Bucha de Estágio: Será que funciona mesmo? | Gazeta do Balão
Bucha de Estágio: Será que funciona mesmo?
Publicado em 23/04/2014 | 10881299 Visualizações

Bucha, Mecha, Tocha não importa o nome dado. Mesmo já provado que não precisamos dela para soltar um balão, ela é considerada desde os primórdios o coração de um balão. Em muitos casos, no fim de sua queima aparece uma nova fase de todo o processo de um balão que é o seu resgate.

pererecaNos anos 70, os baloeiros cariocas sedentos de curiosidades e descobertas a cada balão queriam mais e mais e um dos fatores que buscavam era fazem com que os balões ficassem mais tempo no alto, viajar mais e romper barreiras.

Criada pelo baloeiro Ivo Gonçalves, falecido em 95 era mais conhecido como Ivo Perereca por causa de um fusca branco que chamava de Perereca ou Ivo TV, pois ele tinha uma assistência técnica de televisores. Conhecido até hoje pelos seus dois apelidos, Ivo teve a ideia de criar a bucha de estágio no dia que acompanhou a queda de um balão. Ele notou que as buchas de algodão e sebo duravam muito mais após serem retiradas do balão em seu resgate. Com isso, desenvolveu uma técnica onde além da bucha principal, colocava buchas menores abaixo presas num pavio que, após um tempo, escorregavam por varetas e caiam sobre uma outra que chamamos de piloto. Com isso, o balão teria mais fogo e energia sendo liberada e, teoricamente, o balão ficaria mais tempo nos céus.

Os primeiros balões de grande porte a subirem com buchas de estágio no Rio de Janeiro foram o Pião de 24m da Turma do Cachambi em 1978, o primeiro pião de 24 metros da história e o Pião de 32m também da Turma do Cachambi, o famoso pião da bandeira que foi solto em março de 1979.1 (337)

Realmente esses balões desapareceram. Nunca se houve uma notícia sequer de onde eles tenham caído. Com isso, a bucha de estagio ou programada como é conhecida em algumas regiões virou uma febre durante toda a decada de 80 no Rio de Janeiro, São Paulo e Paraná.

Praticamente todos os balões gigantes soltos nessa década foram com buchas de estágio e praticamente todos conseguiram o êxito de desaparecer. Foram perseguidos por centenas de quilômetros e perdidos de vista por todos que os perseguiam ao cair da noite.

Com o passar dos tempos e com a evolução dos balões alguns fatores curiosos põe em xeque a real vantagem da bucha de estágio nos balões. O primeiro exemplo foi a Bagdá de 48m da Balança solta em 1989 em parceria com o querido Gordo de Realengo que hoje é conhecido como Gordo da Engenhart e Voo Livre.

A imensa bagdá, ao contrário dos gigantes até então, não foi solta com buchas de estágio. Era apenas uma bucha simples presa numa mesinha perto daquela imensa boca de 5,40 metros de diâmetro:

balanca

Pois é! Tudo aquilo de balão e ele desapareceu da mesma forma. E olha que tem dezenas de exemplos até hoje de balões que subiram com buchas simples e desapareceram literalmente. Será que realmente com uma bucha de estágio seria diferente? Pegamos 3 exemplos de balões que subiram com buchas de estágio que não obtiveram o sucesso esperado e caíram rápido:

bucha1

O primeiro balão, o pião de 34 metros da extinta turma da Saudade (ZO) solto em março de 88 caiu em Embu ficando nem 3 horas no alto. Ah! Quem conhece essa história vai dizer que o balão ficou pouco tempo no alto porque gastou muita bucha nos mais de 30 minutos que demorou nas guias pra sair e só saiu depois que o pavio das gaiolas acendeu. Beleza! Pode até ser. Já no segundo o inesquecível pião da Peruana da Emenda solto em novembro de 89 também deu uma chorada, tiveram que cortar a gaiola e ele subiu sendo resgatado pela Baloema em Suzano as 16:00. Opa este ficou mais tempo no alto. Será que, devido a chorada por causa da gaiola ele não andou tanto? E o que me diz do lendário Pião de 35m da Alvarenga que não tinha gaiola como os exemplos que dei, subiu de primeira lá de Itapevi as 7 da manhã e caiu em Santana, bairro da Zona Norte de São Paulo na hora do almoço?

Pois é amigo! E tem mais curiosidades. Vejamos o Pião do Gabriel que soltou em maio de 1990 junto com a Cometa. Mais um gigante que tinha bucha simples e tem nego até hoje correndo atrás. O Pião de 60, que na real tinha 56 de Ivo Patrocínio que foi solto pela Turma da Bola também tinha uma buchinha e sumiu. E por fim o Rei dos Reis o 70 do Lelo que ganhou misteriosos 2 metros ao ser finalizado e solto com a Sandú Mosaico há 8 anos atrás também tinha uma bucha única e até na África já contaram que o viram.

bucha2

Pra finalizar mais um exemplo curioso. Temos o pião de 45m da Sonho e Liberdade de SP solto em julho do ano passado em Minas Gerais. Independente de o sistema de caída das buchas de estágio ter falhado, no vídeo de seu resgate é visível que a bucha principal queimou completamente e algumas buchas de estágio desceram porém a piloto estava apagada. Será falha ou a baixa oxigenação fez com que o fogo acabasse? Para quem matou aula de física, quanto mais longe da terra, o oxigênio é menor ou seja, se o balão pegar uma altura muito grande, não haverá oxigênio e a bucha apaga mesmo.

15013

Na foto, retirada do vídeo do resgate dá pra ver claramente que a bucha principal queimou completamente e 2 buchas de estágio caíram sob a piloto porém ela está apagada:

bucha3

Agora é com vocês! Em sua opinião bucha de estágio funciona ou não? Participe dando sua opinião no formulário abaixo:

Abraços a todos

Gostou? Curta e Compartilha!
  • 164
    Shares

Mande seu Recado:

Copyright © 2006 / 2020 - Gazeta do Balão | Todos os Direitos Reservados - Permitida a reprodução com citação da fonte
error: Não copie, compartilhe!