Edição 14 - Emenda | Gazeta do Balão
Edição 14 – Emenda
Publicado em 01/01/2019 | 475431 Visualizações

Entrevista publicada na edição 14 de Outubro de 1991

Nessa 14ª edição, apresentamos aos nossos leitores um grupo de dedicados baloeiros que pelo seu trabalho, merecem o respeito de todos nós. Aqui está a história da Turma da Emenda, do bairro da Mooca em SP/Capital.

Antes de iniciarmos esta reportagem, fica aqui o nosso agradecimento a todos os componentes da Turma da Emenda pela forma carinhosa, alegre e descontraída que receberam a equipe da GB num entrevista de mais de 3 horas.

Participaram da entrevista: Pela Emenda: Pedrinho e Toninho. Pela GB: Elenice com apoio da Cleide, Edilson, Nilton e Andreia.

GB – Como sempre a pergunta tradicional: Como surgiu o grupo?

TE – A origem do nosso grupo data de 1981, quando surgiu a Turma do Zodíaco com o Serginho, o Ganso, O Toninho e outros. Em 1983, alguns foram parando e no mesmo local com novos componentes, nascia a Turma da Emenda. Escolhemos Emenda porque o pessoal é bom na emenda mesmo. Temos 8 componentes que participam ativamente e dezenas de ajudantes.

GB – O primeiro balão… a primeira emoção?

TE – Foi o pião de 28m com fogos e uma bandeira com o brasão da turma em 1984.

Pião de 28m com bandeira e fogueteira em novembro de 1985 num campo onde hoje é estação Vila Carrão de Metrô

GB – Quais os principais balões soltos pela turma?

TE – Pião de 28m com fogos e bandeira em 1984, dois 9×9 fogueteiros, 13×13 fogueteiro, o 15×15 fogueteiro de ouro em 1988, o Pião de 37m com bandeira em 1988 também. O Pião de 30m com bandeira que levou a carrapeta de ouro em 1989 e o 16×16 fogueteiro noturno este ano.

16×16 – Boca de Ouro em 1991

GB – Sempre tem um balão que marca a turma. com vocês é diferente?

TE – Claro que não. Este fato ocorreu com o pião de 30m da peruana que foi solto em Mairiporã em 1989. Neste balão resolvemos adotar novas técnicas tanto na decoração quanto na estrutura geral de todo o trabalho. Ele marcou pois todo o trabalho foi coroado com êxito, ganhamos a Boca de Ouro e isso nos honra e envaidece muito.

Pião de 37m solto em 1988 em Jordanésia, Cajamar

GB – Ao longo da história, a Emenda sempre soltou balões de grande porte. Gostaríamos de saber se vocês usam algum material diferente do material usado pela maioria?

TE – Não. É o mesmo material já conhecido. Só não usamos materiais de qualidade duvidosa, entretanto não adianta ter materiais de excelente qualidade se não cuidar principalmente da confecção. O material é fundamental mas a base da segurança é a confecção e todos os seus segmentos.

Pião de 29,6m solto em 15 de Novembro de 1989 em Mairiporã

GB – Aproveitando, como estamos falando de segurança, observamos que vocês usam ventiladores para inflar seus balões. Quando e porquê essa prática é necessária?

TE – Uma ótima pergunta, mas vamos por partes: Utilizamos ventiladores somente em balões de porte, pois essa prática facilita a colocação do balão em pé. Quando você infla um balão com ar frio, ele fica pesado e vai levantando aos poucos sem dar aquele tranco que acontece quando inflamos apenas com ar quente. Com ar quente, os balões ficam difíceis de controlar e esse tranco pode até danificar o balão.

Pião de 45m solto em 1994 de Mairiporã

GB – Fale um pouco sobre gigantismo

TE – O que podemos dizer que tudo exagerado faz mal, até a água. Para tudo existe um limite, motivo pelo qual, nosso trabalho tem por base um profundo estudo em todos os seus segmentos, nunca exagerando na dose, mas sim, aprimorando a parte técnica e nunca trabalhando com hipóteses mas com certezas e respeito ao balão.

Pião de 52m solto em 1993 de Mairiporã

GB – Resgate?
TE – Não existe mais resgate. A ignorância chegou a tal ponto que o papel parece comida. Realizamos várias reuniões, conversamos com muita gente mas infelizmente não chegamos a lugar nenhum. Não existe equilíbrio na hora do resgate. Na hora de soltar todo mundo é amigo, agora, na hora que ele cai, todo mundo se transforma e não conseguimos explicar isso.

GB – Festivais?
TE – Nunca participamos para competir. Se estamos presentes, é para descontrair e prestigiar os organizadores.

Pião 61m solto em 2000 de Sorocaba

GB – Boca de Ouro. Meu Bem, Meu Mal?
TE – Hoje quem dá nota é o povo. Não existe mais aquela panelinha.

GB – O balão hoje e seu futuro?
TE – Vou ser simples e claro: Se continuar do jeito que está, o fim está próximo.

Truffi 27m solto em 1995 de Mairiporã

GB – Mensagem Final…
TE – Aproveito essa oportunidade para dizer a todos que, quando iniciei minha carreira de baloeiro, a fiz porque os baloeiros tinham uma regra em geral: a união e uma filosofia de trabalho. Depois vieram a competitividade, a rivalidade e até a maldade. Que tal se nós reagirmos, pois se continuar na forma que está, fatalmente chegará ao dia que o sonho vai acabar. Não podemos deixar o barco afundar. O futuro do balão depende única e exclusivamente da consciência, do bom senso e do equilíbrio dos baloeiros. Deixo aqui duas sugestões:
1 – Você prefere sair com os amigos, esposa, namorada e filhos para se divertir, curtir o balão e, com sorte, resgatá-lo para depois soltá-lo juntamente com seus amigos,ou:
2 – Você prefere brigar, se matar discutindo, destruir um trabalho as vezes de muitos anos, arrumar um monte de inimigos e provocar uma guerra fria entre nós? Pense nisso. Obrigado pelo espaço que a GB nos deu pra contar nossa história e desejo muitas felicidades a todos.

Gostou? Curta e Compartilha!

Mande seu Recado:

Copyright © 2006 / 2020 - Gazeta do Balão | Todos os Direitos Reservados - Permitida a reprodução com citação da fonte
error: Não copie, compartilhe!