Da Livre ao Renatão, 30 anos de tensão! | Gazeta do Balão
Da Livre ao Renatão, 30 anos de tensão!
Publicado em 23/01/2019 | 106139 Visualizações

A Torre Eiffel é uma torre de ferro localizada em Paris, capital da França. É o monumento pago mais visitado do mundo, com milhões de pessoas frequentando-o anualmente. Nomeada em homenagem ao seu projetista, o engenheiro Gustave Eiffel, possui 324 metros de altura e foi a estrutura mais alta do mundo até 1930, quando perdeu o posto para o Chrysler Building, em Nova Iorque.

Pouco mais de 50 anos depois, o mundo do balão começou a entrar na era moderna em São Paulo com a criação das primeiras turmas de baloeiros na região do Ipiranga, zona centro-sul de São Paulo.

Enquanto isso, lá no fundão da zona sul, os baloeiros também começaram a se modernizar, saindo dos tradicionais Marias-Pretas para os balões modernos e as primeiras turmas como Mé e Livre, ambas do Jd. São Luiz, região de Santo Amaro, começaram a aparecer nos primeiros festivais de balões, afinal, na época, não tinha lugar melhor para aparecer, conhecer pessoas, aprender técnicas e claro, soltar seus balões.

A turma Livre, que tinha como integrantes o Henrique, Zé Carlos, Nivaldo e João Paulo, logo se destacou com seus balões soltos na região e nos festivais da Turma da Lua (SBC), um dos primeiros festivais de balões diurnos de São Paulo.

Organizados pelo saudoso Odair Bueno, o Odair da Turma da Lua de São Bernardo do Campo, os Festivais da Turma da Lua reuniam milhares de pessoas nos locais em que eram realizados. Dezenas de balões eram lançados, na maioria mixiricas e piões carrapeta com fogos e bandeira.

Em 1985, foi realizado mais um festival, pelo segundo ano consecutivo, organizado pelo Clube Nacional de São Bernardo do Campo em parceria com a Turma da Lua e entre as tradicionais categorias, havia a de balões de recorte. E foi nesse festival que o personagem de nossa história apareceu.

Sempre atuante nos eventos, a Turma Livre apresentou um balão de recorte de 8 metros que retratava a Torre Eiffel. O balão, feito em Papel Union Skin branco, um dos papeis mais utilizados nos anos de 1980, era todo riscado e filetado em papel de seda preto para simular a Torre Eiffel em suas 4 faces. Subiu levando Flâmulas representando a bandeira Francesa e uma lata de cerveja com água como lastro para dar-lhe equilíbrio.

O balão subiu sob aplausos de todos os presentes e caiu, pouco tempo depois, em cima de uma árvore na Avenida Itamarati, também em Santo André e foi resgatado pelo Renatão da Simpatia do Coringa, hoje Simpatia.

Pra quem conhecia o Renatão, ele era apaixonado por resgates e tinha esse hábito de guardar seus balões prediletos num baú. E não deixava que ninguém mexesse e sequer retirasse os balões de lá. Entre os balões que ele guardava no baú estavam a Torre, um Pião da Turma da Lua que contamos a história anos atrás (clique aqui), e um pião de uns 10m sem identificação que ele chamava de “Pretinha”.

Pouco antes de falecer em 2006, Renatão pediu para o Anderson da sua turma guardar esses balões em sua casa. Com a parada do Anderson no ano seguinte, os balões do baú foram para a casa do Caio, também da Simpatia que os guardou até 2013.

Durante a festa de 30 anos da Simpatia em 2013, a Torre ficou lá exposta no salão, eu fui a convite do Caio e foi nessa festa que nasceu a ideia de fazermos os Festivais Retrô (Réplicas) da GB.

Enquanto o Caio me mostrava a Torre, perguntei a ele o porquê que não a soltava e ele disse que até queria, mas teria que ser num momento especial.

Passado uns dias, tive a ideia de fazer um Festival de Réplicas, algo inédito no mundo do balão e liguei para o Caio dizendo: “Você não queria um momento especial para soltar a Torre? Então vamos fazer um festival de réplicas e vocês a soltam como destaque”.

Ele até gostou da ideia, mas entre o convite e a decisão só veio mesmo depois de quase 2 anos. E assim foi! Em maio de 2015, realizamos nosso primeiro festival de Réplicas:

Entre tantos balões, lá estava ela, 20 anos depois, novamente cheia:

Enquanto o balão estava cheio, o rapaz que maçaricava ela exagerou um pouco no maçarico e o papel, bem desgastado pelo tempo ficou frágil e acabou “torrando” o que fez com que abrissem rasgos no bico do balão. Ele murchou, quando a bucha estava acessa e o balão começou a pegar fogo:

Por muita sorte, conseguiram apagar o fogo e não perderam o balão.

Poucos meses depois, com a ajuda do amigo Chips (Beira Rio) o mesmo que recuperou o Pião da Turma da Lua, o outro balão do baú do Renatão, ela foi reconstruída totalmente e ficou para ser solta em nosso 2º Festival de Réplicas em 2016:

E lá estava ela novamente de pé. Desta vez ela subiu:

Mas andou 20 metros e caiu no campo:

Desta vez, o motivo com que ela não tenha ido embora era a boca que estava um pouco pesada. Ela voltou para o Chips que fez uma nova boca com pau flecha, bem mais leve e colocou respiros no balão.

2 anos depois, numa revoada de amigos da Turma Simpatia, em 15 de Julho de 2018, dia da final da Copa do Mundo da Russia, depois de 33 anos de uma história jamais vista no mundo do balão, a Torre Eiffel da Turma Livre solta no Festival do Nacional / Turma da Lua de 1985 subiu de vez:

Alguns baloeiros foram atrás, ela seguiu sentido Serra do Mar e até hoje, não se tem notícias de onde ela tenha caído.

Assim foi a história de um balão histórico, uma lenda do mundo do balão que, provavelmente, de acordo com nossos registros, foi o balão que ficou mais tempo guardado em todos os tempos a subir novamente.

Abraços a todos

Dinho

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