O computador e o Photoshop | Gazeta do Balão
O computador e o Photoshop
Publicado em 31/05/2013 | 364314 Visualizações

Olá amigos. Assim como em tudo no mundo, a invenção do computador chegou  e mudou completamente ao mundo do balão na forma de projetarmos e desenvolvermos os nossos queridos balões. Pra quem tem mais de 20 anos de balão sabe bem como que eram projetados os balões e bandeiras. Livros, revistas, enciclopédias e revistas de ponto cruz eram as principais fontes de inspiração para os primeiros projetistas de balões e bandeiras.

Por muitos anos, tudo nascia de papéis milimetrados ou quadriculados onde, com muita canetinha, giz de cera e lápis de cor, os desenhos eram produzidos. Quem nunca fez um balão ou bandeira dessa forma, fato que , se pegarmos as décadas de 70 a meados de 90, os temas mais comuns nos balões eram sobre futebol, bandeiras de países, Turma da Mônica, Jesus Cristo, Walt Disney, Bob Marley, temas infantis retirados de revistas e temas históricos tirados de enciclopédias:

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As primeiras décadas do balão moderno também ficaram marcadas pelo estilo geométrico onde desenhos abstratos de 1 gomo dominavam os balões com decorações aplicadas e vazadas com as poucas cores disponíveis:

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Com a criação dos balões taqueados, também eram muito comum encontrarmos lindos balões onde o degradê de cores apresentava lindos projetos:

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Naquela época, as revistas de bordados (ponto cruz) também eram muito utilizadas para desenvolver decorações de balões. Com muita criatividade, canetinha e papéis quadriculados, a geração de micro-tacos começou a engatinhar:

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Ao mesmo tempo em que muitas turmas não tinham projetistas para criar “na mão” e utilizavam estas técnicas para bolar seus projetos, poucas turmas tinham desenhistas e tatuadores que criavam os projetos através de sua imaginação. Era raro mas já existiam alguns baloeiros bons de traço e com isso, os balões se destacavam entre todos pela qualidade de seus desenhos:

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Moldes

Por todas as décadas de 70 a 90, a predominância dos balões Mixiricas ou Tangerinas como eram chamados no Rio era imensa pela simplicidade em cortá-los, afinal não precisava de moldes complexos. No fim dos anos 70, os primeiros moldes de Pião Carrapeta, Golfier e Bagdá começaram a aparecer e se tornaram uma febre. Aqui em São Paulo, muita gente tentava copiar os piões cariocas na “tesoura” pois não havia acesso a eles e muita coisa estranha apareceu.

Já na metade da década de 80, os primeiros moldes de Ivo Patrocínio e Tião da Bruxa começaram a aparecer na terra da garoa e os primeiros piões, principalmente de 14 metros começaram a serem feitos. Já na década de 90, os principais jornais de balões como a Gazeta do Balão começou a publicar diversos moldes de Tião da Bruxa, facilitando e muito a vida da galera que não tinha acesso aos moldes.

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Com a chegada do computador no fim dos anos 90, os primeiros programas em MS Dos livraram muita gente de perder horas fazendo cálculos para ampliar ou reduzir as escalas. O primeiro programa a ser lançado foi o Ícaro de nosso querido Paulinho. Nesse programa, você colocava o disquete, abria o programa e nele havia algumas escalas que eram batizadas pelos nome dos balões originários ou de destaque que utilizavam este molde como por exemplo, o Pião Alvarenga, criado pelo Paulinho a pedido do saudoso Claudinho. No programa, havia a escala original e através de fórmulas você montava a escala de acordo com o tamanho que desejava. Imprimia e fazia seu molde. Depois vieram os primeiros moldes em AutoCad, o mais popular software de desenvolvimento para engenharia, geometria e arquitetura.

O computador e os projetos

Com a chegada do computador muita coisa mudou no mundo do balão. Se antes a pesquisa por temas e criação dos leques eram totalmente voltados a livros e revistas, além claro de desenhistas e tatuadores, na nova geração tudo é feito pela internet. Os anos 2000 foram marcados por balões cada vez mais perfeitos e temas nunca vistos antes começaram a aparecer devido a facilidade em encontrar imagens pela internet. Se antes buscávamos imagens em revistas, hoje o maior amigos do projetistas é o Google, portal de buscas criado em 1996 nos Estados Unidos para facilitar o encontro de páginas e informações na Internet.

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Com a utilização do Google nas buscas de imagens e informações, outro programa, o Photoshop, software de edição de imagens criados também na Califórnia pelos irmãos John e Thomas Knoll no começo dos anos 90. Com imagens encontradas na Internet e tratadas em softwares como Photoshop, Paint e CorelDraw, os balões e bandeiras começaram a ganhar novos estilos com traços e formas mais perfeitas. Ligada a estas mudanças, rapidamente as fabricas de papel de seda começaram a dispor de centenas de cores em seus materiais facilitando e muito, com que pudéssemos reproduzir quaisquer imagens com qualidade em nossos balões.

As Redes Sociais

Já em meados da década passada, a grande popularidade da internet trouxe com elas as Redes Sociais, principalmente o Orkut. Rede Social criada em 2004 por Orkut Büyükkökten, engenheiro turco do Google. Com o nascimento do Orkut, os baloeiros de todo o mundo puderam se conhecer, trocar ideias e experiências. Foi o grande Boom do mundo do balão. Na época, os sites de balões começavam a aparecer mas foram nas redes sociais que o mundo do balão se expandiu e nasceu o termo “Balonet” – O baloeiro de internet. Com o tempo, muita gente que apenas gostava de balões mas por algum motivo não tinha como fazê-los foi se espalhando de uma forma assustadora. Estima-se que hoje, temos mais de 30mil amantes da arte no Brasil e muitos deles se comunicam e trocam informações 24 horas por dia apenas pelas Redes Sociais, principalmente pelo Facebook.

O mundo dos Balonets pode até ser interessante pela imensa troca de informações na internet, porém acabou se tornando um risco imenso devido a falta de conhecimento aliada a falta de sensatez de muita gente. Afinal balão é crime federal e muita gente acaba falando mais do que devia e entregando campos de soltura, bancadas e baloeiros pelas redes sociais.

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Acima encontramos exemplos de balões que tiveram grande repercussão e foram prejudicados pelo excesso de informações publicadas na internet devido aos Balonets. É fato que a internet auxiliou muita coisa no mundo do balão mas, como muita gente diz, depois do celular, Nextel e Redes Sociais, o risco se tornou muito grande, principalmente para as turmas que  soltam balões grandes e se destacam na boca do povo.

Neste fim de semana fizemos um teste em nosso grupo no Facebook. Com uma montagem “tosca” testamos os internautas para ver como eles reagem em relação a uma informação passada. Nela, pegamos um balão na bancada, aumentamos a quantidade de gomos para parecer um gigante e muita gente, mas muita gente mesmo sequer prestou atenção na foto e já saiu chutando o tamanho do balão:

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Mesmo feita as pressas, a montagem chamou a atenção da galera e poucos perceberam que era uma montagem de Photoshop bem mal feita. A conclusão que tivemos é que os Balonets, realmente não se preocupam em manter a imagem do balão segura e preferem curtir e compartilhar informações sem ao menos saber se a informação é verdadeira. Também criamos um perfil há 2 meses com uma mulher bonita e conseguimos facilmente a aceitação dela por muitos baloeiros e diversos, mas diversos informaram campos, balões em confecção e datas de solturas sem ao menos conhecer realmente a pessoa, mostrando a fragilidade que o mundo do balão nas Redes Socias. è bem provavel que temos policiais, investigadores e curiosos em grande quantidade no Facebook e Orkut em busca de informações e cabe a todos ter cuidado com quem fala.

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Balão é crime e não adianta a SAB e outros órgãos e lideranças tentarem lutar para mudar isso se os próprios baloeiros, amantes da arte e curiosos não cuidarem mais da imagem do balão na internet.

Que me desculpem os Balonets, mas tenham mais cuidados com informações e perfis na internet. Depois que o computador entrou na vida de todos, ele pode se tornar um grande aliado e facilitar a vida de muita gente, mas também pode destruir muita coisa. Pense nisso e tenha mais cuidado!

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