Amigo Jornalista.
O intuito desda página é expor a opinião dos baloeiros em relação ao trabalho de vocês ao transmitir notícias sobre balões além de falar um pouco sobre nossa arte proibida pela lei 9605 de 12 de fevereiro de 1998.

SAB – Sociedade Amigos do Balão

Fundada em 98, a SAB é uma associação que tem como objetivo principal e único, defender a cultura e a prática de se soltar balões no Brasil.
Presidida por Marcos Real, a SAB desenvolve projetos, experiências e testes com o intuito de provar que existe um balão seguro além da conscientização dos baloeiros para soltarem balões seguindo normas de segurança. A  SAB não incentiva a prática, não organiza campeonatos, não ensina ninguém a soltar balões e não tem como objetivo defender os baloeiros. Defendemos o balão, como objeto cultural e patrimônio de nosso folclore. Realizamos 3 provas de campo, realizadas com balões onde utilizamos técnicas de segurança elevada e nesses testes, tivemos êxito em caírem apagados e em áreas longe de aeroportos, residências e indústrias petroquímicas. A seguir, faço pequenos resumos sobre a prática de soltar balões e pequenas explicações para que vocês, ao dar notícias sobre balões, façam de forma correta, informando a notícia com perfeição e sem absurdos que, por falta de um conhecimento altamente compreensível, mascaram a informação causando revolta entre pessoas que conhecem o assunto:

O início e desenvolvimento da prática no Brasil

Não se tem uma data exata e nem de onde realmente a cultura de soltar balões tenha nascido. Alguns acreditam que vieram dos chineses, outros dos portugueses, mas, enfim, há mais de 300 anos que essa prática é realizada no Brasil. Os balões atuais, se desenvolveram no bairro do Méier, subúrbio carioca nos meados da década de 60. Até o fim da década de 70, a prática era voltada apenas nos meses das festas juninas entre famílias e grupo de amigos. Com o passar dos anos, começaram a se formar grupos e o fascínio pelos balões fez com que eles fossem crescendo de tamanho e ganhando formas. Há registros de que os primeiros balões “da era moderna” começaram a ser soltos a partir de 1974 no Rio. Em 1980, o balão “moderno” chegou a SP e no ano seguinte, uma exposição de balões na Casa das Retortas, incentivou muitas pessoas “amadoras” a se especializarem e começarem a construir balões diferentes dos balões juninos que eles soltavam tradicionalmente durante as festas juninas. Balão junino até hoje, é aquele pequeno balão, normalmente sem nada preso a sua boca que é feito sem molde e não passam de 4 metros. São chamados de Maria-preta e os modelos mais conhecidos são: caixa, almofada, pião de gomo torto, charuto, bocudo e barrica. Em 1983 já podíamos contabilizar cerca de 150 turmas de baloeiros no Rio e seus balões já ganharam maiores proporções. A cada ano, novas turmas foram aparecendo e com as realizações de festivais, essa febre foi ganhando cada vez mais adeptos. Com o surgimento da lei em 1998, muitas pessoas pararam e os festivais pararam de ser realizados. Nos dias de hoje, são raros, praticamente extintos.

Porquê a prática não acaba?

Não é difícil de entender o porquê que a prática de se soltar balões no Brasil não acaba mesmo sendo crime federal. O balão, independente de ser perigoso, fascina de uma criança a um idoso. Todos sabem que os balões são bonitos e perigosos. Mas ele é perigoso, na maioria dos casos por causa de atitudes de pessoas despreparadas e amadoras. Baloeiro amador, é aquela pessoa “normal” que gosta de balões e se reúne com amigos, normalmente na época das festas juninas, compra materiais num bazar e constrói um pequeno balão, sem conhecimento real da forma correta e segura na qual ele deveria ser feito e solto. A maioria dos acidentes com balões nessa época são causados por essas pessoas. Há muitos anos, os baloeiros fazem campanha para não soltar balões nessa época. Muitas turmas tiram férias, param completamente não só por causa da repressão da polícia e da mídia que é maior nessa época, mas também por estar no outono, época de tempo seco e com probabilidades maiores de incêndios caso acidentes com balões aconteçam. Essa é a verdadeira realidade.
Nosso intuito, como já disse é apenas orientar a imprensa para que dê a informação correta, mas para isso tem que haver um bom senso pelos redatores e editores de texto. Por muitas vezes, aliás, sempre vemos matérias onde a mídia diz que um balão leva botijões de gás, bandeiras de pano, buchas de 1 tonelada e isso faz com que a pessoa que assista entre em pânico ao ver um balão sobre sua casa. Parando pra pensar, quem destrói uma casa por exemplo, não é o balão e sim o baloeiro. Então, a nossa luta é de conscientização do baloeiro para que façam resgates organizados, sem brigas e caso hajam danos, que eles sejam corrigidos pelas pessoas envolvidas, fato que já acontece em muitos casos de acordo com nosso levantamento.

O balão e a mídia

Uma coisa é fato: a notícia tem que ser dada, sendo boa ou ruim. Esse é o papel da imprensa. Independente se ela é justa com a parte atacada e não dá direito de resposta como a Constituição ou até mesmo a ética proposta pela lei de imprensa. Por favor, em nome dos baloeiros, pedimos que, quando der a notícia, que ela seja limpa e correta, sem causar fantasia às mentes de quem a assiste. É freqüente observarmos erros nas informações dadas e acreditamos que elas não são dadas assim por má fé e sim por desconhecimento de causa dos redatores e editores de texto. Entendemos que isso é normal, pois ninguém é obrigado a conhecer tudo, porém o dom de aprendizado nasce com qualquer pessoa, desde que ela se importe em ser correta, imparcial e procure fazer seu trabalho com perfeição. Lamentamos sempre que acidentes acontecem com balões, mas invés de criticarmos a mídia por fazer o seu trabalho, procuramos como em qualquer atividade que aconteçam erros, buscar o motivo real para podermos desenvolver formas de evitar que tais acidentes se repitam. Muitos erros são comuns ao vermos matérias sobre balões.
A Gazeta do Balão apóia todo e qualquer trabalho realizado pela imprensa e sempre estará do lado da melhor e mais correta informação. Balão é perigoso sim, mas nas mãos de quem não tem conhecimento e responsabilidade. Nossa luta pela regulamentação continua, pois sabemos que balões seguindo normas de segurança pré-estabelecidas são seguros, porém, discutir se a lei é justa ou não, deve ser feita com legisladores e não com a imprensa que apenas faz o seu trabalho de informar seus telespectadores.
De qualquer forma, estamos à disposição para outras informações e quaisquer necessidades.
Um grande abraço