João Ely, a primeira estrela do mundo do balão | Gazeta do Balão

Hoje com a expansão da internet e das redes sociais, muitas pessoas ligadas ao balão acabam sendo conhecidas sejam por seus balões, pelo seu comércio, seu talento em projetar ou fabricar algo, pelos resgates incríveis, pela luta política e porque não em dizer o que pensa.

Mas no passado, lá no começo do balão carioca “moderno”, tudo era igual. Chegava os meses de junho e julho, as festas juninas e com elas, os balões. Das festas nasceram as turmas que, até então eram conhecidas pela rua ou pelo bairro onde soltavam os balões.

Assim nasceram a Ouro Preto, Hermínia, Cachambi e por ai vai. Mas naquela época, João Ely, um artista nato, morador de Niterói, com ideias muito além dos baloeiros mais populares se destacava e seus balões, são lembrados até hoje por quem gosta de história.

De acordo com a história, Ely foi um, senão o primeiro a confeccionar balões bordados, os decorados que chamamos nos dias de hoje e com cola escolar sintética, a popular Tenaz, no começo dos anos 60.

Seu estilo era inigualável. Amante dos antigos Piões Careca ou Carecas de Padre como chamamos aqui, esse formato de balão era muito popular nos céus cariocas nos anos 60 e sempre que João Ely se reunia com amigos para soltar um balão, dezenas de pessoas acompanhavam em êxtase e admiravam os desenhos, até então raros de se ver num balão:

O começo da amizade com o pessoal do outro lado da ponte nasceu num programa na extinta TV Rio que era apresentado por Jair de Taumaturgo um dos grandes apresentadores na época que faleceu em 1970. Nesse programa que se chamava Clube do Bolinha, teve um concurso de balões e João Ely ganhou com um balão em homenagem ao Flamengo, campeão carioca naquele ano.

Nesse concurso conheceu Ivo Patrocínio. A amizade dos dois o trouxe para o coração do balão carioca, a zona norte/oeste onde as primeiras turmas nasceram no Rio.

Entre tantas histórias de seus balões, a melhor delas foi o do Walt Disney em junho de 1967. No ano anterior, ao saber que o criador do Mickey Mouse estava doente, João Ely resolveu fazer um balão em sua homenagem e enviou para a sede da Disney nos Estados Unidos uma carta com detalhes do balão e convidou o mestre americano para acompanhar a soltura.

Semanas depois ele recebeu a resposta por telegrama agradecendo o convite e dizendo que aproveitariam uma viagem a America latina no ano seguinte e que iriam até Niterói para acompanhar a soltura do balão.

dsiney

Mas Disney faleceu em dezembro de 1966 e, em junho de 1967 um diretor da Disney cumpriu a promessa e veio ao Brasil. Ao chegar, ele solicitou a embaixada Norte Americana que registrasse a soltura do balão e, devido a isso, o evento ganhou uma proporção imensa e a prefeitura carioca proibiu a soltura. O balão foi inflado com as técnicas da época onde o bico era preso numa vara de bambú e o balão inflado com um pequeno ventilador. Tinha alguns personagens ilustrados no balão que não eram de Disney como o Pica Pau (Walter Lants), Pernalonga (Merrie Melodies, hoje Warner Bros) e Zé Colméia (Hanna Barbera) mas é compreensível, afinal, a comunicação na época era bem diferente. Emfim, depois de muito bate boca e alguns cafezinhos, se é que me entenderam, convenceram o oficial de justiça que o balão seria inflado e ficaria preso numa corda. Obviamente era papo furado e o balão subiu sob aplausos de dezenas de executivos da Disney, Políticos e Personalidades cariocas que lotaram a quadra do Fonseca Atlético Clube em Niterói.

Veja o vídeo da soltura, provavelmente o 1º vídeo em Super 8, registrando a soltura de um balão:

João Ely, ainda vivo não faz mais balões, mas seus balões, suas Carecas de Padre sempre bem decoradas com temas de futebol, concurso de Misses, Jogo do Bicho e Personalidades históricas sempre ficarão marcadas na nossa memória como verdadeiras obras de arte lançadas aos céus carioca a cada mês de junho.

Comentários:

Copyright © 2006 / 2018 - Gazeta do Balão | Todos os Direitos Reservados - Permitida a reprodução com citação da fonte