O Rock in Rio de Balões | Gazeta do Balão
O Rock in Rio de Balões
Publicado em 17/02/2019 | 4202742415 Visualizações

Nos últimos anos, sempre vemos fotos e vídeos de imensas barricas bojadas e fogueteiras soltas num enorme festival. Mas onde é isso, onde nasceram esses eventos e quais as diferenças entre os balões brasileiros e as imensas barricas soltas nesse evento? Pra descobrir tudo isso, a GB foi atrás e conta pra você:

O Festival de Tazaungdaing ou Festival das Luzes é um evento anual realizado na cidade de Taunggyi, uma cidade de Myanmar antiga Birmânia, país da Ásia próximo a China e Tailândia. Taunggyi é capital do estado de Shan. Vários festivais são realizados em todo o país, incluindo Naypyidaw e Pyin Oo Lwin, mas o de Taunggyi é o maior e mais popular. 

O festival de balões começou em 1894, trazido pelos britânicos e são soltos como uma oferenda para afastar os maus espíritos. Além do festivais de balões, outras celebrações são realizadas como competições de tecelagem de roupas e danças locais. A partir da década de 1960, os festivais são realizados numa enorme área próxima à Universidade de Taunggyi.

O festival ocorre tipicamente em outubro ou novembro sempre nas noites que antecedem a lua cheia de acordo com o calendário lunar e a primeira noite de lua cheia, último dia de festival é considerado um feriado nacional. É o segundo maior de Myanmar, ficando atrás apenas do Festival da Água, em abril, que praticamente fecha o país por uma semana ou mais. 

O evento todo dura mais de uma semana. Atividades diurnas incluem competições de tecelagem de roupas típicas para os monges durante todo o dia, procissões e a soltura de balões de recorte como chamamos aqui no Brasil em forma de animais chamados “Ayoke”, mas são as festas noturnas que são as mais notáveis.

O festival atrai grandes multidões que chegam a dezenas de milhares de pessoas. Barracas vendendo roupas, alimentos, artesanatos e bares são instalados na entrada do campo principal, onde os balões são lançados, resumindo, é como um Rock in Rio e os balões são as atrações. Também encontramos diversas opções de entretenimento além dos balões como parque de diversões com Roda Gigante, Montanhas Russas e tendas com Dj´s tocando musica eletrônica, bem como nosso Rock in Rio:

As barricas noturnas tem em média 9 a 15 metros de altura e não são feitas apenas por diversão, eles são na verdade parte de uma competição com altas premiações em dinheiro. As equipes são de bairros de cidades próximas com dezenas de pessoas que se reúnem para preparar o balão para o evento com meses de antecedência. Assim como os nossos, os balões são feitos de papel, projetados e construídos pelos participantes da turma. A única diferença que eles não são decorados com papel de seda, são pintados por grandes artistas locais. Todos os materiais utilizados nos balões assim como as lanternas e os fogos de artifício são todos feitos à mão. É uma prática cara, muitas vezes custando milhares e milhares de dólares, alguns dos quais são levantados pela comunidade e o restante pelo patrocínio de corporações.

Durante o evento, somente um balão é solto por vez. Algumas vezes, quando o tempo para a preparação e soltura se esgota e a turma não consegue terminar, outra equipe entra no campo e ela é punida. Quando isso não acontece, assim que um balão sobe, uma nova equipe entra no campo sob uma grande festa que lembra a entrada de lutadores de MMA no octógono. Geralmente é um desfile de alguns veículos: um com o balão, outro com os equipamentos para soltá-lo, um ou dois com a equipe (às vezes duas dúzias de pessoas) e outro com a imensa gaiola de fogos ou o painel de lanternas. Todos são recebidos sob aplausos e gritos eufóricos de todos os presentes:

Tudo é levado ao centro do campo, e todos da equipe, de uma forma bem organizada preparam o balão para soltar, afinal, até essa organização é julgada. Normalmente um ou dois líderes comandam tudo com um megafone. Os juízes circulam, observando como tudo está se encaixando, sincronizando e fazendo anotações em uma prancheta. 

Os balões são inflados com auxílio de tochas feitas de bambu e tecidos embebidos em querosene, assim como nossos antepassados brasileiros faziam antes da descoberta dos maçaricos:

Existem 2 categorias no festival: Bojados com painel e os fogueteiros.

O primeiro modelo é bojado com lanterninhas similares as nossas que são chamadas de Sein Na Pan e são feitas de papel celofane, com base em papel cartão, castiçal e araminhos, como as nossas:

Ao contrário do Brasil, as lanternas do bojo são colocadas numa espécie de painel para serem acessas e levadas acessas para os componentes da turma responsáveis por colocá-las nos balões e, em muitos casos, o bojo passa do meio do balão, o que já causou muitas queimas de balões ainda no preparo da soltura:

O painel vem lanternado e é montado através de madeiras e bambus e segurados por membros da equipe, eles não utilizam as técnicas de montagem em malhas e cavaletes como nós:

Depois de tudo pronto, a bucha do balão, feita também com tecidos embebidos em querosene é acessa: 

Em poucos minutos o balão sobe sob aplausos e gritos eufóricos de dezenas de milhares de pessoas:

Já os fogueteiros, a outra categoria de competição é um show a parte, mesmo perigoso, afinal, as técnicas de segurança são bem diferentes das nossas e é muito comum, os fogos abrir em baixa altitude e atingirem a multidão:

Mesmo com todo esse risco e adrenalina, é um dos pontos fortes do evento, mesmo havendo histórico de mortes e feridos ao longo dos anos. A organização até tem equipes de bombeiros para cuidar disso, mas mesmo assim, eles também sofrem quando acontecem esses acidentes:

Nessa categoria, os fogos, como dissemos antes, são todos feitos pelas turmas participantes, bem diferente do Brasil onde, desde os primórdios, compramos fogos de artifício em lojas e fábricas. As gaiolas tem em média 1,5 metro de altura e são compostas apenas de cometinhas e pequenas bombas de quedas:

Ao contrário do Brasil, México e Colômbia onde a prática de soltar balões está bem mais evoluída e o costume de perseguir os balões para pegá-los de volta, lá não tem equipes de resgates. Como o festival é realizado próximo a uma região montanhosa, a maioria dos balões caem por lá e como os balões são considerados por eles oferenda a deuses, ninguém vai atrás. Alguns relatos dizem que, quem os pegar, poderia receber uma maldição. Se essa moda pegasse por aqui…

Confira vídeos de preparação, montagem e soltura desses balões:

Confira alguns balões soltos nos últimos festivais:

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Curioso e perigoso, essa é a melhor qualificação que tenho pra tudo isso. Nós brasileiros, já acostumados com tanta tecnologia e sempre buscando segurança total em nossa prática, com certeza ficamos meio que admirados com a beleza, fascinados com tudo que vemos, um pouco saudosistas pra quem viveu a época dos festivais de balões quando não era crime em nosso país e acima de tudo, certos de que um dia, tudo poderá mudar.

Um abraço a todos
Dinho

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