Edição 20 - Chugabum | Gazeta do Balão
Edição 20 – Chugabum
Publicado em 14/01/2019 | 352320 Visualizações

Entrevista publicada na edição 20 de maio de 1992

Continuando nosso giro pela Grande São Paulo, chegamos em uma região que vem surgindo com destaque, pois no ano passado conquistaram dois troféus do Incentivo aos Baloeiros: a Armação de Prata com o Grupo Arte Real e a Armação de Ouro com a Turma da Listagem. Apresentamos aos nossos leitores um dos mais antigos grupos de baloeiros desta área: EQUIPE CHUGABUM de Guarulhos- SP

PARTICIPARAM DA ENTREVISTA: Pela Chugabum: Wagner, João Nunes, Carlos, Roberto, Sérgio, Marcelo (Boy), Alexandre, Kleber, Alemão Binho, Paulinho, Perobo, Tico, Zé Fino, Catuxa, Carlos, Nelson, Rodnei, Ivan (Gargamel), Tião, Português, Wilson (Cabecinha), Gilzepe e Papel de Bala. Pela GAZETA DO BALÃO: Elenice com o apoio de Andréia e Edi.

GB: Vamos iniciar fugindo um pouco da forma tradicional, conhecendo em primeiro lugar a história dos balões na região. Conversamos com a equipe se preparando para soltar um 5×5 letreiro perguntando ao Wagner, um dos fundadores do grupo, quando ele viu os primeiros balões…

EC: Foi na Copa do Mundo de 1958, quando jamais imaginei que aquela luzinha no céu pudesse ser um balão. Só aí pude ter certeza que balão realmente existia, porque as meninas do bairro onde eu morava, uma noite contaram centenas e centenas de balões no céu e resgatei um caixa de 16 folhas.

GB: É, foi uma época muito gostosa, não havia sofisticação nem competitividade, mas em 1980 começou a era moderna dos balões. Qual o primeiro que você viu, ou que você teve conhecimento solto na região?

EC: Foi o balão do Cristo da Turma da Lembrança, que na soltura desse balão me emocionei muito em ver um espetáculo que jamais será esquecido. Nunca imaginei que um balão daquele tamanho pudesse subir. Foi lindo e maravilhoso.

Nota da GB: Este balão foi solto pela Turma da Lembrança que hoje é a equipe de Produção da GB em 17 de Junho de 1983. Era um 8×7 de Floor Post decorado e bojado com uma armação do Cristo no Corcovado.

GB: Agora as primeiras turmas que se formaram?

EC: Sem dúvida quem começou tudo foram vocês da Turma da Lembrança. Depois vieram a Turma do Lago, a Sonhos de Papel, Brutus, o Eskina, Raça (que parou) e nós da Chugabum.

GB: Os primeiros festivais…

EC: 0 primeiro festival realizado em Guarulhos também foi de vocês da Lembrança. Eu me lembro que você Elenice, apesar de jovem já participava ativamente (é, nessa época, eu era menininha, mas já fazia de tudo). O trabalho de vocês é uma coisa muito bonita, sadia e de pessoas competentes. Vocês merecem muito mais que os parabéns.

GB: Muito bem, conhecemos o início, agora quais as turmas em evidência hoje na região?

EC: Sem dúvida a Arte Proibida, Frajola, Ilusão Colorida, Jurema, Listagem e Arte Real.

GB: Conhecemos acima um pouco da história de Guarulhos. Agora sim vamos conhecer a história da Equipe Chugabum, com a pergunta tradicional, as origens?

EC: Tudo começou em uma discussão entre eu (Wagner), o Carlos e o Tião. Eles estavam atrás do mesmo balão que eu. Cheguei primeiro na boca, mas quando chegaram já tiraram o balão de mim e disseram que eu não iria ficar com o balão porque morava em outro bairro e o balão caiu perto da casa deles. Depois de muitos papos, começamos a nos reunir com outros meninos para ir atrás de balão. Eu ia com um fuscão 1961 e eles iam com uma Variant que não tinha nem ano e estava caindo aos pedaços, mas sempre chegávamos embaixo dos balões. Passou um tempo e foi no dia 15 de Agosto de 1984 resolvemos formar uma equipe com o nome Chugabum por causa dos carros que tínhamos. Nossas cores são preto, branco e amarelo. Hoje temos 20 componentes.

GB: E o primeiro balão, dá para recordar?

EC: Foi um 4×4 bojado em agosto de 1984

GB: E quais foram os principais balões que vocês soltaram?

EC:  5×5 fogueteiro em 1985, Pião de 10m com bandeira, fogueteira e asas deltas em novembro de 1986, 6×6 com armação em 10 de setembro de 1990, e um Pião de 14m em 5 de janeiro de 1991 com fogueteira e asas-deltas, alé de vários 3×3 e 4×4.

GB: Algum barão tem destaque na história de vocês?

EC: Sem dúvida, foi o Pião de 10m com bandeira em 1986. Esse balão marcou muito pelo trabalho e capricho que tivemos. Ficamos muito tempo em bibliotecas pesquisando o tema “Chugabum”, a história do Calhambeque etc. Na soltura foi só emoção.

GB: Um caso pitoresco?

EC: Foi no resgate de um fogueteiro em Biritiba Mirim. Nesse dia o céu não cabia de tanto balão. Resolvemos seguir um que não dava para se ter ideia do tamanho pela quantidade de fogueteiras que tinha. Fomos seguindo o balão por horas. Chegamos embaixo e quando vimos, ficamos um olhando para a cara do outro. Era um 4×4 com fogueteiras falsas e havia um bilhete que dizia: “Enganamos o trouxa. Saudações do Peninha”.

GB: Resgate?

EC: Resgatamos centenas de balões. É só você dar uma olhada nesta pasta e ver a relação de resgates desde quando começou a turma até hoje e veja também na bancada a quantidade de balões resgatados. (eles tem um caderno com todas as anotações de resgates com datas, balões, etc), Como era o resgate antes? Antigamente eram pessoas mais conscientes. Hoje, apesar de ser um mal necessário, existe muita falta de respeito entre os grupos de resgate. Na hora do resgate, dá para se conscientizar do que vocês estão fazendo? Não dá tempo para pensar em nada?  Vocês, já tomaram balão de alguém ou já tomaram balão de vocês? Não andamos armados e nem tornamos balão de ninguém, o que dizem não é verdade, mas muitas turmas já tomaram balão nosso.

GB: Gigantismo?

EC: Eu (Wagner), respeito muito um grande amigo e baloeiro o Bara… Um dia ele me disse que balão até 5×5 é o suficiente, e eu concordo com ele. Eu (Boy) já gosto de balão grande. O balão tem que evoluir com a capacidade de cada um.

GB: Festival… Ontem e Hoje?

EC: Ontem era mais festa. Problemas sempre acontecem com qualquer um em qualquer lugar. Pode acontecer de termos problemas, mas não custa nada as pessoas pararem e se conscientizarem um pouco do que estão fazendo e o que podem fazer para melhorar.

GB: Incentivo aos Baloeiros, qual a sua opinião?

EB: É sempre bom ter algo para incentivar os balões.

GB: Qual sua opinião sobre o Projeto Art 90?

EC: Tenho certeza que vocês vão conseguir ótimos resultados pela maneira correta como foi montado o regulamento. Desde já estou lhe parabenizando por este evento e podem contar conosco. Vamos participar com toda certeza.

GB: Como estão as atividades do grupo hoje e quais os planos para o futuro?

EC: Daqui a uma hora e meia vamos soltar um 5x1x5 resgatado com letreiro “Roberto”. Temos este 10×10 que você está vendo aqui na bancada que será fogueteiro diurno para daqui uns 2 meses. Este Golfier de 12m que vamos soltar no Projeto Art 90, 5×5 com armação, 9×8 com letreiro da turma de + ou e uns 120 metros, 7×7 e para o futuro, bem futuro mesmo, um Pião de 38 metros.

GB: Espaço Livre…

EC: Aos companheiros de resgate: Nós só seremos respeitados no momento em que nos respeitarmos, pois o direito de um baloeiro acaba onde começa o do outro. Desejamos a Equipe Resgate 8 muita sorte e sucesso e que continuem bons amigos.

GB: Mensagem Final…

EC: Agradecemos a oportunidade de participar mais diretamente da GB e a todos os amigos baloeiros que realmente sabem respeitar o balão para que continue sendo uma arte sadia. Aproveitamos para agradecer à todas as turmas que participaram do nosso 1º Festival.

CRUGABUM: 8 ANOS DE RESGATE

A Gazeta do Balão agradece a cooperação da E. Chugabum, o que nos motiva ainda mais em prosseguir nosso trabalho.

Esta entrevista foi feita no dia 12 de abril de 1992 na sede da equipe

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