Olá amigos! Nesta edição trazemos a história de um grupo de amigos apaixonados pelo balão há mais de 30 anos que formam uma das mais importantes e conhecidas turmas de baloeiros da zona leste de São Paulo: O Grupo Ufo de Baloeiros, contada pelo nosso querido Hemerson mais conhecido como Boi:

GB: Como nasceu a equipe, ano, escolha do nome…

GU: O Grupo Ufo nasceu em 1980, era um grupo de amigos da Vila Invernada, bairro da zona leste que gostavam de radio amador (Fio e Pinguim). O grupo se chamava Grupo UFO de Radio Amador. Havia outros amigos em comum que soltavam balões no bairro (Zão,Galo e Magrão). Logo o radio amador ficou de lado e virou Grupo UFO de Baloeiros.

GB: Vocês se inspiraram em algum filme para a escolha do nome?

GU: A ideia de Grupo Ufo veio do Pinguim. Ele tinha uma antena enorme de radio amador e falava que pegava sinal até do espaço (Risos), daí para um disco voador foi um pulo!

GB: Quais foram os primeiros balões do Grupo Ufo?

GU: O primeiro balão foi solto em 1980 e era um 3×3 bojado com o tema do Scooby Doo. Depois soltamos no mesmo ano, um  4×4 com decoração de rosas também bojado, um 6×6 fogueteiro noturno, nosso primeiro fogueteiro noturno. Esse balão deu início a nossa paixão por fogueteiros. Depois dele soltamos um  8×8 fogueteiro noturno e por ai vai.

GB: E a sua historia até chegar no grupo Ufo, como foi?

GU: Eu fazia e soltava meus balões desde criança e durante toda a década de 80, fazia na casa da minha avó com a minha turma que se chamava Balório. No fim da década de 80, conheci o Pinguim na antiga loja da Cecilia Fogos que ficava na Anhaia Mello. Nós conversávamos muito. Ele perguntava dos meus balões, me dava umas dicas e falava da UFO pra mim. Dali começou a nossa amizade que dura até hoje. Nesse tempo comecei a ajudar outras turmas, passei algum tempo na Balões KUKA, do finado Miltão, outro grande amigo que deixa saudades. Ali encontrei o pessoal todo da UFO. Em 89 eles estavam preparando o 12×12 fogueteiro noturno, comecei a ajudar e naquela hora não tive duvidas que ali era o meu lugar .

GB: Quais os principais balões do Grupo Ufo, no seu ponto de vista desde a sua entrada até os dias de hoje?

GU: o primeiro que participei efetivamente foi o 12×12 fogueteiro noturno em 1989. Quem viu se lembra do um show que deu em cima da Vila Guilherme. Depois veio o 7×7 feito em homenagem ao Trote, um dos campos de soltura de balões no começo dos anos 90 que existe até hoje e é conhecido como Clube do Trote da Vila Maria / Vila Guilherme na zona norte de São Paulo. Esse balão foi especial porque, para nossa surpresa,  ganhamos a Boca de Ouro de 1990 na categoria Decoração de Ouro, hoje conhecida como Batata de Ouro com bandeira. Depois dele soltamos o golfier de 12 metros do Conan, outro balão que marcou pois foi capa do álbum de figurinhas, o 14×14 fogueteiro noturno solto no campo do Flor da V.Formosa, balão marcado pela grande união de nossa turma pois fizemos ele em 12 dias, uma loucura! E o Truffi de 24 fogueteiro diurno solto no campo do Búfalo, na Avenida dos Estados em 1993, o ultimo balão que fizemos na melhor bancada que ja tivemos.

Entrega do troféu Decoração de Ouro de 1990 pelo Bia (Luar Vl. Sônia) ao Hemerson em 1991

GB: O que aconteceu com essa bancada?

GU: Até 1989, ano que entrei na turma, a bancada era no fundo de uma oficina do nosso amigo Sansão. Foi lá que fizemos o último balão, o 7×7 do Trote. Por problemas pessoais dele tivemos que sair do local. Desesperados e sem bancada, outro integrante da turma, o Luiz Leiteiro falou de um salãozinho no fundo da casa dos pais dele, o Sr. José e Dna. Belinha que hoje não estão mais conosco. Que Deus os tenha em um ótimo lugar. Neste salão montamos 2 bancadas de 6 metros e ali era um lugar que só foi alegria e união, até o momento que Deus chamou estas pessoas para perto dele. Isso aconteceu quando estávamos fazendo o Truffi de 24 e o Luiz com a perda dos pais precisou vender a casa e tivemos que sair. Foram 4 anos maravilhosos que vivi ali. Foi uma lição de vida pela amizade e respeito que tínhamos um pelo o outro.

GB: Qual é a opinião de vocês sobre festivais? Participaram de alguns?

GU: Participavamos de todos que nos chamavam. Sempre gostamos e participamos de muitos, principalmente os da Turma da Saudade na Vila Piauí, em Pirituba.

GB: Em 1988 resgataram o pião de 35 metros da Praça de Pirituba e o soltaram no festival de Campinas no ano seguinte. Feito raro na época. Como são as histórias do Grupo Ufo em relação a resgates?

GU: Resgate nunca foi o nosso forte. na maioria das histórias resgatamos somente balões pequenos mesmo. O pião de 35m da Praça subiu num dia lindo, cheio de balões no céu. Naquele dia teve uma revoada na RTC na Lapa. O pião subiu de um campo lá na Estrada Velha de Campinas e passou em cima da RTC. Naquele dia toda São Paulo estava embaixo do balão e nós também. Assim como os balões da RTC, ele caiu na zona sul no meio da Represa Billings. O balão perdeu a bandeira, desfilou e caiu dentro da Represa num clube do Santos. O primeiro a entrar na água foi o Osmar. Ele não era da turma era e é até hoje meu amigo. Entrou nadando e pegou o balão sozinho. Chegamos junto e o ajudamos a tirar o balão da água. Muitas turmas quiseram levar o balão na força, mas nós não deixamos. Lembro que o Osmar não tinha como trazer o balão, nós o trouxemos até a bancada da Ufo e ficou decidido que arrumaríamos o balão e soltaríamos todos juntos. Ele chegou a molhar, rasgou na parte da boca e tivemos que refazer o cone da boca. Como não tínhamos papel verde foi vermelho mesmo.

GB: Gigantismo…

GU: Sempre gostamos de balões grandes. Vínhamos numa crescente até 1993, quando perdemos a bancada. Nessa época tínhamos projetos de balões bem maiores, mas depois desse ano começamos a passar por dificuldades de espaço que foi fazendo o entusiasmo pelos grandes diminuir.

GB: Um balão que quis fazer e não fez?

GU: Sem dúvidas o pião de 40 metros que era o projeto depois do Truffi de 24. Hoje depois de ter atravessado uma fase difícil na minha vida, estou retomando a alegria de fazer os meus projetos e acho que este sonho não esta tão distante de ser realizado.

GB:  Boca de Ouro…

GU: Participamos por várias temporadas, ganhamos apenas a Decoração de Ouro em 90. O pessoal tinha uma obsessão pelo fogueteiros noturnos, mas nunca ganhamos. Acho que muitas das vezes que perdemos foi justo,mas a maioria do pessoal da turma não concordava. Para não haver mais essa polêmica decidimos parar de participar. Há muitos anos ela tomou uma proporção que fugiu totalmente do foco principal. Hoje se criam muitas brigas e confusões por apenas um troféu, por isso não vale a pena. O balão pra mim sempre foi um elemento de agregar as pessoas, de gerar felicidades e amizades e este troféu hoje está provocando intrigas e inimizades.

GB: Um momento difícil:

GU: Sem dúvidas a perda da bancada em 1993 com a morte dos pais do Luis. Com a perca da bancada nós ficamos fazendo várias mudanças e a maioria dos integrantes da turma se afastou.

GB: Na sua opinião, qual o nível de segurança dos balões hoje de 0 à 10:

GU: Com os materiais que temos disponíveis hoje, todo o conhecimento que se tem deles eu daria 10, mas como muita gente ignora isso por simples vaidade, eu fico com 6!

GB: 3 turmas ou pessoas que merecem destaque nesses 31 anos de Grupo Ufo:

GU: Caramba é difícil… mas duas que sempre estiveram com a gente quando precisamos foi a Emenda e Anjos.

GB: Como vê os balões ecológicos? Acredita que os baloeiros vão se adaptar a essa nova prática?

GU: Olha, eu como muitos, torcia o nariz, mas depois desse recente em Mogi que eu fui prestigiar, comecei a mudar meu pensamento. É uma boa alternativa de mudar a visão da sociedade sobre nós desde que o pessoal dos resgates mudem a sua conduta se não nada vai adiantar.

GB: Já que falamos em imagem, para vocês, o principal fator que prejudica a nossa imagem quanto a sociedade é o resgate ou os balões fogueteiros?

GU:Para mim são os dois. Infelizmente são situações que dependem da consciência das pessoas e justamente nessa hora que se a perdem. Quando um balão está caindo parece que viram feras atrás da caça e na soltura de um fogueteiro, por vaidade perdem o equilíbrio e acabam extrapolando na montagem da carga.

GB: O que você acha que poderiamos fazer para mudar?

GU: Cara, eu gostaria de ter a resposta. Talvez a nossa arte passasse a ser respeitada, mas a sociedade em que vivemos hoje é dessa maneira. Ninguém respeita ninguém. Um quer passar por cima do outro, sempre quer levar vantagem. Espero que o pessoal tome consciência que o caminho é se unirem, tanto nos resgates, como na confecção de seus projetos. Pedir a opinião de quem já passou por isso, soltarem os seus balões no dia certo e não arriscar a soltar se não tiverem certeza que o dia esta perfeito. Espero realmente que este dia chegue!

GB: Balões que vocês viram subir e marcaram de alguma forma a vida de vocês:

GU: Pergunta difícil pra mim pois todo balão que vejo subir é especial. Penso, assim porque sei que por traz dele, tem muito sacrifício, horas e horas de trabalho e muitas vezes, se abrimos mão de estar junto da família para se concretizar aquele projeto. Por isso não faço distinção de nenhum.

GB: Cite um ou mais fatores que julgue serem os maiores responsáveis pela mudança dos balões em comparação aos balões do passado?

GU: Eu acho que a primeira grande virada na construção do balão foi a colocação do cordão e depois das argolas que substituíram a colagem de boca. Só quem transportou sabe que trabalheira que dava,. Depois o cintamento com durex, uma facilidade na confecção dos balões.

GB: Pra finalizar, o que significa pra vocês, a palavra BALÃO?

GU: Amizade e respeito acima de tudo. Sem estes elementos a nossa paixão que é balão de nada serviria.

GB: Espaço Livre:

GU:Primeiramente agradeço a Deus. Sem ele a gente não é nada. Gostaria de agradecer a todos os componentes que passaram pelo Grupo UFO nesses 31anos de historia. Sem a amizade e a dedicação de cada um não teríamos chegado até este momento.Não vou citar nomes, mas todos sabem do seu valor e da consideração que tenho por eles e a todas as turmas que nos ajudaram de alguma forma em nossa trajetória. Muito obrigado a todos.

GB: Em nome da Gazeta do Balão gostaria de agradecer ao amigo Hemerson pela entrevista e grande amizade. Quem o conhece sabe de seu amor aos balões e enorme carinho que tem pelos amigos sempre os recebendo bem em seus famosos churrascos. Um grande abraço a todos!

Álbum de Fotos do Grupo Ufo de Baloeiros

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