Edição 27 - Anjos | Gazeta do Balão
Edição 27 – Anjos
Publicado em 21/02/2019 | 680617 Visualizações

Nossa última entrevista deste ano vai mostrar aos nossos leitores a história de um grupo de jovens baloeiros que além da amizade que os mantém unidos por oito anos, o forte do grupo é fazer do balão, um motivo de descontração, alegria e muitas amizades.

É com muita alegria que apresentamos a TURMA DOS ANJOS – Jardim Aricanduva – SP

PARTICIPARAM DA ENTREVISTA: Pela turma dos Anjos: Cláudio, Sílvio, Chiquinho e Daniel. Pela Gazeta do Balão: Elenice e Salvador.

GB: Esta entrevista foi marcada pela total descontração tanto do grupo entrevistado, como do pessoal deste jornal. Entre lindos posteres dos balões soltos pela turma e ao lado da bancada onde está sendo decorado um belíssimo 9×9, fizemos a pergunta tradicional: as origens da turma…

TA: Nossa história começou em 1983. Eu (Sílvio) e o Roberto pertencíamos a Turma do Aerostato aqui da região. O Cláudio, o Daniel, o Sérgio e outros amigos faziam balão porque gostavam mesmo. Como todos nós trabalhávamos no mesmo banco, entre um papo e outro resolvemos montar uma turma. E foi assim em Abril de 1984 nasceu a Turma dos Anjos. O nome foi escolhido entre várias sugestões e ficou Anjos, porque como o balão sobe aos céus, fica evidenciado a relação balão-anjo. Adotamos as cores azul e branco (o céu e a paz) e nossa turma é composta dos seguintes baloeiros: Sílvio, Roberto, Cláudio, Daniel, Chiquinho, Sérgio, Marcão, Gilmar e o Ricardo. A idade média da nossa turma é de 25 anos e somos: bancários, almoxarife, funcionário publico, tem o pessoal de escritório e tem também um … que é o Chiquinho.

GB: Qual a fórmula “mágica” para financiar os balões e os eventos da turma?

TA: Veja bem. A muito tempo atrás, tínhamos mensalidades para pagar o aluguel da sede. Como não pagamos mais aluguel, fica a critério de cada um dar o que tem condições Mensalidade é difícil de controlar e chato de cobrar. Como a união é marcante no grupo, o material e tudo que for preciso vem espontaneamente.

GB: Fica claro que quando existe união e amor pelo balão tudo é mais fácil. Mas vamos agora para o primeiro balão solto pela turma…

TA: 0 primeiro balão solto pela turma dos Anjos foi um 5×5 com decoração geométrica e uma armação ilustrando uma Pantera  solto em 1984.

5×5 – 1984

GB: Ao longo desses 8 anos vocês já soltaram diversos balões. Dá para lembrar?

Nota da GB: O pessoal olha um, para o outro… o outro olha pra um, conversam e as solturas começam a ser recordadas…

TA: Em 1984 foi o 5×5 com armação da Pantera e um 7×7 que foi com fogueteira. Em 1985 um 6×6 com armação do Cascão, em 1986 soltamos um 6×6 com armação “Anjo”, um 10×10 fogueteiro diurno e um pião de 14m com bandeira “Arara” no Rio de Janeiro que ganhou o 1º lugar no Festival da Turma de Campo Grande. Em 1987 soltamos um pião de 16m com bandeira “São Francisco”, um 8×8 com armação “Planeta e outro 8×7 com armação “Moça” que ganhou a Boca de Ouro. Em 1988 soltamos um pião de 17m com bandeira “Fada” e um 8×7 com armação “Gênio” que abaixamos porque dobrou a antena. Em 89 tentamos soltar novamente esse 8×7 mas como o cone foi refeito, não suportou o peso e desceu a boca. Em 1990 soltamos um pião de 14m com bandeira “Magali” e um 9×9 com armação “Índia”. Em 1991 não soltamos nada porque estávamos com nosso pião de 35m com bandeira “Holandesa” já hà 3 anos em confecção e trabalhamos bastante para soltá-lo, o que enfim aconteceu neste ano de 1992.

6×6 – 1986

GB: Realmente são 8 anos de emoções, mas aproveitando o embalo e como é um fato recente e que deu margem para muitas interpretações, o que realmente aconteceu que estragou bastante a bandeira do pião de 35m?

TA: Para poder te explicar, quero dizer que aquela bandeira montamos como todas as outras. Depois ela ficou a noite toda no campo (coberta) mas absorveu muita umidade. Na hora que estávamos liberando, bateu uma brisa e tivemos que abaixar o balão. A bandeira fez vela e as guias (mais de cem metros cada uma) ficaram batendo exatamente no final da bandeira. Conclusão: o que provocou os danos na bandeira foram: a unidade e as guias.

Pião 35m – 1992

GB: É, está explicado o que nem eu até hoje conseguia entender porque sei que o forte de vocês é a confecção. Mas entre tantos balões soltos, tem um que sempre marca a turma e com vocês qual foi esse balão?

TA: Sem dúvida alguma foi o 8×7 com armação “Moça” que soltamos em 1987. Acredite se quiser, mas nesse balão aconteceu de tudo. Primeiro que perdemos 3 armações lanternadas estragadas pela chuva e o vento. Era fatal! Montávamos tudo com o tempo lindo e de repente vinham as tempestades. A gente dormia no campo dentro da barraca. Um dia a lanterna que ficava acesa para clarear pegou fogo, caiu no plástico que a gente dormia e foi queimando o plástico e fazendo uma fumaceira. Quando um acordou, imagine a correria? A polícia deu umas 5 “geral” no pessoal que dormia no campo porque aconteceram no pedaço dois crimes e até explicar que a gente estava ali só para soltar um balão… Mas no final valeu, porque o balão subiu lindo e ainda ganhou a Boca de Ouro”.

8×7 – Boca de Ouro em 1987

GB: Esse fato pitoresco dá uma história de muitas páginas e realmente marcou o grupo. Mas vamos agora para uma pergunta atual: Como anda a segurança dos balões. Se não está bem, o que se pode fazer para melhorar?

TA: Essa pergunta eu não tenho dúvida em responder: a pressa é inimiga da perfeição. Tem muita gente que começa a fazer o balão de manhã para soltar a noite. Pode acreditar, nós ficamos 4 anos confeccionando um balão, o pião de 35m, preocupados única e exclusivamente com a segurança. Mas no geral, tirando os apressados, acho que está indo bem.

6×6 – 1985

GB: Falamos em segurança e isto de imediato lembra festivais. Qual a opinião de vocês sobre esses eventos?

TA: Antigamente os festivais eram mais descontraídos, não existia tanta competição. Hoje, além da forte competitividade ninguém cria mais nada. Acho também que os fogos devem ser proibidos e as turmas participantes devem ter mais consciência principalmente na confecção dos balões. Para finalizar, na minha opinião, nos festivais deveriam ser permitidos somente balões de pequeno porte ou até 4×4 no máximo.

8×7 – 1989

GB: Vocês realizaram algum festival?

TA: Fizemos uma revoada e um festival em 91. Ficamos muito mais conhecidos pelos baloeiros e ganhamos inúmeros amigos, além da experiência que adquirimos. Para retratar bem o sucesso desse festival, vou te mostrar o que um jornal publicou:

GB: Vamos reproduzir na íntegra a reportagem sobre o festival acima, realizado em 23/06/1991:

GAZETA DO TATUAPÉ – Edição de Junho de 1991:

“No ultimo fim de semana, milhares de pessoas se acotovelaram junto ao campo de futebol do CDM Jardim Aricanduva para juntas promoverem o maior festival e balões de que se tem notícias por estas bandas. A Avenida Aricanduva desde o cruzamento com a Avenida Itaquera até a rua do Almirantado no Jardim Aricanduva ficou literalmente tomada por pessoas e veículos. Nossa reportagem anotou chapas de veículos de todo o Brasil e mais, veículos de todos os tipos. O esporte baloeiro está em alta e, por mais que se reprima por ser algo perigoso, mais ele cresce. Durante toda a noite a competição entre equipes foi muito acirrada e pela manhã, um grande espetáculo, com mais de mil pequenos balões no ar, encerrou o grande espetáculo. Ressalta-se ainda que a organização foi perfeita, nenhum incidente, nada de policia ou problemas. Parabéns a quem teve a ideia e organizou a festa”.

GB: Parabéns tanto pelo festival como pela reportagem. Mas e o próximo festival, quando será?

TA: É bem provável que a gente faça um festival em 1993. Por enquanto estamos só estudando, não existe nada definido, falta dar um estalo e …

Pião de 14m – 1º lugar no Festival da Turma de Campo Grande (RJ) em 1986

GB: Ótimo! Agora Incentivo aos Baloeiros, como vocês veem esse evento?

TA: O incentivo como qualquer evento para nós é só festa. Fazemos balão porque realmente gostamos. Se ganhar ótimo, se não ganhar parabéns aos vencedores. Essa é a nossa filosofia de competição.

10×10 – 1986

GB: Um evento a nível estadual, como vocês veem essa ideia?

 TA: Acho que não dará certo pela grande dificuldade que os julgadores terão nas solturas, porque em nossa opinião, o balão deve ser julgado no ato da soltura e não por fotos ou filmes.

Pião 16m – 1987

GB: Gigantismo…

TA: Tudo tem que ter um limite é claro! O balão também. Cada um tem que ter consciência do que está fazendo.

Pião 14m – 1990

GB: Resgate?

TA: Nunca fomos de resgate. Acompanhamos é claro, os nossos balões. Acho que a turma que soltar o balão deve ser responsabilizada pelo balão. Veja bem, eu disse pelo balão e não por estragos que muitos fazem. 

8×8 – 1987

GB: Resgate, Gigantismo, festivais desorganizados e outras coisas ruins, mas nem tudo está perdido. Cite três fatores que na opinião de vocês colaboram para que nossa arte ocupe o lugar que merece:

TA: Sem dúvida ,a Dona Ísis, a quem devemos muito, o Tatí e a GB.

7×7 – 1984

GB: Criar uma Associação de Baloeiros ou coisa parecida ajudaria em alguma coisa?

TA: Não é muito fácil, mas acho que se baloeiros conscientes e experientes assumissem esse comando, com regras definidas e os baloeiros participassem maciçamente, poderia ser uma boa.

Pião 17m – 1988

GB: Regulamentar o balão, como vocês veem essa iniciativa?

TA: Acho que deve ser pesquisado, mas será muito difícil de se conseguir e nós particularmente não aprovamos essa ideia.

9×9 – 1990

GB: O balão ontem, hoje e seu futuro?

TA: Ontem era gostoso. Hoje está acima da cabeça das pessoas e o futuro totalmente incerto devido a competitividade.

GB: Próxima soltura e a programação de vocês…

TA: Nossa próxima soltura será este 9×9 que está em fase final de decoração que subirá com armação “Mulher Lobo”. Este balão era para ter subido este ano (92) mas o pião de 35m que falamos anteriormente tomou todo nosso tempo, mas em 93, com certeza este 9×9 subirá. Depois vamos partir para um pião de 17m que deverá subir com bandeira ainda não definida.

GB: Para finalizar, qual a opinião, de vocês sobre a GB?

TA: Curta e grossa: esta completa!

GB: Espaço livre…

TA: Aconselhamos que as turmas que estão começando agora procurem fazer uma base sólida, tem que fazer muitos balões pequenos para ir adquirindo experiência. Fazer e soltar balão pequeno não é vergonha.

GB: Mensagem final…

TA: Pedimos à todos que deem valor a amizade, que é o principal, e a humildade. E que não esqueçam que balão é só papel, não vale a pena brigar.

TURMA DOS ANJOS: UNIÃO & ARTE nas asas do grandioso e do efêmero.

A Gazeta do Balão agradece a cooperação da Turma dos Anjos o que nos motiva ainda mais em prosseguir nosso trabalho.

Esta entrevista foi feita no dia 8 de novembro de 1992 na sede da turma.

A equipe de Produção da GB agradece a forma carinhosa como foi recebida, e todas as atenções dispensadas durante a entrevista.

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