Amar é uma coisa … Achar legal é outra | Gazeta do Balão
Amar é uma coisa … Achar legal é outra
Publicado em 09/11/2011 | 265213 Visualizações

Olá amigos, vira e mexe encontramos amigos do passado que hoje estão afastados do mundo do balão e vejo que, em alguns casos não demonstram vontade em ao menos ver uma soltura. É triste pois quem viveu as décadas de 80 e 90 sabe o quanto tínhamos praticantes e turmas em tudo quanto era canto.
O que me deixa intrigado é o porquê que uma pessoa que gostava tanto, vivia balão e hoje sequer quer saber de um mesmo sabendo que os balões de hoje são mais seguros, perfeitos e com os festivais de balões sem fogo, a liberdade voltou. Na minha opinião, em qualquer atividade existe os praticantes que amam e outros que somente acham “legal”.

Vejamos alguns exemplos na história:

Quem não se lembra do Clube Paulistano de Balões, turma da Lapa, zona Oeste de São Paulo liderada pelo Neno. Quem se lembra deles sabe que talento e dinheiro tinha de sobra, haja vista que os principais balões da década de 80 em São Paulo saíram de lá. Pra quem não sabe, o Neno também organizou a Boca de Ouro, chamada na época de Incentivo aos Baloeiros e sua gestão, junto com o Bia da Luar de Vila Sônia durou de 1986 a 1994.
Além do exemplo do Neno, temos o Adib da Equipe Penha, o pessoal da Saudade, Dez de Ouros, o Tatí e assim vai.
É obvio que muitos param por motivos pessoais, medo da lei, enfim, até ai tudo bem, mas o que não consigo entender é como pode abandonar algo que diz que ama tanto? Pode até não fazer por diversos motivos mas não querer ver e tão pouco saber como é, como está o mundo é estranho não acham?
Não estou querendo dizer que as pessoas citadas não gostavam e tal, mas que todos nós temos um ou outro amigo que parecia ser louco por balões que sumiu e hoje nem quer saber.
Por isso que digo que amar é uma coisa, achar legal é outra. Muitos de nós conhecemos pessoas no passado que frequentaram uma bancada porque o balão, soltar balão era legal.
Eu vejo pelo meu exemplo. Meu pai era baloeiro, cresci fazendo caixas, almofadas, lanterninhas porque gostava. Sou do tempo do Floor Post, das lanternas de celofane, reforço de respiro em papel laminado e formato de estrela, bucha de caixa de ovos, de fazer letreiro no chão com vareta e fita crepe.
Meu primeiro resgate tinha 8 anos, foi um caixa de 8 folhas a noite dentro do autódromo. Era tão pequeno que tropecei no balão caído apagadinho no meio do mato. Nunca soltei ele de volta. Enchi no ventilador, corria com a boca na mão pra encher toda hora e é lógico que ele ficou uma carniça, rs
Anos depois meu pai pegou uns volantes de loteria e com uma caneta e régua, me ensinou a fazer um balão caixa. Peguei 16 folhas de seda palha, um tubo de cola e fui pra luta. Durante uns 3 anos só fazia caixa e almofada de 16, 32 folhas.
Quando começou o comércio de balões na década de 90, era fácil encontrar lojas que vendiam de tudo. Foram nelas que comprei meus primeiros cortes, sempre balões de 4 metros. Lá comprávamos tudo. Balão, boca, bucha, lanternas. Cortadinho? Era 50 centavos a dúzia!
Por toda a década de 90 me dediquei aos balões. Não digo que era igual a hoje porque além de ser adolescente, não tinha a comunicação de hoje.
No final da década de 90, comecei a levar a sério um hobby que tinha que era de tocar. Ser DJ na década de 90 era o máximo e devido a dedicação as baladas, o balão foi ficando de lado. Mas sempre que chegava da balada encontrava meu pai com seu binóculo olhando pro céu. Até ficava com ele mas o sono batia e ai já sabe, né?
Essa febre durou até 2004. Mesmo não acompanhando nunca deixei de perguntar, de ver fotos que meu pai trazia do Godoy, do Laercio. Assistia minhas fitas.
Nesse mesmo tempo muitos que soltavam balões comigo pararam. Hoje os encontro, falo de como tudo mudou, dos festivais e tal. E nada!
Veja o exemplo do meu querido amigo Toninho Alvarenga. Parou em 91, voltou há pouco tempo e sempre demostrou que nunca deixou de amar os balões. Parece uma criança vendo os balões de hoje, se encanta com as técnicas, se acaba de tirar fotos, vai em tudo que dá.
Assim como ele tá cheio de gente assim. São pessoas que amam o balão, vivem o balão 24 horas por dia. Tem sangue branco como cola Cascorez. Seus amigos são baloeiros, suas camisetas são de balões, sua vida é o balão!
Por isso que digo: tem gente que ama e tem gente que acha legal!

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