Bom pessoal, é isso mesmo que está escrito no título, ou seja, um balão que foi solto em 1944, portanto 68 anos atrás e ainda existe. Acredito que este seja o balão mais velho que ainda permanece em nosso meio.

O dono do balão é o Tito de Santo André que tem 78 anos e pode ser chamado, sem exageros, de “pai de todos os baloeiros do ABC”.


A história que envolve este balão é muito interessante, além de ser muito emocionante também.
Em 1944, na época com 10 anos de idade, ele morava no centro de Santo André, próximo a Estação de Trem. Junto com seus irmãos e outros meninos da vizinhança, aguardavam com
ansiedade pela chegada do mês de junho, pois era o mês das festas juninas e dos balões. Foi justamente naquele mês de junho que avistou um balão vindo de São Caetano, acompanhando a linha do trem. Esse balão caiu dentro da antiga Fundição Ligervu, perto da estação Ferroviária. Tito pulou para dentro da Fundição e subiu em um monte de borras de carvão coque, pois este era o local onde o balão estava caindo. Ele pegou na boca do balão e, alguns segundos depois, recebeu um empurrão de outro menino chamado Ênio.
Com a força do empurrão, o Tito caiu do monte de borra de carvão coque, mas não soltou a boca do balão que foi arrancada do papel.
Resultado : A boca do balão ficou na mão do Tito e o papel ficou com o Ênio.
Os dois meninos brigaram, e o Tito disse que deu uns cascudos no outro moleque – Eu acho que foi o Tito quem tomou uns cascudos do outro moleque, isso sim, rsrsrsrs).
E assim o balão ficou com o Ênio.
Nos meses / anos seguintes, os dois amigos correram atrás e soltaram muitos outros balões. Com o passar do tempo, o Ênio casou e mudou de endereço, e o Tito acabou
perdendo contato com seu amigo de infância. Anos depois, o Tito também casou, mudou de endereço, e a história envolvendo aquele balão foi se perdendo no tempo.
Em meados de 1988, mais de 40 anos depois do ocorrido, o Tito recebeu um telefonema . Era o Ênio, seu amigo de infância, que havia encontrado o sobrenome do Tito
na Lista Telefônica. Ênio, então morando em um apartamento, convidou o Tito para que o mesmo fosse à sua casa. Ambos conversaram sobre os velhos tempos, sobre as brincadeiras de infância, e na hora em que estavam se despedindo, o Ênio disse ao Tito: “ Eu te chamei aqui, porque eu quero lhe dar um presente”.
Deu um embrulho ao Tito e disse: “ Não quero que você abra esse pacote agora, abra somente quando você estiver em sua casa”. O Tito não entendeu muito bem o motivo daquele pedido, mas também não se importou. Ambos conversaram mais um pouco e o Tito foi embora, levando o presente. Ao chegar em casa, o Tito foi abrir o pacote e qual não foi a sua surpresa ao
ver que ali estava o balão de sua infância !


Era aquele mesmo balão que havia caído no monte de borras de carvão da extinta Fundição Ligervu, e que tinha sido o motivo da briga dos dois amigos.  Tito foi às lágrimas, ficou emocionado por ter de volta em suas mãos, um objeto que fez parte de sua infância. Alguns anos depois, recebeu a notícia de que o Ênio havia falecido.
O Tito tem esse balão guardado até hoje !
Trata-se de um balão “charuto” de 12 folhas, feito com goma arábica. Em cada um dos quatro lados do balão, está desenhada a carta nº 7 representada pelos quatro naipes do baralho.

Certamente, esse deve ser o balão mais velho que ainda existe. Subiu em 1944, há 68 anos atrás.

No ano passado, o Tito refez o cone do balão, que havia sido rasgado em 1944 e colou outra boca. Diz ele, que vai soltar esse balão de novo, passados quase 70 anos depois da
primeira soltura.
O Tito também tem outro balão antigo guardado. Esse balão foi pego pelo Tito em 1957, há 55 anos atrás na extinta Serraria Sortino, também próximo à Estação Ferroviária de Santo André.


É também um balão “charuto” de 12 folhas, colorido. Embora o balão seja quadrado com quatro gomos, tem a boca redonda, coisa muito comum naquela época.

Enfim, esse é o Tito, o “pai de todos os baloeiros do ABC”.

Colaborou com esta matéria o amigo Pedro Chips.

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