Luar da Vila Sônia - SP | Gazeta do Balão
Luar da Vila Sônia – SP
Publicado em 07/03/2019 | 8281026 Visualizações

Olá amigos da arte! Hoje vamos relembrar uma grande turma que se destacou nos anos de 1980 a meados dos anos de 1990 com grandes balões, alguns deles inesquecíveis e histórias de amor incondicional ao balão que encerrou suas atividades cedo, mas deixou muitas saudades entre nós, a Luar da Vila Sônia, turma que leva o nome do bairro que foi criada na zona sudoeste de São Paulo, próximo ao Morumbi.

Para contar essa história, resgatamos o querido amigo Bia, amigo pessoal não só meu, mas do meu pai e um dos fundadores da turma que também foi organizador da Boca de Ouro de São Paulo de 1986 a 1990. Para começar, ele nos contou como nasceu a paixão pelos balões:

Bia: Comecei com uns 10 anos lá no começo dos anos de 1960. Naquela época tinha muita gente em junho que faziam muitos balões. Perto de casa até tinha um bazar que vendia baloes prontos e hoje é um bar.

GB: Como conheceu o Edinho?
Bia: A família dele é muito grande. Seu pai tinha 9 irmãos, todos faziam balão e o avô dele tinha uma fábrica de fogos em Santo Amaro. Ali era o nosso ponto de encontro. Começamos a fazer os balões juntos e até casei com a irmã dele (risos).

GB: Como vocês conheceram os balões “modernos” e por que decidiram montar uma turma?
Bia: A gente soltava os balões sempre em junho nas festas juninas. Soltávamos fácil mais de 100 balões, e numa dessas noites, em 1982, apareceu um letreiro vindo de Osasco, o que nunca tínhamos visto. Através do meu cunhado Wagner que conhecia uma turma de balão, a Coruja, fomos ver um painel deles e ficamos apaixonados. No dia seguinte criamos a turma e na primeira semana já soltamos um pião de gomo torto com um letreiro “AMOR”. Foi nosso primeiro balão.

GB: Quais foram os principais balões soltos por vocês?
Bia: Em 1983: 6×6 com armação “Coração” e outro 6×6 com armação “Mão Segurando a Lua”. Em 1984: 8×8 com armação “Mapa de São Paulo”, um 4×4 com armação “Ursinho”, outro 4×4 com armação “Ursinha”, 6×6 com armação “Simbolo das Olimpíadas”, em 1985, um 6×6 com armação “Mão Segurando uma Cruz”, um 5×5 com armação “Coração” em homenagem ao dia dos Pais, um 7×7 e 2 5×5 fogueteiros. Em 1986, soltamos um 6×6 com armação “Aniversário da Turma”, 7×7 com armação “Surfista”, um 6×6 com armação “Mulher Nua”, 5×5 com armação “He Man” e um 9×9 fogueteiro noturno com lâmpadas alimentadas por uma bateria de carro. Em 87, um 5×5 com armação “Arara”, 6×6 com armação “Asa Delta” e um Pião de 8m. Em 1988, um Pião de 14m e o 9×9 com bandeira que ganhou a Boca de Ouro. Em 1989, outro 9×9 com bandeira que nos trouxe o bi-campeonato e a posse do troféu definitivo da Boca de Ouro. Naquela época quem ganhava 2 vezes ficava com o troféu original. Também soltamos um 7×7 com armação “Pierrot”. Em 1990, um 9×9 com armação “Amazônia Vida”, em 1991 um 8×8 com armação “Pomba da Paz” e um 9×9 em 1993 com armação “Tempo”.

GB: De todos, sempre tem um especial. Pra você, qual foi?
Bia: Foi o 9×9 com as lâmpadas que caiu perto do festival da turma da Lua. Não fomos atras dele. Fomos no festival e quando chegamos ficamos sabendo que o balão tinha caído lá perto. Imagina, o balão passou em cima do festival bem baixo, quase apagado e cheio de lâmpadas acessas, tinha 2 sequências de luzes. Todo mundo foi atrás, o balão foi totalmente destruído e estava cheio de baloeiro com lâmpadas do balão pra todo lado que olhávamos. Outro balão que deu um show foi um 8×8 com armação do surfista. Ele subiu daqui do bairro, foi sentido Interlagos, voltou, foi sentido Osasco e acredite, ele voltou novamente, todo apagado e caiu a 800 metros do local da soltura. Quem o levou no sorteio foi a turma da Freguesia do Ó.

GB: Como nasceu sua amizade com o Neno (Clube Paulistano de Balões) e como você foi parar na organização da Boca de Ouro?
Bia: Conheci o Neno em 1985 quando ganhamos a Armação de Prata com um 5×5 que levou uma armação ilustrando uma Arara. Ele também ganhou o festival de armações da Figueira Grande. Pouco tempo depois, ele me convidou pra ajudar na Boca de Ouro e fiquei lá até 1992.

GB: Em 1988, curiosamente, vocês soltaram o 9×9 da Capela Cistina junto com o 10×9 do Paulistano na Praça da RTC, ambos balões de organizadores da Boca de Ouro na época e vocês acabaram levando o título. Como foi disputar uma Boca de Ouro contra outro organizador?
Bia: Pô cara, a amizade era muito grande e ele tinha uma bondade incrível. Partiu dele o convite para soltamos juntos na RTC. Nós aceitamos, ele veio com o mesmo caminhão que levava o dele buscar o nosso balão. Curiosamente concorremos juntos, nem ele nem eu participamos da escolha do melhor. Fomos escolhidos e ele ficou muito contente com a escolha. Grande amigo, que Deus o tenha!

Nota da GB: Neno faleceu em junho de 2018.

GB: Durante os anos que organizou a Boca de Ouro com ele, o que mais aprendeu com ele e com os baloeiros?
Bia: O respeito e a amizade entre os baloeiros. Na época, tinha grandes turmas, os caras que começaram com isso tudo como o Paulinho (Amizade), Renato (10 de Ouro), Jonas (Pega), Odair (Lua), Décio (Saudade), Pedrinho e Serginho (Emenda) e tantos outros na qual aprendemos muito. O Neno sempre convidava novos jurados, sempre fotógrafos e os caras que filmavam, afinal eles iam ver muitos baloes. Foram anos de ouro onde a amizade sempre prevaleceu.

GB: E de negativo?
Bia: De negativo é que todo mundo queria ganhar e sempre tinha alguém que reclamava, mas com certeza, sempre fomos honestos em nossas escolhas sem contar que, quem bancava tudo, todos os gastos era o próprio Neno.

GB: Quando vocês oficialmente pararam? E por quê?
Bia: Foi em 1995, logo depois da armação do Tempo. Nós soltávamos os nossos balões sempre aqui num campo perto de casa na Vila Sônia. Nesse dia, o balão estava nas guias quando chegou a polícia e eles queriam que abaixássemos o balão. Falei pro policial que não tinha como abaixar, ele autorizou que soltássemos mas exigiu que alguém fosse para delegacia. Disse ainda, que foram lá devido a uma denúncia e que não era pra soltar mais balões de lá. Depois disso, o pessoal da turma desanimou, ao poucos foram se afastando e acabou. Tínhamos um pião de 35 metros pronto, um 9×9 e um 11×11 que iam ser bandeiras. Entregamos a sede que era num local alugado, o Edinho deu ou vendeu os 2 balões e voltamos as origens sempre soltamos os balões juninos.

GB: Como acompanha e vê os balões de hoje em relação aos balões do passado?
Bia: Cara, não tem nem comparação. Hoje é outra tecnologia. A gente era forte em armação e bandeiras e comparado com os de hoje, é brincadeira! Principalmente as armações que são todas cheias e a decoração dos baloes são fantásticas. Até as fogueteiras são decoradas. Tudo hoje mudou muito. O tamanho, os balões, os locais de soltura… A beleza dos balões e principalmente o tamanho e a confecção dos baloes mudaram muito.

GB: Teve algum projeto que quiseram fazer e não foi possível?
Bia: Um painel do Palmeiras. Esse eu fiquei devendo pra muita gente. Até o Pedrinho da Emenda sempre me cobrava, ele era palmeirense doente e sempre o encontrava quando ia ver um jogo no estádio.

GB: Vocês ainda mantém contato com os outros integrantes da turma?
Bia: Sim, a maioria mora aqui perto, mas o que eu tenho mais contato é com o Edinho mesmo que trabalha aqui em casa na marcenaria do filho e tem mais dois que moram no Rio, mas estamos sempre nos falando.

GB: Um dia a Luar da Vila Sônia voltará?
Bia: Acho muito difícil. Nossos filhos não fazem baloes e também pela proibição. Tenho um sobrinho que acompanha tudo de balão, adora balão, vive pra balão, mas nunca fez um balão. Eu tive muitos problemas de saúde nos últimos anos. Também tem a parte que a idade chega, a gente fica velho né? Hoje voltei pra Vila Sônia e de vez em quando, soltamos uns balões aqui. Sempre tem uns prontos.

GB: Do que mais sente saudades?
Bia: Tudo! Dá saudades de fazer, de soltar, dos amigos, de ir ver baloes… Eu e o Edinho conversamos quase todos os dias e vira e mexe falamos sobre balões.

GB: Pra finalizar, o que significa pra você, a palavra BALÃO?
Bia: Com certeza foi o grande amor da minha vida que começou com 10 anos e me acompanha ate hoje.

GB: Mensagem Livre:
Bia: Queria agradecer a você por ter me procurado e que os baloeiros não desistam nunca, pois o balão está no nosso sangue. E muitas saudades do Neno e do Pedrinho que já nos deixaram muito cedo. Valeu!

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