Gazeta do Balão
Baloema – SP
Publicado em 11/02/2021

Segurança e tradição, talvez essas duas palavras resumam a trajetória da Baloema, isso porque, a turma não abre mão de técnicas que vem dando certo ao longo dos anos e capta todas novidades que agregam real valor e segurança ao balão.

Para se ter uma idéia, o em seu ultimo balão, o Truffi de 30m fogueteiro diurno, utilizaram fio dental juntamente com o tradicional rami. Essa mistura segundo eles se deu porque o fio dental não trabalha muito bem com nós, tendo que somente ser “cruzado”, já o rami em contra partida, pode ser amarrado sem qualquer problema, isso fortalece a união dos cones e dá uma segurança extra para eles, principalmente em se tratando de fogueteiros.

Truffi 30m – 2009

Cintamento é outro ponto crucial. Durex para eles nem pensar, balão com fogos só com cinta de papel, isso dentre outras coisas que eles não abrem mão, mesmo que seja um processo mais prático, afinal para eles, ser prático não significa ser seguro.

Outra coisa que nos chama atenção é o fato que apesar de entrarem e saírem pessoas à turma se manteve, alias não só se manteve como parte dela tornou-se família no sentido literal, com o casamento da filha do Pascoal com um dos integrantes.

Uma turma em que pegar no balão não é obrigação é lazer, um ato de se reunir e conversar, comer pizza em família, jogar conversa fora, o ato de fazer o balão talvez seja uma válvula de escape contra o stress do dia a dia.

Nas linhas abaixo vamos conferir como pensa a turma Baloema.

PB: Onde tudo começou?
TB: Começamos a fazer balão era um 4×4 no chão, pegamos o modelo com o Jonas da Turma do Pega e soltamos ele na quadra do BNH, lá no ponto final do Vila Ema, isso no ano de 1977, o balão já era cintado respirado, fechado com rami, mas cinta a gente só colocava oito cintas, quatro em cima e quatro em baixo.

PB: Quem foram os fundadores?
TB: Eu (Pascoal) e meu cunhado.

PB: Quando foi o primeiro contato com balões seguros?
TB: Quando começamos a soltar painéis.

PB: Na época de festas juninas, já estava no plano de vocês montarem uma equipe de balão?
TB: Isso é herança de família, a gente sempre fazia balões em festas juninas.

8×8 – 1989

PB: Quem foram os professores da turma?
TB: Foi o Nelsinho da turma do Ar Quente, que já mandava os modelos no floor post.

PB: Como eram as condições de fazer balões no inicio da turma?
TB: Era eu Pascoal, meu cunhado Waltão, Manuel, Ricardo, eu e meu cunhado. Comprávamos os materiais na Cecília  e mandávamos bala na confecção, fazíamos balão até no balcão do meu desmanche, isso em 1982.

PB: E atualmente?
TB: Agora é bem melhor, no inicio era balão guardado em uma garrafa, gente que dormia em cima do balão, balão que jogava uma parte debaixo da cama e ia fazer outra parte no outro dia, hoje em dia o balão fica na bancada esticado, balão bem feito, antigamente quando você pegava o balão para soltar você pegava ele todo amassado, e quando enchia o balão era a coisa mais linda, hoje em dia a coisa é muito mais fácil, sabe que a gente pra fazer lanterninha a vela era colocada com tachinha, usávamos até copo de café pra fazer lanterninha.

PB: Quando foi que começou o interesse de realizar festivais?
TB: O interesse de fazer festival de balão foi quando já achávamos que tínhamos condições de fazer balões depois de participar do festival da Turma da Lua, e ai começamos a fazer festivais todo ano no Dia das Mães. O pessoal começou a cobrar para fazermos festivais, fizemos festival no crematório da Vila Alpina, Cabuçu com apoio do Paulo da Harmonia e o pessoal da Albatroz e quando entrou a lei foi que resolvemos parar de fazer festivais.

PB: O que levou a turma a fazer festivais?
TB: O fato de aparecer cada vez mais balões. Os melhores foram feitos ao lado do Crematório da Vila Alpina, subiram muitos balões grandes como o Truffi de 20m resgatado da Balofik pela Emenda em 1992, mas a cada ano que passava, já esperávamos coisas maiores e teve também os festivais que o Rojão e o Miltão (candidatos a Vereadores na época) patrocinaram, que apareceram muitos balões riscados, balões de seda e montados.

PB: Vocês teriam uma história emblemática que surgiu nas solturas de balões da turma ou de outras?
TB: Isso já aconteceu, mas foi em resgate, de usar o nome da Baloema sem ser da Baloema. As vezes você dá uma camiseta da turma e os caras usam a camiseta, entram num sorteio como se fosse da turma

PB: Quais as recordações que vocês trazem dos festivais?
TB: Festival era correria, mas era só alegria, e apesar de sermos em poucas pessoas, nós não queríamos dar troféus para os melhores. Para nós, todos eram os melhores. Na verdade, não tinha campeão, era mais uma revoada e havia só os comentários de quem era o melhor, mas campeão mesmo não tinha, porque no nosso ponto de vista, quem fazia o menor se sentia humilhado e da forma que fazíamos, a cada ano que se passava, as turmas novas melhoravam mais. Na hora da entrega, todos eram iguais, a gente distribuía os troféus e fazia uma festa só.

Pião 14m – 1989

PB: O que leva a turma a fazer festival?
TB: O que leva a fazer o festival é a vontade de ver bastante balões de uma só vez. Todo final de semana subia balão dali, um por cada final de semana e fazendo festival, era uma forma de reunir, vários balões em um único dia. Vinha gente de muito longe, vinha até turma de ônibus, traziam balão e fogueteira dentro do ônibus. Era assim, pois naquela época o balão não era proibido, isso facilitava também de fazer festival.

PB: O balão bem confeccionado causa risco na sua soltura?
TB: Balão bem confeccionado e bem feito,  não causa perigo nenhum. Não adianta também um balão bem feito sem  saber soltar.

PB: Na opinião da turma o que falta na questão segurança?
TB: Uma das coisas que vimos é que o pessoal tem acendido a fogueteira no pavio rápido. Estávamos vendo umas fitas antigas e o balões abriam as fogueteiras bem alto e dava o maior show, tem balão que você vai ver e nem quer ficar perto, e aí que acontece as coisas erradas.

Pião 20m – 1990

PB: De tudo que vocês já viram, é confiável ver a soltura de um balão?
TB: Não acho confiável, já vi balão que o rami parecia uma linha 10, quando olhei aquilo falei pra minha filha: “Vamos sair daqui que este balão vai cair a boca”, e foi dito e feito, a boca caiu mesmo.

PB: Dos balões que vocês vêem, quantos por cento é seguro?
TB: Para ficar em baixo mesmo são bem poucos.

PB: O que o balão obtém com as participações em alguns eventos promocionais (feiras e supermercados) já que é proibido?
TB: É proibido, mas todo mundo expõe, as autoridades vem, mas não falam nada.

PB: Qual o diferencial entre a Baloema e as outras turmas?
TB: Achamos que a diferença é a união, somos amigos desde moleques, alguns saíram, foram para outras equipes, mas os que ficaram, são amigos mesmo.

Modelado 18m – 1991 – Um dos primeiros em SP

PB: Tem alguma decepção com os baloeiros?
TB: Hoje em dia conhecemos mais turmas do que antigamente, hoje em dia havia mais união, sempre há alguma briga, tem uns caras que no resgate querem levar o balão de qualquer jeito, mas no geral não há muita briga não.

PB: Como vocês vêem o balão no inicio da turma e hoje na atualidade?
TB: Hoje é outro nível, tem tudo na mão, antigamente tinha que ir atrás de tudo fazia-se tudo na raça, não  tinha nada seguro.

PB: Em qual modalidade do balão que você mais se identificam?
TB: Modelado e Truffi. Se falar de fazer um Golfier sai briga, uma Bagdá …  a gente mete fogo nela (risos), Painel hoje em dia nem dá pra fazer, pela quantidade de pessoas na turma, um pião até pode ser, de preferência fogueteiro.

10×9 – 1990

PB: Vocês ouviram muitas historias de balão ou de resgate no inicio da turma?
TB: No começo era muito legal, a gente pegava muito balão de segunda-feira, chegava de madrugada em casa, íamos muito para Terceira Divisão e Parque do Carmo.

PB: Comente a estratégia de elaboração em um balão fogueteiro diurno ou noturno
TB: Em matéria de fogueteiro noturno ou diurno, pra nós não há diferenças, a gente pede para as fábricas nos ajudarem, porque é assim, quando o balão está pronto o pessoal olha e não sabe o que aconteceu para este balão ficar pronto e no nosso caso, são as fábricas que nos ajudam.

PB: Ultimamente vocês só soltaram balões fogueteiros, cadê os painéis que a turma soltava antigamente?
TB: Painel hoje em dia não  tem espaço, lugar longe, pessoal para ajudar.

Pião 29,60 resgatado da Emenda – 1990

PB: Por que é caro soltar balão hoje em dia?
TB: Por causa da logística, arrumar caminhão, campo e também pelo fato dos lugares de solturas serem muito longe, é gasolina, pedágio… tudo é caro.

PB: Mesmo depois a aprovação do artigo 42, muitas turmas pararam, por que a Baloema continuou com a arte?
TB: As turmas que param é por que o líder parou, quando ele sai, ninguém mais faz e no nosso caso, é um pouco diferente. Se sair um a turma continua, por que na nossa turma, os que estão mandam da mesma forma, não existe um líder, por isso a Baloema não para.

PB: E quais as perspectivas da turma para o balão na atualidade?
TB: A tendência é crescer mais, pela molecada que se vemos hoje, o balão jamais parará, balão não morrerá nunca.As vezes aparece gente na loja doido pra comprar um chinesinho para o filho.

PB: Comente sobre o molde do Truffi de 20 metros em 1990.
TB: Esse balão foi cortado por um cara que fazia balão na Alvarenga e ele falou que tinha um papel para cortar um balãoe nós topamos fazer esse balão. Era um balão judiado em cima, pra se ter uma idéia, na primeira tentativa de soltura ele abriu o bico, na segunda ele subiu e o molde foi tirado de uma lâmpada mesmo.

Truffi 20m – 1990

PB: Fale  sobre a união da Baloema com Guerreiros da Paz em relação ao Pião de 52m.
TB: Um cara de Campinas tinha este balão e ficamos sabendo que eles dariam este balão pra quem fosse realmente fazer e resolvemos buscar o balão. Trouxemos pra cá e vimos que faltava um cone para fechar e decorar. Terminamos o balão, fizemos a bandeira, mandamos fazer a boca, unimos o balão na bancada da Emenda, depois que ele estourou, nós levamos o balão para a Emenda de novo o recuperamos e até entrar dentro do balão entramos para poder cintá-lo. No teto do balão tinha umas fitas iguais as de cintos de segurança e a boca foi colocada com cordinha, lá em Sorocaba, a Guerreiros entrou só com o nome, na verdade aquele balão foi um balão cobaia.

PB: Qual a visão sobre o “mundo” do balão no Brasil, já que algum país ainda não tem a repressão?
TB: Lá fora não sabemos o tanto de balão que tem igual aqui no Brasil, mas se lá fosse igual aqui, saberíamos de muita coisa também que ia acontecer, resgate, etc… E aqui ainda não acontece tanto pelo fato dos balões subirem e caírem muito mais no mato, e nem tanto na área residencial, senão a coisa seria bem mais feia.

PB: Qual a importância do computador para o balão?
TB: Ajuda, a procurar um modelo diferente, se não fosse pelo computador, ninguém iria ver os balões que sobem hoje em dia, bandeiras de rostos perfeitos e as decorações dos balões também.

PB: A turma vê site e balão? É bom ou mau para o balão?
TB: Pros balões é bom, pra quem solta, pra quem gosta é bom, mas também tem muita gente que não é do balão, fica vendo o site pra saber de onde vai subir  balão, o que acontece o que não acontece, mas pros baloeiros é ótimo, ver os balões que não se viu ao vivo.

PB: Que tipo de internauta são? Vêem sempre, nunca vêem, vêem só as fotos?
TB: Vemos 4 sites por dia, mas no geral vemos mais as fotos, o Pascoal não sabe nem ligar o computador, só vê quando a filha liga ou alguém da turma liga pra ver os sites.

Pião 52m – 1993

PB: A turma se interessa pelas novas tecnologias de confeccionar balão?
TB: Hoje em dia é difícil ver um balão enforcado na união, por exemplo. A fita ajudava a enforcar o balão ecom o tipo de união de hoje nem se vê as uniões, então as tecnologias ajudam muito e algumas coisas a gente manteém como antigamente. Por exemplo, as nossas bocas são colocadas na cordinha. Mantemos as coisas que deram sempre certo  e agregamos as coisas novas que são boas. Outro exemplo é uma coisa nova que não usamos o durex no cintamento, preferimos a cinta mesmo, o durex resseca o cintamento e já era.

PB: As regras da Boca de Ouro, o que a turma mudaria? O que manteriam, caso dependesse da Baloema?
TB: Mudaríamos a panelinha.

PB: No passado e na atualidade quem foram os seus alunos em matéria de balão?
TB: Tim Maia, Recanto do Céu, Gargamel, Saruga,  Tutubalão de São Matheus, entre outros.

PB: De tudo que vocês viram de balão até hoje, quem vocês acham que se destaca em matéria de turma?
TB: O Paulada (Estrellar). Hoje em dia pra se elogiar uma turma é difícil, tem muita turma de um balão só.

PB: O que deixa a turma fascinada?
TB: Uma boa soltura, um bom balão, uma fogueteira boa, uma boa bandeira, um bom painel, isso deixa a turma muito animada.

PB: Qual foi a maior decepção da Baloema?
TB: O Pião 52 foi uma, todo mundo empenhado em soltar o balão, maior sufoco pra ir e o balão estourar.

PB: Balão de seda com bandeirão ou buchão. Que recado à turma daria para esse pessoal?
TB: Balão de seda não merece bucha grande, soltamos um balão de seda com 4 rolos de papel higiênico,  bandeira de 18×24, subiu em Mairiporã, caiu em Ferraz. Um balão de seda não precisa de muita bucha pra tirar uma bandeira.

Pião 14m – 1993

PB: Os últimos dois projetos saíram de forma correta,lógico que cada balão tem o seu momento, não dando para manter o pé no fundo o tempo todo, o que vem para o futuro?
TB: Esse ano vamos dar um tempo, mas como projetos temos pião 18 de seda e um pião de 16 com bandeira do Pascoal, e se tudo der certo, para o ano que vem um truffi nortuno.

PB: Na opinião da turma, por que grandes turmas insistem em dar mal exemplo, seria vaidade acima do balão?
TB: As turmas grandes estão dando mal exemplo porque os caras querem aparecer mais do que o balão.

PB: Existe algum projeto que não foi executado e porquê?
TB: O Trem das Onze, um projeto era para um 10×9 e tínhamos 9×8 na mão.  Foi feito e solto pela Albatroz.

Modelado 18m – Albatroz – 2006

PB: Balão grande, por quê tanto stress na hora da soltura?
TB: É a maior adrenalina, nem se dorme nos dias antes da soltura. A preocupação se vai dar tudo certo depois de ficar tanto tempo na bancada,  pensamos em tudo, brisa, tempo bom, etc.

PB: O que o balão proporcionou na vida dos membros da turma?
TB: Amizades, união forte, formou-se uma família e hoje nem briga tem na turma, não há obrigação de pegar no balão, até esposas foram conhecidas através do balão.

PB: Como os membros da turma dividem o tempo profissional, familiar e pessoal?
TB: Aqui é o seguinte: eu (Pascoal) estou todo dia aqui e dividimos o trampo conforme dá pra cada um, não há afobação de soltar o balão, a turma toda mora por aqui, então não há problemas quanto a isso.

PB: Além do balão, os membros da turma têm outro hobby?
TB: Em geral pescaria, e alguns vídeo game.

PB: O que é bom para o balão?
TB: Ter limites, não ser tão vaidosa como estão sendo algumas turmas que querem fazer um balão maior que o outro e fazer isso até acontecer uma coisa muito ruim, que tal se fizesse um balão até 30 metros?

PB: Considerações finais e agradecimentos.

TB: A turma é unida, a  gente não faz balão para competir, balão é só para soltar mesmo, não esconder o balão. Balão é para amigos verem, se esconder só das autoridades, na soltura de nossos balões ,vai quem quiser e puder ir, o maior troféu é ver o balão no alto. Depois, chegar em casa e receber um elogio da família. O baloeiro em si é descriminado e em geral não é assim, existem turmas de má índole existem, mas no geral não é assim.

Gostaria de agradecer a todas as turmas e amigos que sempre nos ajudaram como o Popô, Roberto da Sonho e Liberdade, Wilson, Magrelo, Bavilões …  tem muita gente que nos ajudou.

 

Em parceria firmada com a GB no fim de 2018, algumas matérias, artigos e entrevistas do extinto Planeta Balão, serão re-publicadas na GB.

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