Estrellar - SP | Gazeta do Balão
Estrellar – SP
Publicado em 05/02/2019 | 45422171 Visualizações

Bem amigos, hoje vamos relembrar a história de uma das mais completas turma de baloeiros de toda a história que, mesmo tendo encerrado suas atividades há quase 25 anos, sempre é lembrada por todos pela excelência e qualidade de seus balões, a turma Estrellar que tinha sua sede no bairro da Vila Maria, zona norte de São Paulo.

Para contar sua história, fomos atrás dos responsáveis por tudo, o Paulada e o Edu Carioca que fizeram da Estrellar uma turma marcada por belas armações, balões inesquecíveis e uma história de amor ao balão que até hoje não morreu. O Edu continuou após o fim da turma. Ajudou a fundar a Cortiço em 1997 e depois de 10 anos a Tropeço onde permanece até hoje e o Paulada, mesmo afastado dos balões por diversos motivos, num bate papo longo e extremamente emocionado, nos contou histórias fascinantes, relembrou seus balões, seus amigos, se emocionou por diversas vezes e fez grandes revelações, muitas delas surpreendentes. Vamos a tradicional pergunta sobre as origens de cada um e da turma:

Paulada: Sempre fui apaixonado por balões desde criança. Comecei a soltar meus primeiros balões, sempre Marias-Pretas do quintal de casa. Era apaixonado por almofadinhas de 6 folhas que fazia sozinho, enchia com uma tampa de panela, acendia a bucha e os soltava com 4 lanterninhas penduradas, uma em cada gomo. No começo dos anos de 1980, um amigo me levou para ver a soltura de um balão “moderno” me interessei e decidi que deveria montar uma turma de balão também. Pouco tempo depois, conheci o Ivan (Dez de Ouros), nos tornamos grandes amigos e lá na bancada da Dez de Ouros, tIve mais acesso ao mundo do balão que estava começando a conhecer. Pouco tempo depois, convidei meu primo Zé de Abreu e meu sobrinho Marcílio para montarem a turma e escolhemos o nome Estrellar, inspirado numa música de Marcos Valle chamada Estrelar (1983) e os 2 “L’s” no nome assim como do autor da música.

GB: Os primeiros balões?
Paulada: Os primeiros balões começaram a ser feitos num salão alugado na Rua João do Rego na Vila Maria. Anos depois, conheci, através de amigos, um senhor chamado Roberto que tinha um terreno na Rua Nagasaki, pertinho de casa e vi que ali seria o local ideal para a construção de nossa bancada. Com ajuda do Sr. Roberto, construímos o galpão e montamos uma bancada de 20 metros.

GB: Edu, como você foi parar na turma?

Edu: Também comecei com 7 anos em Niterói, cidade onde nasci.  Entrei na turma em janeiro de 1985, exatamente no dia 18 que antecedia a festa da inauguração da nova sede que também era próximo à minha casa. Fui convidado pelo Paulada através de um amigo que mencionou minha admiração por balões juninos.

GB: Qual o primeiro balão feito na nova bancada e como foi entrar na turma e já ter que riscar um balão?
EDU: O primeiro balão foi um 6×6 que seria riscado por um garoto de 14 anos que desistiu após ter ganhado um puxão de orelha do Paulada por conta de suas inúmeras ausências na bancada.  Como havia mencionado ao Paulada sobre seus desenhos e também havia mostrado anteriormente um caderno repleto deles, coube a mim fazer os desenhos do balão. Faço meus desenhos desde os 10 anos de idade ou até antes. Não estudei nada, tudo vem de um Dom adquirido por mim e meu irmão. Nesse balão fiz apenas umas folhagens que contornavam os quadros. Os desenhos dele foram feitos pelo Kiss, um rapaz que tinha um bom conhecimento de desenhos, aliás bem mais que eu, pois trabalhava com isso. Ele veio da Balão Azul. Lembro que havia feito o desenho do pião do polvo que foi um grande destaque do Festival da Lua. Os desenhos tirei de uma enciclopédia, quem faria era o Kiss. Como os desenhos eram muito pequenos e o sistema que ele usava de ampliação era no formato de quadricular, acabou não conseguindo e sobrou pra mim. Ele fez o leque e eu joguei os desenhos no balão. O leque nem pintei. As cores foram jogadas diretamente no balão e metade da decoração era de papel Crepom, uma novidade que poucos faziam na época.

GB: De onde nasciam as ideias sobre os projetos?
Edu: Não tinha uma regra. As vezes eu escolhia, outras o Paulada e outras decidíamos em comum acordo entre todos da turma.

GB: Como a turma era, praticamente formada por jovens e muitos deles não trabalhavam, como faziam para arrecadar dinheiro para fazer os balões e pagar o aluguel da sede?
Paulada: Eu sempre fui um cara muito justo, organizado e sistemático. Acredito que esse perfil adquiri por todos os anos que trabalho na Gaviões da Fiel (Torcida Organizada do Corinthians). Lá foi e é uma verdadeira faculdade onde aprendi a lidar com pessoas, egos e acima de tudo em gerir um grupo de pessoas. Nossa bancada realmente tinha muita molecada do bairro, a maioria só estudava e ficava difícil pagar as contas. Pra você ter uma ideia, havia horários e regras para o pessoal fazer balão. Muitos deles só podiam ir lá depois que eu conversasse com seus pais. Para arrecadar dinheiro, fazíamos pequenos balões e criávamos eventos na Praça da Cerejeira aqui perto onde, enquanto soltávamos os balões, tínhamos barracas de lanches e bebidas. Assim conseguíamos ganhar uma grana para bancar os custos. Depois de um tempo me especializei em cortar balões e isso deu um pouco mais de conforto para pagar as contas.

GB: A Estrellar sempre foi conhecida pela excelência de confecção e preparação dos seus balões. O que acha que era um diferencial de vocês em relação as outras turmas?

Paulada: Quem me conhecia sabia como eu era chato (risos). Nunca admiti uma falha em nossos balões. Além disso, sempre busquei aprender as coisas sozinho ou até mesmo aprimorar o que via por ai. Um exemplo era a escolha de papéis. Eu passava a semana toda caçando folhas de seda e outros papéis em papelarias pela cidade. Com isso, achava cores diferentes nas quais nós mesmos as batizávamos, papéis diferentes como Crepom, Santista e Celofane. Depois guardava tudo num armário de aço que tinha na bancada que só eu e o Edu que tínhamos acesso. Outro exemplo eram as nossas buchas. Eu pegava os sacos de estopa, cortava tudo com carinho e chegava a lavá-los 2 a 3 vezes na máquina de lavar até que eles ficassem extremamente limpos. Tudo que fazíamos era no limite do extremo em relação a zelo e cuidados, nunca veria um milímetro fora do lugar, mas sempre com um amor intenso pelo balão.

GB: Como nasceu a ideia de fazer o pião de 17m em 1987 e como foi ganhar a primeira Boca de Ouro?
Edu: O pião de 17m que tinha como tema “O Homem e a Natureza”, tive a ideia após ter ido visitar os amigos da Buraco da Onça e visto um projeto deles da Estátua da Liberdade. Achei muito interessante. Em casa peguei o desenho que vi num jornal, quadriculei e fiz o projeto da bandeira. Já o balão, fiz depois que o Marcão (Severa) me ensinou. Ele ainda não tinha feito nenhum. Isso a parte dos quadros.

Pião 17m – Boca de Ouro em 1987

Paulada: Foi muito legal ganhar uma Boca de Ouro, ter um reconhecimento de um trabalho nosso. Isso com certeza foi o combustível para que evoluíssemos mais, nos cobrássemos mais e só nos trouxe benefícios.

GB: Vamos agora para o 8×7 das 7 Maravilhas, considerado por muitos, a primeira grande armação da Estrellar:
Edu: Esse balão tinha muitas novidades em técnicas e materiais. Como o Paulada trabalhava com lojas de Armarinhos, ele trouxe muitos materiais diferentes como papel Crepom, Lantejoulas, Glitter, Pom Pons, Strass, tinta de tecido, tecido de seda. Era um balão rico em detalhes que, nas fotos, não dá pra ver direito.

8×7 – As Sete Maravilhas do Mundo (1988)

GB: Pião 24m – Nascimento, Vida e Morte de Cristo…

Pião 24m – Bi Campeão da Boca de Ouro em 1988

Edu: Após termos feito o pião de 17, resolvemos fazer um 24, porém com desenhos diferentes. O Paulada comprou uma tela de ponto cruz com esse tema e achei bem bacana, nunca tinha visto um balão nesse formato. Só tive o trabalho de quadricular. Dali passei para o papel almaço quadriculado e o projeto da bandeira foi finalizado. Já os desenhos do balão, peguei de bíblias e cartões de natal. Trabalho mesmo foi pintar  já que os desenhos eram tirados de fotos. Fizemos rápido (1 mês e 28 dias) o balão e bandeira.

GB: Antes de comentarmos sobre Boca de Ouro, vamos para o próximo: o 9×8 – Fúria de Titãs…

9×8 – Fúria de Titãs (1989)

Edu: A ideia desse balão veio de um filme que fez muito sucesso na época. Fomos a uma locadora, alugamos a fita e assistimos diversas vezes para entender o roteiro e ganhar inspiração para os desenhos que depois foram retirados de revistas do Conan que um amigo colecionava.

GB: Esse balão foi personagem de uma imensa discussão na época por causa do resultado da Boca de Ouro de 1989, afinal vocês não ganharam mesmo com tanta gente defendendo que mereciam. Afinal, o que aconteceu?

Paulada: Olha, eu nem queria falar muito sobre isso, mas o que realmente aconteceu é que fomos roubados na cara dura. Nosso balão era perfeito, subiu perfeito e seguiu tudo que o regulamento exigia. Nas vésperas do julgamento, começaram a rolar boatos de que o balão da Zeppelin iria ganhar, eu cobrei os organizadores na época (Bia e Neno) e eles chamaram todos os concorrentes para acompanhar o julgamento. Ao fim do julgamento, o que todos diziam realmente aconteceu, o balão da Zeppelin ganhou, aconteceu uma forte discussão e depois de falar um monte a todos, me retirei dizendo que a Estrellar nunca mais participaria desse evento.

9×9 – Zeppelin Campeão da Boca de Ouro de 1989

GB: Mas por que acha que foram injustiçados?
Paulada: Pra quem não sabe, o balão da Zeppelin teve uma tentativa de soltura antes na qual já nas guias, com mais da metade da armação de pé, o balão chorou e abortaram a soltura. No fim do ano ele subiu, com outro bojo, outra armação e todo remendado. Não achamos justo! Não me lembro se no regulamento tinha algo que punisse isso, mas ao meu entendimento, não achei e não acho justo um balão que teve falha na soltura ganhar de um que foi perfeito, não tinha um rasgo, não chorou e subiu perfeitamente.

GB: Vamos seguindo, agora para o 10×10 – Passado, Presente e Futuro…

10×10 – Presente, Passado e Futuro – 1990

Edu: Não me lembro de onde veio a inspiração desse balão, mas lembro que, assim como o Fúria de Titãs, tirei alguns desenhos de revistas do Conan e fizemos um imenso trabalho de pesquisa em bibliotecas e sebos para achar parte do material.

GB: No ano seguinte, vocês soltaram o balão que, pra mim, até hoje é considerado um dos balões de armação mais bonitos da história, o 11×11 da armação do Chico Mendes. Onde nasceu a ideia de projetar ele?

11×11 – Chico Mendes (1991)

Edu: Sempre quis fazer um balão com tema de animais, mas que retratasse a fauna brasileira. Seria um tema apenas sobre a Amazônia com os índios. Mais um trabalho de imensa pesquisa nas bibliotecas. Alguns desenhos dos animais, tirei de uma coleção de desenhos que tinha em casa. Além de retratar a Amazônia, optamos em homenagear o Chico Mendes, um sindicalista político que foi assassinado em 1988. Foi outro balão rápido que fizemos. Decoramos em 18 dias. Parece mentira né? (Risos) Havia muita gente na turma, por isso trabalhávamos rápido.

GB: Logo após esse balão, começaram a fazer o Pião de 42m. Por que desistiram de fazer o balão?
Paulada: Olha, literalmente éramos escravos do balão. Vivíamos praticamente 24 horas mexendo em papel. Além dos altos custos não só com este mas com todos os balões, o aluguel e tudo mais, minha família começou a pegar no meu pé. Lembro que minha esposa na época, chegou um dia e brigou comigo. “Você não vê seu filho”, “Você nunca fica em casa”… foram algumas das coisas que ouvi.  Depois que as contas apertaram, optei em vender o balão, com uma boa parte feita para a Vamo Q Vamo. Naquela época tinha muita gente na turma, mas a maioria era simpatizante, não trabalhava, estudava e como era um balão demorado, desgastante tanto de mão de obra quanto financeiro, o pessoal foi se afastando e vender ele foi a melhor opção.

Pião 42m – Vamo Q Vamo solto de Itapevi em 1996

GB: Como nasceu o convite para ilustrar as capas da Gazeta do Balão?
Edu: Tínhamos muita amizade com o Salvador. E sempre ele me pedia para ajudar desenhando capas e alguns desenhos para a GB. Fiz alguns desenhos de capas da Gazeta a pedido do Salvador, mas foram poucas, umas 3 ou 4 edições. Depois foi a Cris, uma garota da turma do Vento Levou que seguiu fazendo isso.

Algumas das capas das edições impressas da GB criadas pelo Edu no começo dos anos 1990

Modelado 12m (1993)

GB: O que acha que a Estrellar teve de melhor em  todos esses anos?
Paulada: Amigos, sem dúvidas. Nossa bancada era cheia de gente, mas poucos baloeiros de fora nos visitavam  e eu também não tinha esse costume de ir visitar alguém. Um exemplo é o Tatí, um grande amigo que sempre nos visitava, tirava fotos da gente mexendo no balão e nem era com intenção de vender, era pra coleção particular dele. Assim como os admiramos, ele gostava muito da gente. Além dele, Serginho (Emenda), sempre me liga, os amigos da Xumbo Grosso que também eram parceiros nos Gaviões, o Xumbinho e o Elieser, o Jonas (Pega), que sempre que ia em sua casa nem na bancada a gente ficava. Ele adorava um Whisky e, obviamente, eu tinha que acompanhá-lo nessa dura missão (risos). Outro grande amigo é o Adib. Ficamos anos sem nos falar depois que me afastei, chegaram a falar pra ele que eu havia morrido e depois de descobrir que não, conseguiu meu telefone e até chorou ao ouvir minha voz… (pausa) Hoje, vira e mexe batemos um papo. Agora carinho mesmo, tinha pelo Ivan da Dez de Ouros. Me recebeu super bem, tanto ele quanto o China quando fui conhecer a bancada. Nos tornamos grandes amigos, nos falávamos direto…

Nota da GB: A entrevista foi interrompida devido a forte emoção do Paulada após saber que o Ivan faleceu em 2013.

Guia comercial do bairro do Ipiranga em 1988

GB: Passado alguns minutos, vamos continuar contando a história do último balão de vocês, o Pião de 17m solto de Mairiporã em fevereiro de 1994…

Pião 17m – o último balão da Estrellar em 1994

Edu: Após termos feito o Modelado dos duendes que foi um tema infantil, optamos em fazer outro com desenhos mais impressionantes, mais detalhes e expressões nos personagens.  Dessa vez, não fomos à bibliotecas, mas em estúdios de tatuagem. Corremos em vários lugares sem muito sucesso, até porquê, ninguém queria fornecer seus desenhos. Acabamos arrumando os desenhos com o Carlinhos que fazia álbum de figurinhas. Ele tinha um projeto de fazer um álbum nesse tema e nos cedeu alguns desenhos.

GB: O que mais sente falta?
Paulada: Do cheiro do papel. Na verdade eu nunca quis parar. Eu amo balão, amo mesmo! Mas a vida nos leva para outros caminhos. A Estrellar acabou por um único motivo: grana! Nada mais que isso. Depois que perdemos a bancada por não poder pagar mais o aluguel, decidimos parar. Chegamos num patamar onde as coisas eram difíceis. Jamais iria soltar um balão de armação por exemplo, sem uma fogueteira de chão. E sem grana isso é impossível. Não me arrependo de nada de minhas escolhas mas, literalmente, tive que escolher entre o balão e a minha família, a minha vida. Balão era um vício, uma paixão que me deixava cego. Independente da situação financeira que atrapalhou tanto que levou ao fim de tudo, ter mais tempo pra ver os filhos crescer, me dedicar ao trabalho nos Gaviões foi a melhor escolha que fiz. Anos atrás, logo após a morte da minha mãe, joguei tudo que tinha de balões no lixo. Álbuns, posteres, troféus… Fiquei por um tempo olhando um catador de recicláveis pegar, chorei… (pausa) Mas foi um alívio. Aquilo me fazia mal e foi uma espécie de descarga de tudo que me trazia memórias ruins não pelos balões, mas pela consequência de minha dedicação a eles.

Bagdá 10m em homenagem ao Paulada (1990)

GB: Paulada e Estrellar um dia voltará?
Paulada: Olha, um tempo atrás, encontrei um amigo num churrasco e ele fez a mesma pergunta. Aliás, sempre que encontro um baloeiro, me fazem essa pergunta, mas vou te contar uma coisa que nunca havia contado pra alguém: Nessa festa que falei, esse amigo que é baloeiro me fez um convite para fazer um balão com ele, mas com um projeto meu. Eu topei, ainda não começamos mas, em breve, verão um novo balão da Estrellar. Deixa só chegar a hora certa, que não está longe, que vou chamar o Edu e fazer esse balão com esse amigo secreto (risos).

Bagdá 14m – 1987

GB: Você acompanha os balões atuais, o que acha de tudo que evoluiu nesses anos todos?
Paulada: Sabe quando está aquele calor, você vai lá pegar uma cerveja gelada e quando vai beber ela está choca? É isso que sinto ao ver os balões atuais. Totalmente sem encanto. Todos são muito parecidos, pelo que vejo falta criatividade, carinho, amor e dedicação pelo balão. Tenho alguns amigos que me mandam algumas fotos pelo WhatsApp, mas raramente algo me chama a atenção. Se eu não tivesse parado, provavelmente pouca coisa mudaria no meu estilo. Eu continuaria extremamente dedicado, perfeccionista e buscando sempre fazer algo inovador e acima de tudo bem feito.

GB: Qual o legado que a Estrellar deixou?
Paulada: Sem dúvidas o amor pela perfeição. Eu e o Edu fomos o casamento perfeito de uma turma de balão. A gente se entendia em tudo, principalmente em relação a perfeição. Sempre fomos perfeccionistas, nossos balões pareciam um livro na mesa, os traços perfeitos, cores adequadas, buchas bem feitas, detalhes bem pensados… Foram pouco mais de 9 anos fazendo balão com ele e os meninos e tenho a sensação de dever cumprido. Sei que minha forma de pensar, até mesmo as minhas atitudes não eram de um cara perfeito, mas espero que toda essa história sirva de exemplo a todos que estão lendo que é possível sim, fazer e ser o melhor sempre.  Eu sempre fui dedicado ao balão, ganhei e perdi muita coisa com ele, mas não me arrependo de nada. Sempre busquei ensinar a molecada, cobrava para que sempre fizessem o melhor, que aprendessem… Tinha um menino que sempre estava na bancada, nos ajudava e numa armação, acho que foi a do Chico Mendes, enquanto ele estava nas guias, esse menino estava comigo em uma das guias e sempre falava pra ele: “sempre tenha amor a isso que estamos segurando. Sempre tenha um estilete para alguma emergência e jamais vire as costas para o que você fez com tanta dedicação…

Nota da GB: Paulada, extremamente emocionado, tivemos que parar a entrevista nesse momento.

GB: Qual a mensagem que gostaria de deixar para todos que admiram a Estrellar?
Paulada: Eu nunca fui muito de ligar pra essas coisas. Pra mim, o balão era a estrela principal, mas com o passar do tempo, entendi que nós que o fazemos, temos sim que saber lidar com uma certa fama. No começo isso me incomodava, não aceitava, mas hoje eu penso diferente. Teve até um dia que estava num samba na Casa Verde que chegou um cara, que me desculpe, não lembro o nome, e me mostrou uma tatuagem que fez na perna com um de nossos balões. O cara era fã mesmo, sabia tudo. Tamanhos, quantidades de lanternas, tamanho das armações e tudo mais. Fiquei surpreso, um pouco assustado mas fiquei feliz em saber que ele e tantas outras pessoas lembram até hoje das coisas que fizemos. Mas se tiver que deixar uma mensagem a todos, que façam seus balões sempre com amor. Desde o primeiro gomo a última travessa da armação a sair da mão. Estudem os temas, escolham os melhores desenhos, os melhores materiais e acima de tudo, feche cada bainha com amor e carinho, pois só assim, conseguirá êxito no que fazem, assim como nós fazíamos. Agradeço a você, Dinho, pela oportunidade de contar a nossa história e a todos os baloeiros que sempre admiraram os balões da Estrellar.

Confira os Vídeos:

Gostou? Curta e Compartilha!
  • 96
    Shares

Mande seu Recado:

Copyright © 2006 / 2019 - Gazeta do Balão | Todos os Direitos Reservados - Permitida a reprodução com citação da fonte
error: Não copie, compartilhe!