O Paraíso dos balões | Gazeta do Balão
O Paraíso dos balões
Publicado em 15/02/2019 | 10981157 Visualizações

Olá amigos! Hoje voltaremos no tempo quando, sempre nas épocas do balão junino, quem gostava de ver a soltura de balões aguardava ansiosamente os meses de junho e julho para poder ver as obras de arte subirem em festas por todo o Brasil. Sejam em ruas fechadas, quadras de Igrejas e até mesmo em sítios, muitos destes locais onde as festas eram realizadas eram marcados por várias solturas de balões. Era bem simples: “Quer ver um balão? Vai na festa tal que sempre tem balão”.

Com a evolução do balão, ele deixou de ser apenas solto nas festas e muitas turmas começaram a soltar seus balões na rua, em campos de futebol, ou em grandes terrenos por toda a cidade. Aqui em São Paulo nas décadas de 80 e 90, muitos locais ficaram marcados por solturas de balões, mas entre todos, o melhor de todos, para muitos de nós é sem dúvidas, o Campo de Santa Inês em Mairiporã, cidade da Grande SP.

Muitos o conheciam apenas como Campo de Santa Inês, nome da estrada que lhe dá acesso. Outros por “Campo da Igrejinha”, devido a igreja vizinha ao campo, mas entre tantos nomes o que mais o faz ser lembrado é “O Paraíso dos Balões”, batizado pelo conhecido cinegrafista e vendedor de fitas na época Luiz Antonio.

E ele não estava errado não! Afinal, quem quisesse ver um balão bastava aparecer por lá numa manhã boa que sempre tinha balão pra ver. Devido ao campo estar numa região serrana, o clima era muito bom e quase não ventava. Praticamente todas as maiores turmas e os mais inesquecíveis balões soltos entre o fim da década de 80 a meados da década de 90 subiram de lá.

O primeiro balão a ser solto deste campo foi um Pião de 33 metros da Turma Vagalume (Alemão e Cia) em 1987:

Pião 33m – O primeiro balão a subir de Mairiporã em 1987

Na época deste balão, o principal campo de soltura de balões em São Paulo era o de Jordanésia em Cajamar. Lá era um campo muito bom mas a distância da capital era bem maior e depois deste balão, com a facilidade de acesso a Mairiporã, nos anos seguintes tivemos dezenas de solturas com balões das principais turmas de São Paulo. E ele foi descoberto por acaso quando o pessoal da Vagalume foi com amigos da Turma da Madrugada comprar fogos num fabricante artesanal que morava perto do campo. Quando viram, o indagaram sobre a possibilidade de soltar um balão lá, ele disse que não teriam problemas e soltaram o 33 de lá.

2 anos depois, em 15 de novembro de 1989, a Emenda soltou seu Pião da Peruana como ficou conhecido e abriu de vez as portas para outras turmas que começaram a soltar seus balões e o campo se tornou o principal campo de soltura de balões de São Paulo.

Pião 29,60m – Emenda – Boca de Ouro

Temporada 1990

10x4x10 – Aperto – O primeiro fogueteiro

Pião 24m – Ravisio

Pião 33m – Cambuci

10x2x10 – Parque

Pião 17m – Mauricio e Pacheco – Boca de Ouro

Truffi 20m – Baloema

Truffi 7,5m – Emenda

Bagdá 20m (2ª Soltura) – Ar Quente

Pião 17m – Vagalume

Pião 17m – Cambuci

Temporada 1991

Truffi 24m – RWR

Truffi 24m – Buca e Aperto

9×9 – Parque e Buraco da Onça

8×8 – Jaguaré

Pião 16m – Arte Real

13x3x8 – Água Fria

Pião 14m – Alvarenga

Pião 28m – Buca e Aperto

Pião 24m – Quinze

Temporada 1992

Pião 12m – Edmundo

8×8 – Anjos da Noite

Pião 20m – Trovão – Boca de Ouro

Temporada 1993

Recorte 15m – RWR

Truffi 22m – Oficina

Pião 30m – Os Naypes

Pião 24m – União da Vila

Pião 24m – Vagalume

Pião 24m – Ilha e Estrela

Bagdá 20m e 7×7 – Hus da Laje

13×13 – Buca e Aperto

Pião 21m – Artimanha

Pião 18m – Parque

Pião 52m – Emenda e Baloema – O maior balão a subir de lá

Pião 35m (3ª  Soltura) – Turmas Rivieira (SBC) e Colina (ZN)

Temporada 1994

Pião 45m – Emenda

Pião 24m – Cambuci

Pião 30m – Os Naypes

Pião 24m – Lua Norte

Pião 24m – Morro

Pião 17m – Estrellar

Modelado 21m – Buca e Aperto

Temporada 1995

O ano de 1995 ficou marcado como um ano histórico. Entre todos os balões soltos no Paraíso dos Balões, o mais inesquecível e emocionante foi, sem dúvidas o Truffi de 27m da Emenda em 28 de maio. Mais de 3000 pessoas, com certeza um dos maiores públicos a se reunir para assistir a soltura de um único balão na história em São Paulo:

Truffi 27m – Emenda

Pião 24m – Ilha e Estrela

Pião 20m – Os Naypes

Pião 20m – Pantera

Modelado 18m – Vagalume

Curiosidades

Mesmo sendo um campo de vida curta, cerca de 5 anos, o Paraíso dos balões ficou marcado por grandes solturas, poucos balões deram errado por lá e tivemos alguns fatos curiosos como:

1 – Nenhum balão de destaque noturno foi solto de lá, somente balões diurnos;
2 – Só houve um Festival por lá organizado pela Harmonia, na maioria com letreiros, inclusive a própria Harmonia soltou uma Barrica de 16 metros de abertura do festival que levou metade do letreiro que ilustrava o nome da própria turma em 1992. Em 1993, tivemos uma etapa do Festival da União que era como a Boca de Ouro onde as turmas soltavam balões por todo o estado durante o ano;
3 – As turmas que mais soltaram balões por lá foram a Buca e Aperto, onde 6 de seus principais balões subiram de lá e a Emenda que soltou 5.
4 – Outra curiosidade é que tudo começou em 1987 com um balão da Vagalume, na época Alemão e Cia e terminou com outro balão deles, um modelado de 18 metros em 1995. O Modelado de 34 metros que queimou nas guias em 2001 foi feito para ser solto por lá, mas devido a lei de 1998, não foi possível.

Existem muitas teorias sobre o porquê que pararam as solturas de balões nesse campo tão conhecido e popular entre 1990 e 1995. Muitos dizem que o clima não era perfeito, outros porque houveram mudanças na política da região e o novo prefeito não gostava de balão.
Outra que um balão fogueteiro enroscou em fios de alta tensão e deixou a cidade toda sem luz e, por fim, que lá era ruim por não ter um local para guardar as coisas e por isso, o principal campo de soltura de balões em São Paulo passou a ser o Sitio de Claudinho Alvarenga em Itapevi que dava essa opção de armazenamento. Mas isso já é outra história que contaremos em outro artigo.

Abraços a todos

Dinho

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