.Voltou de lá já com a idéia de construir o primeiro balão brasileiro e logo depois fez um convite a Bob, para que viesse ao Brasil acompanhar a construção. Com o balão pronto Truffi iniciou os primeiros vôos de experiência cativos, enquanto aguardava autorização do CTA – Centro Técnico Aeroespacial, para que pudesse voar livre com seu sonho realizado. A autorização foi trabalhosa e demorada, mas depois de inúmeras idas e vindas e uma restrição absurda para que comunicasse o CTA dos vôos com 72 horas de antecedência, Truffi recebeu o prefixo PP-

ZBT para seu balão.

O passo seguinte foi o primeiro vôo de balão da América do Sul, o que logicamente foi programado para acontecer em Araraquara.

A decolagem se deu em um Domingo durante o jogo da Ferroviária contra o São Paulo, com estádio lotado Truffi decolou levando um repórter a bordo. Ao contrário da decolagem, o pouso foi horrível, com os maçaricos sub-dimensionados para o balão eles caíram aproximadamente 500 metros a sotavento do estádio. Depois disso muita coisa mudou na vida de Victorio Truffi, passou a viver em função dos balões até que foi batizado com o “elétrico louco”. Os materiais foram evoluindo e as construções também, até que em 1973 começaram aparecer os primeiros seguidores. A partir daí Truffi não estava mais sozinho, já havia um grupo formado que se reunia em todos os sábados e feriados para os vôos que passaram a ser triviais aos finais de semana. Em 1975 eles fundaram o “Clube Paulista de Balonismo” e o registraram no DAC. Foi o próprio Truffi que formou os 20 primeiros pilotos brasileiros em uma cerimônia informal, regada a muitos banhos de champanhe. Por muitos anos Truffi foi o detentor da maior frota de balões do Brasil, chegando a ter 16 balões. Entre eles um dirigível de 42 metros que nunca chegou a voar. Fez vôos memoráveis por todo o Brasil, chegando inclusive a participar do inesquecível “Balão Mágico”, um programa infantil da Rede Globo. Truffi viu 12 de seus balões arderem em um acidente que destruiu inclusive o PP-ZBT que seria doado ao Museu da Aeronáutica. Desse dia em diante o Comendador Truffi como era chamado esmoreceu, abatido pela tristeza deixou de voar em 1991. Durante seus últimos anos Truffi não escondia sua desilusão e mágoa com os amigos e pilotos que formou. Dizia que todos haviam bebido, comido, rasgado e queimado seus balões e não o reconheciam mais. Infelizmente esta decepção ele levou com ele. Mas em um ponto até seus desafetos terão que concordar, Truffi foi uma grande pessoa, um grande pioneiro e como ele mesmo dizia, foi ele que chutou a bola que agora está rolando por aí.

Comentários:

  1. Toninho Alvarenga disse:

    Muito boa essa matéria, pois desde a minha infância eu admirava esse esporte, tive a oportunidade uma vez na estrada de Itapecerica de velo passar por cima da estrada, com seu balão com o nome do Brasil escrito no seu balão em verde e amarelo fiquei maluco, era comemoração de algo na cidade de Itapecerica, e falei pra mim mesmo um dia vou andar em um desses, ainda não tive a oportunidade, mas ainda pretendo fazer esse voo e tirar umas fotos nas alturas deve ser demais! Ótima matéria

  2. Mazinho - Turma OTRA ART disse:

    se alguem falar que gosta mais de balão truff do que eu, é mentira…. ja soltei todos os modelos kkkkkkk

  3. turma sigilo RJ disse:

    po show de bola essa epoca deveria se muito legal solta um junino deses aii !

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