É curioso como os defensores dos baloeiros sumiram que nem balão! Quando falamos sobre o assunto sempre há quem apareça para defender a prática, dizer que é uma questão cultural e não criminosa. Pois bem: abrimos o espaço aqui para discutirmos o assunto e ouvirmos o outro lado da moeda. Como disse na postagem original, procurei me despir de todos os “preconceitos” – ou preceitos legais – sobre a prática.

Ninguém apareceu para falar do “lado bom” de ser baloeiro. Porque? Sério mesmo: queria ouvir a opinião dessas pessoas! Queria entender o que se passa na cabeça de quem acredita que a tradição precisa falar mais alto que a segurança da população. Ninguém é obrigado a se identificar, ninguém é obrigado a dizer que é baloeiro. Mas as opiniões aqui são em 100% contrárias aos baloeiros. Para fechar então o tema, seguem imagens do arquivo do jornal “O Globo”, que mostram apenas alguns dos incêndios registrados por causa de balões, um na zona sul e outro na zona norte da cidade.

POSTAGEM ORIGINAL:
Queria entender um pouco mais sobre o universo de quem solta balões. A prática é considerada crime, envolve riscos, a pena pode chegar a até 3 anos de prisão. Mas sempre que o assunto entra em pauta, percebo que sempre há quem se revolte com as críticas feitas ao baloeiros. Pessoas que, como pude observar nos últimos comentários, são solidárias a quem solta balões e não a todos nós que podemos ser prováveis vítimas. Então ao invés de criticar – embora saiba que critico um crime e não um hobby – preferi hoje escutar. Vamos fazer dessa postagem um laboratório então? Me proponho aqui a esquecer por alguns minutos que estamos falando de um crime ambiental. Vou esvaziar minha mente do que é conceito legal para focar no comportamental.


Na minha opinião soltar balão, independentemente de ser crime é, antes de mais nada, um perigo. Talvez por estar do outro lado da moeda, estou mais acostumado a dar notícias e ver imagens dos estragos que eles causam quando caem. Quem solta está acostumado a ver a beleza de quando eles sobem. Daí fico me questionando se quem solta balões não pensa que, por uma ironia do destino, eles não podem acabar caindo em cima de suas próprias casas! Em Copacabana vi o caso de um balão que entrou pela janela de um apartamento e queimou os braços de uma senhora. O argumento de que o balão só cai no mar também me parece falacioso: balão não é navegável. Não vou nem mencionar aqui a questão do tráfego aéreo nas proximidades do Galeão e do Santos Dumont.

Digo ainda mais sobre um outro aspecto: os crimes que passaram a “orbitar” em torno da prática de soltar balões! O “serviço” de resgate de balões acabou virando uma disputa armada, com direito a invasão de terrenos, casas, e até o relato de apartamento invadindo, bem no meio do almoço, eu já escutei. Até tiros já forma dados para o alto quando o helicóptero da Record filmava um destes resgates criminosos aliado à invasões. Acredito que o “romantismo” que existia entre os mais antigos, infelizmente não existe mais. Não pelo menos entre a maioria dos baloeiros. Hoje o que tenho visto é o contrário.

Bom, esse é o meu ponto de vista sobre o assunto. Mas o fato de receber mensagens também de apoio aos baloeiros – poucas, mas expressivas – me faz propor esse laboratório. O que gostaria de ouvir hoje é porque tanta gente ainda apoia e pratica soltar balões em centros urbano, mesmo com tantos problemas que são decorrentes da prática. Há alguma proposta entre os próprios baloeiros, por exemplo, para que a atividade fosse “regulamentada” se é que é possível fazer isso?

 

Fonte: Blog de Fabio Ramalho no R7.com

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