Balão solto na Av. Santo Amaro na Vl. Olímpia em 1943

Essa semana estava através na GB lendo a entrevista do Toninho da Alvarenga e tive a felicidade de saber que ele é um dos baloeiros nascidos na Vila Olimpia, bairro que antigamente era muito povoado e com isso muitos soltaram balões por lá, porém hoje com o crescimento da cidade o bairro foi engolido pelos escritórios. Quando fui ler os comentários deparei-me com o comentário do Gerson (Art Final) que como eu, viveu algumas das solturas memoráveis no campo do córrego Uberabinha.

Com isso quero contar alguns trechos de minha infância nesse bairro que era repleto de bons baloeiros e espero que caso tenha me esquecido de algo o Gerson e o Toninho estejam à vontade para corrigir, pois era muito pequeno.

Por volta dos meus 5 ou 6 anos de idade em 1982 a Vila Olimpia vivia e respirava balões. Tinham algumas turmas naquela região, entre elas vou citar as que me recordo do nome. Turma do Mé, União da Vila Olimpia (Pituca) e Luar.

Certa noite, meu pai me levou a um campo, na Rua Nova Cidade as margens do Rio Uberabinha, onde hoje passa a Av. Hélio Pellegrino e lá começou minha paixão e amor pelos balões e é isso que pretendo contar, pois alguns não acreditam que a Vila Olimpia já foi bairro de muitos baloeiros.


Av. Hélio Pellegrino x Faria Lima

Em uma noite de sábado, meu pai chegou em casa depois de ter tomado algumas cachaças no bar do finado seu Zé que ficava na Av. Dr. Cardoso de Melo e disse para minha mãe se arrumar que nós precisávamos ver o espetáculo que alguns amigos iriam proporcionar e que tínhamos que estar lá, pois ele sempre achou lindo, porém nunca pode nos levar.

Minha mãe sem entender direito, pois segundo ela, meu pai não conseguia nem falar direito de tanta pinga (RS). Arrumou-nos e lá fomos para a Nova Cidade atrás do grande espetáculo.

Chegando lá uma multidão, parecia que toda a Vila Olimpia estava lá, mais tarde descobri que não só a Vila Olimpia, mas os bairros próximos também estavam. Muita gente. O terreno foi enchendo de gente e todos esperando pela obra de arte. De repente começaram a inflar o balão, Não tenho certeza do tamanho, mas acredito que era um 4×4. O pessoal começou a bojar o balão e aquele painel sendo iluminado e todos queriam saber qual era a surpresa que vinha embaixo dessa vez.

O pessoal bojou a criança e ascenderam o balão, que vagarosamente foi sendo guiado até pegar a antena, até então todos apreensivos com o desenho, o balão foi tirando o painel lentamente e o pessoal em silêncio aguardando e torcendo pelo espetáculo que estava sendo proporcionado. E assim foi até tirar a ultima fileira de lanternas e o balão deu uma pausa foi quando começou a gritaria e meus olhos registraram aquela imagem que nunca mais esqueci, o gasparzinho reinava no céu e para minha surpresa começa a cangalha de fogos com cometinhas pipocando embaixo da armação. Naquela época o pessoal soltava armação com fogos.

Passado uma semana lá vamos nós de novo, meu pai totalmente alterado e seus amigos também, subindo para as margens do Rio Uberabinha para ver mais uma obra de arte, dessa vez minha mãe com raiva não foi. (não sabe o que perdeu!)

Ficamos no melhor local de frente com o balão e armação, dessa forma conseguíamos ver a bela armação.

O balão foi inflado, todo bojado e aceso, começou a tirar o painel e travaram para ascender a fogueteira, foi quando ouvimos o grito:

- Corre que a fogueteira ascendeu!!!

Nossa foi uma gritaria, todos correndo e meu pai não pensou duas vezes empurrou um amigo dele que estava pior que ele dentro do rio e pegou meu braço e pulou atrás. O balão ascendeu à cangalha de cometinha e iluminou o terreno. Era muita gente pulando dentro do rio e o balão subiu com sua armação intacta e desfilou nos céus. Lindo e imponente com a armação de Nossa Senhora Aparecida se não estou enganado.

Depois pensei meu pai nunca mais vai me levar e fiquei triste, pois era a coisa mais linda que eu já tinha visto e não queria perder por nada.

Chegando em casa minha mãe perguntou o que tinha acontecido para meu pai e pensei agora ferrou. Calmo ele olhou para ela, soltou uma gargalhada e disse:

- Você não sabe que coisa linda aconteceu hoje, tinha que ver a beleza que ficou hoje no terreno, o pessoal iluminou até o rio e começou a rir e fazendo sinal de silêncio para mim!

Depois me disse para não conta a ela, mas na semana que vem nós íamos de novo.

E eu todo dia perguntava para minha mãe se já era sábado, coisa de criança desesperado para ver a beleza dos balões.

Chegou o grande dia e lá fomos nós, o mesmo ritual meu pai chegou do bar e eu lá pronto, minha mãe não pensou duas vezes e estava lá pronta e fomos ver o balão.

Quando chegamos o balão já estava nas guias e o pessoal todo naquela mescla de medo, por causa do último que ascendeu os fogos no chão e ao mesmo tempo empolgados com o desenho que iria surgir e o painel foi saindo. A turma deu uma parada na criança e colocaram a fogueteira e deixaram-no partir. Era uma armação de Iemanjá, linda demais e o mesmo foi aos céus com os fogos iluminando a noite. Lindo demais. Muito lindo mesmo.

Nessa época teve a Copa do Mundo (1982) e era comum se andar nas ruas e ver balões subindo, não tinha uma rua que não subia balões.

Perto de casa tinha o Victor, filho do Seu Vasco um Sr. Português muito engraçado e que adorava balões. Eles moravam na Alameda Vicente Pinzon, próximo ao bar do Corisco que era de um Senhor Nordestino, muito gente boa, só que era bravo demais e quando o Victor ia soltar os balões na copa (uns mexiricas de 3 mts) ele fazia o pessoal do bar parar de beber e ir ajudar a soltar, pois o balão era mais importante. A curiosidade é que todo o jogo da copa o Victor vinha com um balão nas cores dos times que iriam jogar. Era demais, acabava o jogo lá vinha ele com o balão na mão.

Em 86 já não tinha mais o pessoal soltando na Nova Cidade as armações, porém sabia que lá nos campos do Itaim Bibi subiam muitos balões e ficavam estourando em cima da Vila Olimpia, olhávamos para o Brooklin e avistávamos os balões subindo, olhava sentido Aeroporto e lá estavam os belíssimos balões da Turma da Praça do Aeroporto, mesma coisa na Vila Nova Conceição.

Naquela região subia balões de tudo que era lado. E hoje fica a pergunta, será que só o Gerson, o Toninho e Eu nos lembramos dessa época na região?

Abraços

Adauto – Águia Real

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