O gigante que derrubou um gigante | Gazeta do Balão
O gigante que derrubou um gigante
Publicado em 16/03/2012 | 410374 Visualizações

Olá amigos. Hoje voltaremos 27 anos no tempo para contar a história do primeiro pião gigante de São Paulo, o Pião de 42 metros da Turma Dez de Ouros.

Nascida entre a Aclimação e Paraíso, bairros da zona sul próximos ao Ipiranga, berço dos balões modernos em São Paulo, a Dez de Ouros, foi criada a partir do convite da turma da Amizade para participar do primeiro Festival de balões de São Paulo realizado na Avenida Ricardo Jafet, acesso a rodovia dos Imigrantes em agosto de 1980.

Em seus primeiros anos, faziam seus balões num porão da casa  de seu líder Enio. Além de Enio, a Dez de Ouros tinha a importante participação  de seu irmão Aldo, Junior, Ivan,  Kiko, Carlão, Alemão, Churrasco, Roberto, Santoro, China, Turco, Bolinha, Renato, Miranda e Belém.

Já no primeiro balão, um 4×4 que levou uma armação com a carta 10 de ouros, ganharam destaque ganhando o primeiro lugar do festival e a primeira Boca de Ouro de São Paulo. Nos anos seguintes, a turma continuou sua evolução sempre com inovações trazidas do Rio de Janeiro em seus balões de armação e fogueteiros, fato que, entre 82 e 83 ganharam as 4 bocas de ouro. Na época só existiam a Boca de Ouro, dada as armações e a Canganha de Ouro dada aos fogueteiros.

Em 1982, logo após a soltura do Pião de 42m de Ivo Patrocínio, decidiram fazer um balão igual, uma loucura para a época. Foram até o Rio de Janeiro, pegaram o molde do balão com o Tião da Bruxa e já em São Paulo, cortaram o gigantesco pião em apenas 2 cones com uma Bobina de Hulk Sulferine (Vermelho).

No fim de 1983 o Ivan teve que se mudar para Santa Catarina e morou por lá até o começo de 85. Neste período o balão ficou parado. Com a volta de Ivan para São Paulo, a turma decidiu terminar o balão. Em menos de 6 meses o gigante foi finalizado e, para unir os cones, se reuniram em um salão de festas de um clube na Aclimação, juntaram as mesas do salão de festas e uniram o balão em apenas uma noite. A boca do balão feita por um baloeiro do ABC foi trocada por um 10×10 cortado. Decoraram o balão com folhas de Floor Post Brancas mantendo as cores da turma, o vermelho e branco.

A carga do balão, 300 dúzias de cortadinhos foi dividida em 3 gaiolas com 96 dúzias em cada. A armação de papel, muito comum na época tinha 30×40 metros e retratava o logotipo da turma.

Após finalizar o balão, um outro problema apareceu: onde soltá-lo?

Sócio de um clube de Tennis no extremo da zona sul, o Tennis Clube de São Paulo no bairro do Jaceguava próximo a Embu-Guaçu, Ivan teve a idéia de soltar o balão lá, pois havia um campo de futebol ideal. Procurou o presidente, e ele prontamente aceitou a idéia.

A primeira tentativa de soltura do balão no final de junho de 85 parou o mundo do balão. Centenas de baloeiros vindos de todos os cantos de São Paulo e Rio de Janeiro acompanharam a luta da Dez de Ouros em tentar manter o gigante de pé. Naquela manhã ventava muito, não conseguiam manter o balão cheio e a soltura do maior pião de São Paulo ficou para a semana seguinte.

Preocupados com a possibilidade de uma manhã novamente com ventos, decidiram encher o balão as 4:00 da manhã do dia 05 de julho de 85. Um fato curioso foi que, o Aldo, irmão do Enio, que nem baloeiro era, acendeu a bucha do balão no meio sem avisar ninguém. A turma, que preparava as fogueteiras, guias e cabrestos teve que acelerar todo o processo rapidamente pois o balão inflamou e começou a arrastar todos que o seguraram.

Devido a isso, o balão saiu rápido, só deu tempo de prender apenas uma gaiola e a armação saiu toda enroscando em coqueiros e fios de eletricidade no campo. A gaiola abriu, deu um grande show e o balão seguiu rumo ao Rio de Janeiro.

As 21:00 um amigo do Rio de Janeiro ligou para o Ivan dizendo que o balão tinha ido pro mar e estava voltando, ainda acesso devido as buchas de estágio para o Rio. Esta foi a última notícia do balão.

Este foi, praticamente o último balão da Dez de Ouros. Chegaram a soltar um Pião de 20 metros no Clabim em 86, porém os fatos ocorridos durante todo o processo de confecção e soltura deste gigante acabou gerando o fim de uma das mais importantes turmas de São Paulo na década de 80.

 

 

 

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