Edição 18 - TZN | Gazeta do Balão
Edição 18 – TZN
Publicado em 15/01/2019 | 482442 Visualizações

Publicada na edição 18 de Março de 1992

Apresentamos nesta edição um grupo de baloeiros cuja versatilidade é seu ponto forte. Discutida por alguns, mas reconhecida pela maioria com um dos mais fortes e melhores artesões da arte do balão, apresentamos aos nossos leitores a história da Turma da Zona Norte ou TZN como é conhecida.

Participaram da entrevista: Pela TZN: Álvaro, Adriano, André, Albano, Alemão, Osvaldo, Carlos, Clebinho, Cleber, Chuí, Glauco, Kiss, Sr. Luiz, Paquita, Rubão, Sheik, Sidnei, Teco, Rogerio, Waltinho, Zé Carlos, Lolô, Gordo, Ronaldo, Luciano, Alê, Roger, Junior, Paulo, Leandro, Cláudio, Edson, Walter, Rato, Boy, Benjamim, Fábio, Punk, Hércules, Serginho, Luiz, Carlos, Alexandre, Sr. Norberto, Silvia, Paula, Sandra, Claudia, Flávia e nossa querida e estimada Dona Madalena. Pela GB: Elenice, Andréa e Edilson.

Iniciamos nossa entrevista com a pergunta tradicional: As origens do Grupo, que hoje dividimos em duas partes para um melhor entendimento do início da turma:

GB: Na região de Santana, existiam 3 turmas que deram origem a TZN. O que você pode nos contar sobre essas turmas?

TZN:  Tudo começou com o Leandro e o Astror  correndo atrás de balão nas festas juninas. O tempo foi passando, os balões começaram a subir durante todo o ano e o resgate tornou-se mais difícil, exigindo um meio de transporte pelas distâncias que começaram a atingir. Chegamos em meados de 1978 quando um grupo soltou um 7×7 com bojo e fogueteira originando dai a Turma de Santana, pioneira na região. Os anos passaram, aparecem novas turmas formadas inclusive por ex-componentes da Turma de Santana. Essas divisões de grupos acarretaram dificuldades para todos (sem cortar o seu raciocínio, essa é uma tese que nós da GB sempre defendemos: a União, porque toda divisão sempre enfraquece qualquer grupo ou qualquer que seja a atividade, mas… continue). Concordo planamente com vocês, mas como estava dizendo, sentindo que essas divisões não levavam a nada, convidamos várias turmas para discutirmos a ideia que tínhamos em mente que era de montarmos um grupo forte, que além da experiência de baloeiros antigos, teria um poder aquisitivo muito maior. Mas não pensem que foi fácil porque ainda hoje, tem muita gente que desconhece a palavra “União”, imagine naquela época. Apesar do tudo, ultrapassamos todos os obstáculos e os componentes da Turma de Santana, Treme Terra e Turma do Forte tiveram a lucidez e a inteligência em compreender que este era o melhor caminho para todos, nascendo dai a TZN.

GB: E em que ano foi esta fusão que para nós já merece Nota 10?

TZN: Foi no dia 06 de Janeiro de 1987 que nasceu a Turma da Zona Norte com as cores preto e branco. Atualmente somos em 42 componentes residentes em diversos bairros.

GB: Agora já como TZN, qual o primeiro balão, a primeira emoção?

TZN: Esta pergunta nos faz lembrar bons momentos, o começo de tudo, uma ótima lembrança. Foi um 8×7 fogueteiro noturno que ainda tinha o brasão da Treme Terra e na boca colocamos o novo nome (TZN). Isto aconteceu em Março de 1987.

GB: E os demais balões soltos, ou os principais, dá pra lembrar?

TZN: Claro! É a nossa história: dois 8×7 fogueteiros, 10×10 fogueteiro e asa delta, três 6×6 sendo um com o Emblema da TZN, um letreiro “Julian” e um fogueteiro, o 12×11 fogueteiro noturno que resgatamos e soltamos novamente desta vez fogueteiro diurno, 11×11 fogueteiro, 8x3x8 com armação do Índio, 5×5 armação do Palhaço, 5×5 com a armação do cachorrinho, 7×6 com letreiro “Patrícia”, 14×14 fogueteiro noturno, 6×6 com armação do Coelhinho que subiu ontem (15/02/92). Estes foram os nossos principais balões soltos.

6×6 – 1988, 7x2x7 – 1993 e 5×5 – 1989

GB: Entre tantos balões soltos tem um que sempre marca a turma, e com vocês, qual foi?

TZN: Foram dois. O 12×11 fogueteiro noturno em 1987 que resgatamos e soltamos diurno e o 14×14 também fogueteiro noturno que jamais será esquecido em nossa história.

GB: Agora pra descontrair, um caso pitoresco…

TZN: Foi no 8×8 armação da Xumbo Grosso. Cinco componentes da turma foram no resgate e, de reponte estavam dentro de um esgoto (pra ser mais claro, dentro do depósito de bosta na marginal). Foi divertido ver todo mundo tapando o nariz, imagine porque.. Mas apesar do perfume, conseguimos resgatar a boca do balão.

GB: Ao longo desses anos todos, já saíram pessoas para formarem outras turmas?

TZN: Só o Betão que montou a TAF (Turma da Água Fria).

GB: Agora vamos entrar no X da questão… Resgates. Existem muitos comentários que vocês “arrepiam” em resgates, verdadeiro ou falso?

TZN:  A TZN ao contrário do que falam, nunca foi exclusivamente de resgates. O resgate pra nós é 2º plano. O nosso 1º plano é fazer balão, basta você olhar ao seu lado e ver que as bancadas estão com balões. Nós estamos sim em todos os balões devido ao elevado número de componentes.

12×11 – 1987

GB: Uma pergunta prática e direta: vocês já tomaram balão do alguém ou alguém já tomou balão de vocês?

TZN: Nós não tomamos balão de ninguém (quem puder que prove o contrário), mas já tomaram vários balões nossos, inclusive há pouco tempo. Cada um sabe de sua ação de sua atitude. Quem ler esta resposta vai de imediato lembrar o que fizeram conosco, não precisamos citar nomes.

2ª Soltura do 12×11 em 1988

GB: Na opinião de vocês, qual o caminho para ao menos, melhorar os resgates?

TZN: Fazer um resgate sem violências. Vocês que fazem jornal, deveriam fazer uma reunião convidando todos os baloeiros de SP e discutir a respeito do resgate. Se continuar assim, o resgate vai acabar com a nossa arte que é principalmente confeccionar e soltar o balão.

GB: E quais os mais importantes balões que vocês resgataram?

TZN: Vamos citar só os balões anima de 8 folhas: 10×10 da 10 de Ouros fogueteiro noturno, outro 10×10 que era da Turma da Mosca que subiu com armação, 15×15 da Pólvora fogueteiro noturno, 11×11 da Jaguaré fogueteiro noturno, 12×11 da Turma do Morro fogueteiro noturno, 12×11 da Ninho da Águia qeu foi bandeira e fogueteira onde resgatamos e soltamos de novo, 12×12 da Turma do Rapa fogueteiro diurno, 12×11 fogueteiro noturno que nós mesmos soltamos, 8×8 da Caverna (Batata de Ouro/91), 8×8 da Piratas do Ar com armação, 11×11 da Peter Pan fogueteiro diurno, 8×8 do Abelha fogueteiro diurno, 8×6 da Turma do Cumpadre fogueteiro noturno, Pião de 35m da Alvarenga onde soltamos e resgatamos novamente em Curitiba, Pião de 18m com bandeira da Turma da Quinze, Pião de 18m bandeira da Turma dos Anjos e 8×7 da Turma da Ponte fogueteiro noturno.

2ª Soltura do Pião de 35m resgatado da Alvarenga solto em parceria com a Magia no Paraná em 1990

GB: Aqui abrimos um espaço e deixamos vocês a vontade para falar sobre resgate, fechando este assunto.

TZN: As turmas em vez de uniram forças para o resgate do balão, estão fazendo ao contrário, desunindo-se cada vez mais e acontecendo debaixo do balão uma verdadeira batalha de leões em que a presa é o próprio balão. Não citando nomes de turmas, mas tem baloeiros que chegam armados no resgate ocasionando riscos de vida dos próprios companheiros que adoram a arte de soltar e principalmente resgatar o balão.

14x4x14 em 2000

GB: Agora sobre festivais. Está tudo bem? Deve continuar como está? Quais os benefícios ou problemas que esses eventos trazem para a arte e também as vocês já realizaram ou participaram de festivais?

TZN: Entendo que corrigindo-se alguma coisa como fogos, locais, etc, devem continuar, pois elevam cada vez mais os níveis dos balões. Nós não participávamos até o presente momento, mas a partir de agora vamos entrar com força total nos festivais.

GB: E a Boca de Ouro / Incentivo aos Baloeiros, sabemos que vocês já participaram em algumas ocasiões. Qual a opinião do grupo: Vale a pena participar, deve ser modificada, enfim, fale um pouco sobre este outro evento…

TZN: Prefiro não responder esta pergunta em sinal de protesto contra o resultado de 1991 do Incentivo aos Baloeiros, que para nós, o regulamento não foi respeitado.

14×14 em 1991

GB: Festivais, Boca de Ouro e este ano a GB lança o Projeto Art 90. Gostaríamos da opinião do grupo sobre esta realização e se vocês tem ideia de participar.

TZN: Achamos essa ideia ótima. Tem várias equipes querendo participar mas não tem condições de competir com o gigantismo. Você diminuindo o tamanho do balão, diminui também os riscos e dá condições de igualdade para todos. Esse projeto que vocês vão realizar já deveria ter começado muito antes. Nós iremos participar com toda certeza, não para competir, mas sim para homenagear vocês e, em especial, ao editor deste jornal que é uma pessoa sensacional e daremos a maior força no que for preciso. Esse evento, tenho certeza, será no mesmo nível do jornal e desde já vocês estão de parabéns pela iniciativa.

GB: Sabemos que o forte to grupo são os balões de porte, mas mesmo assim vamos falar agora um pouco sobre gigantismo. Ajuda, atrapalho, qual a opinião de vocês?

TZN: Realmente gostamos de balões grandes, mas não esquecemos os demais. Você pode ver ali um 3×3 pronto, aqui na bancada um 4×4 e lá na outra bancada, estão 2 11 folhas. Quanto ao gigantismo, depende da confecção, do conhecimento e da capacidade da turma.

GB: Realmente, o que não falta aqui é balão na bancada, mas e a programação para esses balões e planos para o futuro?

TZN: Como você já pode observar, estamos a todo vapor. Quanto a programação, temos este 4×4 para letreiro, um 6×6 e um 11×11 ambos para fogueteiro noturno e outro 11×11 riscado, cujo leque esta aqui e você pode ver (Gente, é simplesmente FANTÁSTICO, só vendo para crer!) este vai com armação. Mais adiante, vamos começar a trabalhar em um Pião Carrapeta de porte que será decorado e com bandeira. Também vamos programar alguns balões para participar do Projeto Art-90.

Bagdá 54m – 1997

GB: Podem ter certeza que ficaremos muito honrados com a participação de vocês, aliás, como dizem, o exemplo tem que vir de cima, não é? Mas seguindo com as perguntas. qual a visão de vocês para o balão hoje e seu futuro?

TZN: No meu modo de entender, os balões de hoje estão muito mais criativos e seguros e o seu futuro vai depender exclusivamente de uma maior consciência dos baloeiros e da moralização dos resgates, pra mim, pontos fundamentais para a preservação da arte.

 17x4x17 – Primeira Boca de Ouro da Turma em 1998

GB: Esta pergunta busca no seu conteúdo, uma riqueza de informações que em muito, poderá aprimorar os conhecimentos dos baloeiros, motivo pelo qual gostaríamos que nos informasse todos os dados do 8x3x8:

Balão: 8x3x8

Papel: Hulk Sulferine

Gomos: 52

Boca: 1,65

Bucha: 35 kg

Bojo: 1800 lanternas em escadinhas

Armação: 2500 lanternas

Tema: Salve a Amazônia

Data de Soltura: Abril de 1989

Resgate: Ficou 20 minutos no alto. Desceu em Furnas, não teve resgate.

8x3x8 em 1989

GB: Espaço livre, deixamos vocês à vontade para falar sobre qualquer assunto…

TZN: Gostaríamos que os bons tempos voltassem quando existiam os verdadeiros baloeiros: Turma da Saudade, Turma do Pega, Amigos do Barão, Baranauskas, Casa das Retortas e o fabuloso festival da Turma da Lua, entre outros.

Modelado 22m – 2001

GB: E qual  a mensagem final do grupo para todos nós?

TZN: Pedimos a todos os baloeiros mais união, mais consciência e que tornem o balão que realmente ele é: “Um sonho de criança”. Agradecemos a GB pela oportunidade em especial ao nosso grande amigo Salvador pela contribuição na soltura do 14×14 fogueteiro noturno que, sem ele não não teríamos conseguido soltá-lo. Um recado pra ele: nós estamos esperando uma visita. À todos os verdadeiros baloeiros um forte abraço de todos nós.

TURMA DA ZONA NORTE, Um show de união, luz e cores

A Gazeta do Balão agradece a cooperação da TZN o que, nos motiva ainda mais em prosseguir nosso trabalho.

Esta entrevista foi feita no dia 16 de fevereiro de 1992 na sede da turma.
A Equipe de produção da GB agradece a forma carinhosa coma foi recebida e todas as atenções dispensadas durante a entrevista.

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