O pião dos naipes que não era dos Naypes | Gazeta do Balão
O pião dos naipes que não era dos Naypes
Publicado em 11/12/2006 | 780791 Visualizações

Olá amigos! Hoje vim contar uma história muito interessante. A história do Pião de 35 metros, o famoso pião os naipes do baralho, que não era da Turma Os Naypes como muitos dizem, era da da Turma do Alvarenga, do Ipiranga, zona sul de São Paulo que teve 4 solturas e 5 caídas entre maio de 1990 e março de 1994.

Este balão não era apenas um pião de 35 metros. Afinal, quantas dezenas de piões de 35 metros e até maiores já foram feitos até hoje? Mas, com certeza nenhum deles teve ou terá uma história como a deste balão.

O pião, construído pela Turma Alvarenga dos saudosos Claudinho e Mirão já falecidos, entrou para história por suas 4 solturas e 5 resgates entre a primeira em maio de 1990 que foi até manchete do jornal Diário Popular, até ser destruído em seu último resgate em março de 1994.

A ideia de fazer um pião grande veio do Claudinho, conta Toninho Alvarenga em entrevista a GB. Certo dia, ele chegou e perguntou a todos: “Vamos fazer um pião grande? Eu tenho um molde de um pião de 35 metros, vamos fazer?”. A ideia foi aceita, porém questionei sobre onde soltaríamos o balão, pois no meu sitio não dava pra soltar um balão desse porte (Até então, os balões da turma Alvarenga eram soltos no sítio de Toninho em Engenheiro Marsilac, extremo sul de São Paulo).

O Claudio respondeu: “Ah, qualquer coisa eu mando passar um trator no sítio do meu sogro (Itapevi) e a gente solta de lá, eu dou um jeito.”

Enquanto o Claudio resolvia esse negócio com o sogro, começamos a fazer o balão e sentamos para decidir a decoração. Eu sugeri que utilizássemos um encarte de um disco do Pink Floyd que retratava uma carta de Reis de Ouros. Decidimos ali fazer o balão com os naipes do baralho. Como o balão era em 4 cones, dividi o cone do meio e na hora de bolar a  decoração, dividi os gomos em 4 partes, quadriculei o leque e marquei com bolinhas os quadrados formando em cada uma das 4 partes um naipe do baralho.
O curioso foi a hora de bolar a decoração da boca e bico. A ideia veio do Mirão. Ele era muito inteligente e sugeriu que fizéssemos algo que lembrasse uma ilusão de ótica. Como estávamos na cozinha do Claudio, eu olhei para o fogão e falei: “podíamos fazer essas faixinhas (do vidro do fogão) em degradê”. Todos acharam legal a minha ideia e decidimos fazer num sentido na boca e o inverso no bico, ou seja, na boca começava grosso e terminava fino e no bico o inverso, conta Toninho.

Sua primeira soltura, realizada em 20 de maio de 1990, na inauguração do sítio do Claudinho em Itapevi, interior de São Paulo, foi tranquila. O belo pião, com molde do Paulinho da Ícaro tinha 96 gomos, boca de 2,40m, 40 kilos na bucha principal e 12 buchas de estágio. Levou uma bandeira de 40x66m tema “Rei de Ouros”.

Após alguns minutos de voo, ele já mostrou que teria um resgate difícil pois a bandeira caiu e como havia buchas programadas, já se sabia que ele não cairia tão rápido quanto se esperava. Ele ficou horas passeando sob Guarulhos e a Zona Norte de São Paulo. Dizem que chegou até a zona leste, mas voltou.


A sua descida na Zona Norte de São Paulo foi uma cena de cinema. Desceu sob casas e naquele puxa-puxa de guias, a boca não aguentou e lá se foi o balão sem boca para os céus novamente. Acabou sendo resgatado 1 hora depois pela Turma da Zona Norte, a TZN.

No fim do ano, a TZN, recebeu um convite da Equipe Magia do Paraná para soltar o balão em Curitiba.

A soltura do Pião com 6 gaiolas, no dia 15 de novembro de 1990, foi um marco na história dos balões naquela cidade, pois foi o maior balão solto até então por lá em toda a década de 90.

Na sua descida em Curitiba, aconteceu a mesma situação parecida a que ocorreu em São Paulo, o Zé Carlos, integrante da TZN, saiu atrasado de São Paulo, quando chegou em Curitiba, avistou o balão e foi atrás resgatando-o novamente.

Resgate do balão em Curitiba

A TZN trouxe novamente o pião de volta para São Paulo. Tempos depois, apareceu um cara na sede da TZN e ofereceu R$ 500,00 para soltar o balão, dizendo que era o sonho dele. Sonho realizado, o balão foi solto pelas Turmas Rivieira (SBC) e Colina (ZN) com uma bandeira que mesclava as bandeiras de São Paulo e do Brasil, na manhã de 25 de janeiro de 1993. Desta vez, eles conseguiram resgatá-lo inteiro, sem cair a boca, e no sorteio, ficou com a Turma do Eskina de Guarulhos.

O balão estava muito avariado pelas 3 solturas anteriores, foi novamente para a bancada, onde a Turma do Eskina retirou os cones da boca e reconstruiu todo o balão, com o mesmo molde e decoração da 1º soltura.

Sua 4º e última soltura foi realizada pela Turma do Eskina no dia 30 de março de 1994 com fogos e Asas-delta, e desta vez, infelizmente queimou ao tentarem resgatá-lo.
Mesmo passados anos da primeira soltura, o Pião dos Naipes de baralho se tornou um ícone, um dos balões mais lembrados até os dias de hoje. Já ganhou réplicas de diversos tamanhos e até um com o mesmo molde, tamanho e a boca original começou a ser feito pela Sonic e Curtição de SP, porém até hoje, não foi finalizado.

Veja os vídeos:

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