Modelado de 45m - Engenhart e Voo Livre | Gazeta do Balão
Modelado de 45m – Engenhart e Voo Livre
Publicado em 07/02/2019 | 1135412150 Visualizações

Olá pessoal, hoje vamos contar a história do Modelado de 45m da União da Turma Engenhart com a Voo Livre, do querido Gordo, o mesmo que soltou um Bagdá de 48m fogueteiro com a Balança em 1989 contada pelo Sidinho da Engenhart:

Tudo começou depois da soltura do Modelado de 38 metros em 2002. O balão deu um show mais ficou com gostinho de quero mais devido a algumas gaiolas abrirem dentro das nuvens, então nos reunimos e resolvemos fazer outro, um modelado de 45 metros.

Modelado de 38 metros solto em 2002

Já no começo do planejamento, fizemos contato com o amigo Marcio (Magia) e ele prontamente desenvolveu a decoração do balão e o molde. Até então, o projeto era para um balão fogueteiro noturno com 16 gaiolas sendo 10 de foguetes enxertados, quatro de cometas e duas de rojões de varas coloridos.

Cortamos o balão em 5 cones de 9 metros e em 4 meses já estava tudo pronto, o que só empolgou a galera que nos ajudou.

Depois de acabar o balão, partimos para o planejamento e montagem dos fogos onde tudo era artesanal. Me lembro de umas socas feitas com bengala de 30 cm e com 60 pontas cada que pesavam 2 quilos cada, bailarinas com 3 cores com piscas no final.

Era um sonho mesmo. Com 60% do material pronto, um acidente aconteceu e infelizmente perdemos um amigo em novembro de 2004 e toda a carga se foi junto. Ficamos sem chão e arrasados. Pensamos em parar com tudo, afinal foram meses difíceis, mas lembramos que tínhamos um 45 metros guardado na casa de um amigo e o mesmo não queria mais que o balão ficasse lá, e foi ai que veio a maior loucura deste balão. Sem lugar para guardar o bitelo, tivemos que levar para Angra dos Reis, cidade a 60 km de onde morávamos, pois não tínhamos local para guardar os 400 quilos de papel. Até que então surgiu o Marrudo, amigo do bairro e amante da arte nas décadas de 70 e 80 que disponibilizou um barraco de madeira em seu sítio em Angra para guardar e lá ficou guardado. Como a metade da carga foi perdida no acidente, decidimos mudar o projeto para fogueteiro diurno, pois ficaria mais viável em relação a custos.

Passado uns meses, começamos a montar as gaiolas, medir cordas, fazer a boca e levamos tudo para o sítio sem saber se o balão estava inteiro, pois Angra é uma cidade com fortes chuvas, corríamos o risco de chegar lá e tudo ter sido perdido, afinal havia 3 meses que ninguém ia no barraco.
2 dias antes da soltura, o pessoal ficou trabalhando na montagem das gaiolas e nos reunimos para buscar o balão que muitos achavam que estava num bairro próximo de casa. Para espanto de um de nossos amigos, assim que ele soube onde o balão estava, quase morreu do coração e aos berros gritou: “Vocês estão malucos? Isso está quase em outro estado meu irmão, são duas barreiras da (Policia Rodoviária) Federal de lá pra cá, ta tudo montado!”.
Com os ânimos mais relaxados, fomos até a casa do senhor que iria fazer o frete, pois um integrante da turma já tinha agendado. Chegamos lá e para nossa surpresa a barra de direção da Kombi estava quebrada. Bateu um desespero total em todos, foi ai que o dono da Kombi, vendo tudo aquilo resolveu falar à verdade, que aquele integrante da turma que tinha agendado pediu para que o coroa inventasse essa história, pois no sábado ele estaria de serviço e não teria como ver o balão e queria que a soltura ficasse para o dia seguinte. Revoltados fomos até outro amigo que fazia fretes e ele topou buscar o balão.

Chegando lá no sítio, o mato tinha tomado conta de tudo em volta do barraco e já passava de 2 metros de altura. Chegamos a duvidar se ainda restasse alguma coisa lá, mas quando abrimos a porta, lá estava o bitelo e não estava sozinho. Perto dele tinha um ninho de gambá, isso mesmo, um ninho de gambá. Nossa sorte é que tudo estava muito embalado e nada sofreu. Com muito sofrimento, seis homens tiraram ele do barraco que era num barranco e colocamos em cima da carroceria da Kombi.

Pegamos a estrada na madrugada sentido Rio e no meio do caminho, uma viatura parou o carro que vinha na frente da gente. Passamos a blitz e seguimos em frente, mas logo a frente, outra viatura já nos esperava, pois a outra que parou o carro já tinha feito contato e pediu que parassem a Kombi que estava em atitude suspeita. Ao parar, já perguntaram o que era aquele volume na carroceria, começaram a rasgar o embrulho e logo dizemos que eram lonas e toldos para pintura de fachadas de prédios. Desconfiados, os policiais olharam para os nossos pés e roupas que estavam sujas de barro e Graças a Deus caíram na nossa conversa. Já o nosso amigo que quase teve um infarto quando soube onde iríamos buscar o balão, já tinha tomado tudo quanto é remédio de tarja preta (Risos).

Chegamos ao sítio faltando menos de 24 horas para a soltura e a adrenalina já estava a mil por hora!. O dono do sítio quando teve a noção do que estava acontecendo até falou: “Se chegar alguém aqui, vocês falam que invadiram isso aqui!”. Como era dia de semana, uma galera só podia chegar à noite para ajudar e tivemos apoio fundamental de alguns amigos que puderam ir durante o dia para ajudar no preparo. O mais incrível foi que soltamos o balão do centro de Campo Grande, praticamente em um terreno aberto sem iluminação adequada e num local que, de 30 dias, 24 ventam pela manhã.

A soltura começou tensa. Começamos a encher e o balão mas ele era muito pesado e não levantava de jeito nenhum. Com muito custo, ficou em pé, acendemos a bucha e fomos liberando aos poucos. A galera das guias trabalhou bem e fez uma força imensa para segurá-lo. A bucha era bem fechada para ele sair devagar mas foi tirando tudo sem parar. Cada guia tinha de 8 a 10 pessoas e ele lá fortão botando fumaça para fora, adrenalina a mil últimas esteiras saindo e na hora de acender o 8 pavios do estopim, somente 2 saíram acesos foi àquela tensão até acender os primeiros fogos.

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Foi um show! Tudo aconteceu como planejamos. O começo da queima com Crackling para chamar a atenção, os Lança-faixas preto e branco e os papeis metalizados descendo… Tudo perfeito e com uma cadência show e no final as bombas de 3” estremecendo tudo. Muitos até hoje da turma se emocionam em ver o vídeo. Por falar nele…

Dados Técnicos:

Molde: Magia 2
Tamanho: 45 metros
Quantidade de Gomos: 120
Largura Máxima do gomo: 78,8 cm
Papel Utilizado: Hulk 40 gramas

Bainha de Fechamento: 1,5 cm
Cintamento vertical:  4 fios nos 2 primeiros cones, 3 fios no 3º e 4º e 2 fios no bico
Cintamento horizontal: 252 cintas
Respiros: 8640 furos

Diâmetro de Boca: 3,92m
Cabresto de Boca: 10m
Tamanho total da carga (Gaiolas e esteiras): 120m

Bucha: 130 kilos

Tempo de Confecção: 4 meses

Carga:

200 dúzias de cortadinhos com crackling
50 dúzias de Lança-Faixa preto e branco
230 dúzias de 12×1
2300 dúzias de cortadinhos de 3 tiros
132 dúzias de Rojões de Vara Treme Terra com carga dupla
200 Bombas de Queda de 3 polegadas
10 quilos de papel metalizado

Total: 1530 Quilos

Data da Soltura: 18/06/2005

Resgate: Recebemos notícias depois de um tempo que o balão foi visto caindo em alto mar no litoral de Marataízes, Espirito Santo, a mais de 350 quilômetros em linha reta de onde subiu:

AGRADECIMENTOS:
Em primeiro lugar a Deus que nos permitiu, mesmo após uma grande perda, realizar nosso sonho. Aos 2 amigos que sempre abraçaram os projetos e em momento nenhum desistiram, a todos da turma Engenharte e Voo Livre na época, os amigos que nos ajudaram de uma forma ou outra, ao Marcio da turma Magia que sempre nos ajudou com projetos, dicas e ajudou muito na confecção, André Intera, Chuchu, Anderson Doido, aos balógrafos que cederam e enviaram suas fotos: Léo TJ, Milton TTSB, Luiz Paulo, Júlio Tricolor, Clodoaldo Sales e em memória aos grandes amigos Alfredinho e Alessandro,  que Deus os tenham em bom lugar.

Obrigado a GB por abrir espaço para contarmos a nossa história.

Nota da GB: Esse balão ganhou a Boca de Ouro em 2005.

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