Dos bordados aos plotados, a evolução das decorações em balões - Gazeta do BalãoGazeta do Balão
Dos bordados aos plotados, a evolução das decorações em balões
Publicado em 06/01/2019

Para muitos, balão é balão! Seja de uma única cor, seja todo colorido através de taquinhos, de formas geométricas e desenhos cada vez mais realistas, é fato que um balão decorado deixa mais bonito e mostra a evolução de nossa arte.

Lá nos primórdios do balão, era muito comum balões, em sua maioria marias pretas serem feitos em cores primárias e cores da bandeira brasileira, afinal os papéis de seda fabricados até então, não tinham tantas opções de cores como temos hoje. Além do mais, a prática de soltar balões, até o começo dos anos 1980 era limitada sempre nos meses de junho e julho devido as festas juninas e, a cada 4 anos, com as Copas do Mundo.

No começo dos anos 1960, em Niterói no Rio de Janeiro, um baloeiro chamado Ecidemar Botelho ficou conhecido por mudar isso. Seus balões traziam desenhos feitos à mão com tinta e recortes de papéis coloridos que retratavam mensagens, personalidades, times de futebol e assuntos corriqueiros na época e, rapidamente, fez com que fossem admirados por muita gente.

Começaram a chamar esses balões decorados de bordados e, essa técnica, rapidamente se expandiu entre os baloeiros cariocas. Baloeiros como Ecidemar, que também foi o criador dos balões conjugados, teve uma enorme importância no desenvolvimento dos balões. Juntamente com outro grande baloeiro da época, o João Ely, também de Niterói, seus balões paravam o Rio de Janeiro.

Carecas de Padre bordados de Ecidemar e João Ely nos anos 60

Já nos anos de 1970, um outro baloeiro chamado Bolostra, pedreiro de profissão, ficou conhecido por fazer balões de forma diferente onde vazava os gomos com uma talhadeira. Com isso, conseguia efeitos diferentes na decoração de seus balões, afinal, balões bordados eram feitos com papéis colados sobre os gomos.

Além de Bolostra, grandes baloeiros como Tharsis de Oliveira, seu irmão Ciro, Alindo, Dr. Molinaro, Aidram e Nelson Costa, todos falecidos, ficaram marcados na história como os grandes mestres na arte de balões vazados.

Balões vazados de Bolostra, Aidram e Tharsis de Oliveira

O Méier, bairro da zona norte carioca vizinho ao Cachambi, berço dos baloeiros cariocas, é conhecido por ter o primeiro cinema do Brasil, o Cine Imperator, a maior sala de cinema da América Latina nos anos 50 e o primeiro Shopping Center a ser inaugurado no Brasil. Lá também nasceu o balão de taquinhos.

Criado por Jorge Turco inspirado nas decorações de colchas de cama e almofadas em tricô e crochê, sua ideia foi tão fantástica que sua turma do Méier ganhou a primeira Boca de Ouro no Rio de Janeiro em 1977.

7×7 – Méier – Primeiro balão a ganhar uma Boca de Ouro em 1977

A decoração em taquinhos virou uma febre nos anos de 1980. Revistas de ponto cruz aliadas a papéis quadriculados e canetinhas ou lápis de cor se tornaram obrigatória nas mãos dos projetistas de balões e decorações incríveis em degradê eram muito comuns durante toda a década de 1980 e 1990.

28m – Tropicália (1988) – RJ, 10×10 – Saudade – o primeiro balão de taquinhos solto em SP e 18m – Mauricio e Pacheco (1990) – SP

Durante anos, as decorações em balões eram limitadas a decorações por gomos. No começo dos anos de 1980, os projetos de balões saíram dos papéis quadriculados e começaram a nascer os leques que utilizamos até hoje.

Os primeiros balões decorados possuíam decorações apenas por gomo

Os desenhos foram evoluindo, novas cores e papéis sendo criadas e a liberdade de criação do baloeiro começou a crescer. Nascia os balões de decoração de cenário ou corrida como conhecemos hoje. Um dos, senão um dos primeiros baloeiros a criar um balão com decoração corrida foi Nelson Dentista, conhecido pelas grandes armações, soltou um 10×10 em 1983 que retratava um cenário do seriado Sítio do Pica Pau Amarelo da TV Globo inspirado na obra de Monteiro Lobato:

10×10 – Nelson Dentista, solto em 1983

Durante os anos de 80 e 90, as decorações de balões continuaram em evolução. Enquanto algumas turmas mantinham a tradição em decorações por gomos riscadas ou taqueadas, grandes desenhistas e projetistas nasciam em São Paulo e Rio de Janeiro como Edu (Estrellar), Marcão (Severa Albatroz), Jorge Murcha, Cabelinho (Cometa) e Edson de Guadalupe (Realengo). Seus balões ficaram marcados por traços e cores perfeitas, verdadeiras obras de arte lembradas até hoje.

Balões da Estrellar: 10×10 (1990), 11×11 (1991) e Modelado de 12m (1993)

10×8 – Severa Albatroz e Piões 30m e 45m – Emenda, projetados por Marcão

9×9 – Realengo (1987), 9×9 – Realengo (1988) e 10×9 – Cometa (1991)

No começo dos anos 2000, começaram a aparecer balões de traços abstratos que muitos chamam de Geométricos. Mesmo sendo bem comum desde a era das decorações de gomo, com o advento do leque, esse estilo de balão se popularizou e é bem comum nos dias de hoje:

Grupo UFO (1990) – SP, Arte Enigma (2002) – SP e Sonho e Liberdade (2007) – SP

Com a era do computador, a facilidade em pixelizar imagens, principalmente fotos, fez com que balões de homenagem a pessoas, celebridades ou até mesmo para contar histórias, se tornassem bem mais comuns que nas décadas anteriores onde homenagear pessoas era mais comum em letreiros e nomes escritos nos balões. A cada dia os taquinhos que representam os pixels foram diminuindo mais e a qualidade dos desenhos de balões e bandeiras chegam a perfeição.

15m – Vikings e RDS (2012), 28m – Infinito (2016) e 38m – TUV (2012)

Já nos últimos anos, o balão entrou numa nova era: a de impressão de gomos. Se, no começo de tudo se projetava as decorações em cima de leques e as ampliava nos gomos através de traços de lápis HB, com a evolução do computador e a criação de impressoras de grande porte conhecidas como Plotter, com um pouco de conhecimento de softwares de vetorização e 3D, ficou muito mais fácil, porém demorado, criar as decorações de balões no computador, posicioná-las corretamente em cores e proporções e, por fim, imprimir o gomo para seres retiradas as máscaras. No começo dessas técnicas, os custos eram muito altos, pois a impressão tinha que ser em bobinas de papel sulfite. Hoje, os projetistas de balões plotados já conseguem imprimir os gomos diretamente na seda ou no kraft e isso ajudou muito na redução de custos.

Gomos sendo impressos em Plotter

Não importa o tamanho, se é monocromático, riscado, vazado ou taqueado. Tão pouco a quantidade de cores, o tamanho. Balão sempre é balão! Mas é inegável a atração que um desenho bem feito, uma escolha de cores ideal e até mesmo o que um tema bem elaborado traz a todos que o veem num balão.

Desde os primeiros bordados aos balões projetados por computador nos dias de hoje, a única certeza que temos que a prática de fazer um balão é sim uma arte. Uma arte que evoluiu em quase 50 anos de prática e nunca entraremos em consenso sobre onde ela vai parar.

Se, por ventura, esqueci de alguém ou tem alguma informação errada, basta comentar no formulário abaixo que edito o texto e corrijo.
Um grande abraço a todos.

Dinho GB

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