O balão que caiu na ilha | Gazeta do Balão
O balão que caiu na ilha
Publicado em 21/04/2014 | 908939 Visualizações

Olá amigos! Hoje vamos contar uma história fascinante de um balão, considerado um gigante pra época e que marcou a despedida de 3 grandes turmas de São Paulo. O Truffi de 27 metros da extinta turma da Coruja.

Confeccionado pelo saudoso Valdemir, já falecido e seus 3 filhos, Nenê, Maninho e Bu, que hoje moram no Mato Grosso, o famoso trio peso pesado da região da Pompéia, Lapa e Vila Romana, zona oeste de São Paulo, juntamente com seus amigos Marcio Coruja e Marcelinho nas décadas de 80 e 90 se destacavam com grandes balões. Em 1991 soltaram um 13×13 todo feito no Papel Hulk listrado nas cores verde, azul e vermelho. O balão foi resgatado pela Figueira Grande que o soltou no mesmo ano com fogueteira novamente, porém noturna. Alí começou uma grande amizade entre o Miltão e a turma da Coruja, fator imprescindível na história deste balão.

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No fim de 1994, já com o balão pronto, por ter uma grande quantidade de fogos (1000 dúzias), Valdemir pediu ao Miltão para soltar o balão em seu campo, que conheceu na segunda soltura de seu 13×13 anos atrás e já era bem conhecido pelas solturas dos balões da Figueira Grande. Outro fator favorável era que o campo ficava há menos de 500 metros da sede da Figueira Grande e isso facilitaria o transporte. Em 14 de Janeiro de 1995, um sábado frio e com muita neblina, soltaram seu balão. Ele subiu de primeira, levou toda a carga e deu um show.

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Confira o vídeo:

Ficou por volta de 1 hora no alto. Centenas de baloeiros foram atrás e ele caiu num campo de futebol dentro do Clube do Banco do Brasil, hoje Clube Nautico Paulista na estrada do Rivieira, mesma rua onde ele subiu na zona sul de São Paulo.

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Poucas turmas chegaram devido a neblina intensa naquela manhã e, no sorteio, ficou com a Maria Preta. Como praticamente todos da turma eram de grande amizade com o Miltão e sua turma, por ter caído próximo de onde subiu, o balão voltou para a bancada da Figueira Grande e o Miltão sugeriu que soltassem o balão juntos com sua turma e ajudaria na compra dos fogos. Quem conhecia o Miltão sabia como era prestativo e tinhas condições de sobra de fazer isso. E assim foi. Em 24 de julho de 1995, uma segunda feira de céu estrelado e pouquíssimo vento, o balão foi solto no mesmo campo, mas um grave acidente ocorreu.

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Segundos após sair, a corda estourou e toda a carga do balão caiu no meio do campo. Houve uma enorme explosão, muita correria e felizmente não houve nenhum ferido.

Confira o vídeo:

Passado o susto o balão, que quase queimou, ficou parado em cima da Represa de Guarapiranga. Assim como todos que estavam no campo, fomos atrás do balão que acabou caindo na represa. Como na época não havia celular, durante a semana ficamos sabendo que ele não havia caído na água e sim na ilha dos macacos, uma das maiores ilhas da represa e foi resgatado pela turma da Colina, já conhecida pelos resgates na represa com seu barco.

Eles viram que o balão caiu na ilha, porém não o encontraram de primeira. Ficaram por horas procurando, seguindo o cheiro de pólvora que se misturava com a névoa. Andando no meio do mato fechado, um pedaço de fuligem da bucha caiu sob a cabeça do Helião e, ao olhar para cima, lá estava o bichão todo murcho e encaixado nas árvores.

Após muitas horas de trabalho e já de dia, conseguiram tirar o balão da mata e o levaram para a casa do Robertinho.

Confira o vídeo:

Meses depois resolveram destruí-lo pois estava muito avariado. Não compensava arrumar. Sua boca foi dada para as turmas Sonic e Bagdá que a soltou em seu 15×15 2 anos mais tarde.

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Após o incidente restaram muitas dúvidas e opiniões sobre o que havia acontecido. Falha? Sabotagem? A versão oficial é de que foi sabotagem, pois meu pai pegou a aranha (na época os cabrestos eram em formato de aranha) e o mosquetão com uma ponta de corda visivelmente cortada por um estilete ou tesoura. Na semana, o pessoal da Colina entregou a outra parte da corda que foi com o balão e, juntando as duas, era fácil perceber que realmente foi sabotagem.

Essa foi a história de um grande balão, um dos maiores Truffis fogueteiros da década de 90 e como disse no começo dessa matéria, ele marcou a despedida de 3 grandes turmas de São Paulo, Coruja, Maria Preta e Figueira Grande, ícones do mundo do balão até então que nunca mais soltaram um balão de destaque nos anos seguintes.

Abraços a todos

Dinho

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