Gazeta do Balão
GNB Paixão – SP
Publicado em 14/08/2011

Nesta edição da GB vamos conhecer a história de 2 turmas. Turmas que nasceram distintas e se uniram não só por destino e também pela amizade, companheirismo e acima de tudo, respeito e amor aos balões: Grupo Nosso Balão, conhecida como GNB e a Turma da Paixão.

GB: Como foi o início de cada um de vocês no mundo do balão:

Paulinho: Eu cresci na Vila Nova Conceição, bairro da zona sul de São Paulo próximo a Santo Amaro e soltava balões marias-pretas desde criança. Em 1980, conheci o Celso da Turma de Moema. Com ele aprendi a fazer os balões modernos, porque na época, ele cortava muitos balões e foi ele a primeira pessoa que vi fazer um modelado. Ele pegava um gomo de Mixirica e na tesoura, dava as formas no gomo. Junto com ele, conheci o pessoal da Praça (Aeroporto), o Sergio, Tinão e o Renato (Dez de Ouros). Juntamente com eles, vi os principais festivais e balões da época. Meu irmão Roberto, já falecido, sempre me incentivava e como eu era moleque, ia me buscar nos campos após a soltura dos balões.

6×6 – Amizade solto em 1982

Em 1982, fugi de casa para ver o 6×6 da turma da Amizade no Ipiranga, fomos atrás dele, ele caiu na Vila Maria. Foi alucinante! Eu um moleque em cima da casa brigando com o pessoal da Dez de Ouros pra ficar com a gaiola. Naquela época quem ficava com o balão ficava com tudo e eu só queria a gaiola pra ver como fazia.  Cheguei do resgate da armação da Amizade em casa na madrugada e fiz a burrice de ir dormir. Eu apaguei e perdi a hora. Na manhã seguinte iria subir o 33×33 da Piratas do Céu. Infelizmente perdi.

33×33 – Piratas do Céu – 1982

Depois daquele dia nunca mais voltei pra casa quando tinha balão de noite e outro na manhã. Afinal quem me conhece sabe. Quando eu durmo, pode acabar o mundo que não acordo (risos). Minha primeira turma se chamava Turma do Foguinho. Soltávamos balões pequenos e o maior foi um 4×4. Na época tinha a nossa turma, a Turma do Sabiá e a Turma Beira Rio. Naquela época as turmas cortavam o balão na segunda, fazia ele na semana toda e o soltava no sábado. A cada fim de semana tinha um balão, na maioria armações de cada uma das turmas e quando o tempo ficava ruim, acumulava tudo e subia tudo junto. Em 1982, época de Copa do Mundo, o Tinão (Praça), tinha um galpão do lado do Aeroporto com um monte de bancadas. Cada uma pra uma turma: A Praça, Moema, Neblina a nossa. Uma ajudava a outra. Nessa época eu conheci o Bira, conhecido vendedor de fitas de balões na época. Ele me apresentou as principais turmas da época. Fomos grandes amigos e cheguei até a namorar sua cunhada, a Ana Claudia. Chegamos a fazer um 6×5 pra ela.  Nessa época mudamos o nome para turma da Paixão. A mudança não foi por causa dela e sim pela nossa paixão pelos balões que era maior do que tudo. E assim foi nossa história. Durante toda a década de 90, soltamos alguns balões, conheci muita gente boa, vi muitos, talvez todos os principais balões e festivais de São Paulo e Rio de Janeiro.

10×9 – Turma da Paixão solto em 1989 de Itapevi

Emiliano: Eu desde criança gostava de balões. Lembro que meus pais me levavam aos festivais e sempre minha mãe tinha que recorrer ao sistema de som pra me encontrar no meio da multidão, pois eu sempre sumia. Na minha rua, no bairro de Parada Inglesa, tinha uma turma chamada Parada do Balão. Eu sempre que podia ia lá, não entendia muito, pois era criança, mas sempre ficava atento e procurava entender, conhecer aquele mundo tão fascinante. Depois de um tempo, me mudei para a casa onde moro e na minha rua também tinha uma turma, a Brisa. Fazíamos balões na casa de um cara chamado Ricardo e nessa casa, conheci o Zelão, pai do Bruno que era um bebê na época. Com o tempo, começamos a ver balões juntos, correr atrás dos balões.

Em 91, o Zelão me levou para ver o 14×14 da TZN e meses depois, me apresentou a eles e comecei a fazer balões na TZN, onde fiquei por 8 anos.

14×14 – TZN (1991)

Após sair da TZN, decidi fazer minha própria turma, o Grupo Nosso Balão, ou GNB como é conhecida. O engraçado é que poucas pessoas sabem o que significa GNB e isso já deu muitas histórias. Já fomos chamados de Gás Natural pra Balão, Gays na Balada, Grupo Nóis é Bobão e assim vai (risos).
No começo a turma era composta por mim (Emiliano), o Ricardo, o Mezenga e com o tempo a turma foi crescendo, chegaram o Brown e o Bruno, filho do Zelão.

GB: Como a Turma da Paixão se uniu ao Grupo Nosso Balão?

Paulinho: No começo da década de 90, o Bira me levou para conhecer uma fábrica de Bexigas. Essa fábrica era do Emiliano. Com o tempo, nossa amizade foi crescendo e durante anos, frequentei a bancada da TZN, sua turma na época, íamos ver balões, íamos para os resgates, viagens juntos.

Ajudava na soltura dos balões da TZN e ele me ajudava nas solturas de nossos balões, que na época soltávamos com a turma Vila Nova. Após me casar em 2002, vim morar na zona norte, ficamos mais próximos e a união foi questão de tempo.

Emiliano: Nessa época, o Paulinho iria soltar um pião de 16 em homenagem a sua esposa. Como tínhamos uma Bagdá de 11m pronta e somos muito afobados, pegamos a bandeira de um 6×5 do Walt Disney que já estava pronta e soltamos junto com o pião. Cada balão subiu com sua turma, mas dali pra frente nunca mais nos separamos. Depois soltamos o 6×5 com armação.

GB: Até a união das turmas, cada uma fez sua história. Quais foram os balões mais marcantes de cada uma?

Paulinho: Eu sempre fui louco e o Emiliano também, acho que por isso que nossa amizade deu certo e cresceu tanto. Lembro que no meu caso, fazer um pião grande (29) de seda foi considerado na época uma loucura por muita gente. Mas deu certo, ele subiu e foi muito emocionante.

Pião 28m – Paixão e Vila Nova – 1999

Emiliano: Pra mim o balão da minha vida, sem dúvidas, a Bagdá de 54 metros. Na época, quando cheguei na TZN a turma era grande, respeitada e todos queriam fazer um gigante mas realizar mesmo faltava uma iniciativa. Me lembro que peguei as resmas de Hulk, comecei a emendar as folhas e levei para o Paulinho da Ícaro cortar. Ele fez as contas e me disse que o papel não dava. Sugeriu que colocasse alguns gomos brancos e assim foi. No começo a turma não ajudou, torceu o nariz mas com o tempo, “abraçaram” a ideia e fomos até o fim. Foi a realização de um sonho colocar aquele gigantesco Bagdá para os céus e me sinto orgulhoso e feliz por ter realizado um dos meus principais sonhos.

Bagdá 54m – TZN – 1997

GB: Por fazer parte de uma das principais turmas de resgate das décadas de 80 e 90, a TZN, qual foi a aventura mais alucinante?

Emiliano: São várias! (Pensativo). Mas sem dúvida o melhor foi do 16×16 da Cegonha.

16×16 – Cegonha – 1996

Lembro que nesse dia, o balão apagou em cima da Marginal, por todas as ruas que íamos o balão estava em cima da gente. Já em Guarulhos, o balão estava baixinho e um carro começou a nos seguir. Onde íamos ele estava lá na nossa cola. Ficamos com medo, hora achávamos que era baloeiros, hora que eram ladrões.

Teve uma hora que ele estava baixinho, dava pra ver aquela pelota apagadona, as gaiolas e tive que entrar numa praça movimentada e parar. Quando fomos ver era uma galera de Campinas que nem sabia do balão. Só estava nos seguindo porque no meu carro tinha um adesivo da TZN e eles nos seguiram pois sabiam que estávamos atrás de alguma coisa boa. Devido a isso perdemos o balão. No dia seguinte a Balocaia achou os restos do balão próximo de onde estávamos caído na rua.

GB: Uma das características de vocês são o intercâmbio entre as cidades brasileiras e na França. Como que isso começou?

Egbert, Emiliano e Tura na Copa Ícaro de 2008 na França

Paulinho: Eu conheci o Egbert (Arte Proibida) através do Bira. Eles trocavam fitas na década de 90 e nos tornamos grandes amigos. Assim como aconteceu com o Egbert, o Bira também me apresentou o Zeca (Amizade). Esse cara era como um pai. Sempre nos tratou bem e com ele aprendemos que o balão realmente pode proporcionar amizades verdadeiras. Ele tinha uma  frase memorável que dizia: “Você pode gostar de balão igual a mim, mas não mas do que eu!”. Se um amigo fosse soltar um 3×3 branco a quilômetros de distância e tivesse um 50 metros ao lado de casa ele ia no 3×3 pela consideração e amizade as pessoas e essa “essência” temos até hoje. O querido Zeca se foi, ensinou a muitos no balão a ser baloeiro e hoje, nosso maior amigo é sem duvida o Papi (Egbert). Sempre nos recebeu bem. Desde a nossa primeira viagem, ainda como Paixão e TZN fomos bem recebidos. Nessa época o pessoal de Curitiba vinha pra minha casa, nós íamos para a deles. Já cheguei a ter 40, 50 piás hospedados em minha casa. Nesses 20 e poucos anos tanto eu como o Emiliano ganhamos grandes amigos, viajamos centenas de vezes no eixo Curitiba – Rio de Janeiro e nunca medimos esforços para realizar nossas loucuras. Em 2001, chegamos, num feriado prolongado, a ver balões na quinta a noite no Paraná, sexta de manhã em São Paulo, sexta a noite no Rio, sábado a noite em São Paulo e no domingo de manhã em Curitiba. Chegamos a publicar em nosso jornalzinho na época a metragem de balões que víamos por fim de semana. E nem sempre era de carro. Às vezes era de ônibus mesmo. Era uma loucura! Não tinha balão que a GNB não sabia. Tínhamos um lema: pro cara esconder o balão ele não podia contar nem pra mãe senão a gente sabia. (Risos). Tinha um cara que não queria contar onde ia soltar o balão. Eu liguei na casa dele, me identifiquei como o Paulinho da farmácia, (que obviamente ela nem conhecia), puxei assunto com a mãe dele sobre outros assuntos e ela sem saber que éramos baloeiros falou que o filho dela não estava porque foi soltar um balão no campo “tal”. E lá estávamos nós!

GB: Vocês também são conhecidos pela irreverência em suas filmagens, sempre alegres, narradas e divertidas. De onde surgiu o jargão “GNB Paixão e você, tuuuuuudo a ver!” ?

Paulinho: Como todos sabem, conheci o Bira na década de 80 e fomos até compadres, mas ele tinha um jeito sério, padronizado de filmar os balões. Era raríssimo ele falar alguma coisa na filmagem além de apresentar timidamente o balão e finalizar com sua célebre frase “ao vivo e a cores para todo o Brasil”. Mesmo convivendo com ele por tantos anos, decidimos começar a gravar nossas aventuras para nós e não por intenção de vender as fitas como ele fazia. Fazíamos por prazer, diversão, fato que sempre que íamos em algum balão levávamos as fitas e dávamos de graça aos amigos. Em relação as narrativas e brincadeiras elas são o espelho de nós mesmos. Quem nos conhece sabe que é comum chegarmos em campos e festas com alguma fantasia e lembrarmos de nosso amigo Moabe através do nosso mascote também chamado de Moabe, o burrinho do filme Shrek. Fazemos por prazer, gravamos por diversão, registramos para nós. Quando fazíamos o jornal nossa intenção era de contar nossas aventuras e hoje, contamos em vídeo para nossa recordação.

Mascote “Moabe” no Pião 49m da Taz Magia e Correria em 2008 no Paraná

Uma família apaixonada pelo balão e unida pelo balão.

Uma grande história com muitas estórias. Assim classifico essa grande turma como é a GNB Paixão. Sou suspeito para falar, pois conheço o Paulinho há mais de 15 anos, mas aprendi a admirar a todos de sua turma em tão pouco tempo. Haja linhas e caracteres para contar tudo que ouvimos dessa galera. E olha que é muita história. Conheci grandes baloeiros, enormes amigos de todos e acima de tudo amigos do balão. Sem dúvidas uma grande família, uma grande união em pról de sua paixão pelos balões. Sempre bem vindos em qualquer lugar que vão, admirados pelas suas loucuras e uma turma com muitos “causos” pra contar.

Agradeço a todos: Paulinho, Emiliano, Bruno e Brown pela recepção e amizade e desejo-lhes sucesso em seus projetos e muita disposição para alcançar seus objetivos. Obrigado, em nome do mundo do balão por tudo que fazem aqui, ali e lá fora por representarem nossa arte. Valeu!

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