Edição 44 - Os Naypes | Gazeta do Balão
Edição 44 – Os Naypes
Publicado em 08/01/2019 | 597571 Visualizações

Publicada na edição 44 de Julho de 1994

GB – Nessa nossas andanças pelas sedes de abnegados baloeiros, fomos encontrar lá na Zona Leste um grupo dedicado e responsável, que valoriza com muita garra todo seu trabalho, pois ele é fruto do sacrifício pessoal de cada um de seus componentes.
Gente amiga, que nos recebeu com muita festa, e ganhamos até um belo pôster de seu melhor balão (fica aqui nosso agradecimento). A sede é simples, mas lá dentro respira-se balão, com exceção do Serjão, que me deixou (Salvador) quase embriagado pois tinha tomado uma a mais. Senti neste cara um grande carinho pela turma e pelos nossos balões, apesar de um pouco alto, tinha total consciência e respeito pelo que estávamos fazendo (veja a nota sobre o Serjão no final da entrevista).
Depois de uns comes e bebes, começamos a conhecer a história do grupo…

TN – Nossa turma, como tantas outras, nasceu pela grande paixão que sempre tivemos pelos balões. Eu (Zinho – o mais velho do grupo), o Paulo, o Amauri e o Pedro, desde pequenos fazíamos os balões tradicionais, até que a moda pegou. Certo dia, quando fizemos um balão almofada e decoramos com os naypes (Símbolos do baralho), alguém falou: porquê a gente não forma uma turma? E outro disse: beleza! O nome já temos: “OS NAYPES” . Nascia assim nossa turma em junho de 1986 com as cores vermelho e branco, e logo em seguida juntaram-se a nós o Amauri, Tô, Binho e o Jorjão. Hoje, nossa turma completa é composta por: Bortoloto, Zinho, Jorjão, Binho, Nei, João, Tojão, Julio, Chiqué, Montanha, Ronaldo, Grow e o Zoinho.
A idade média do grupo é de 25 anos, e temos “desempregados”, bancários, mecânico, prensista, segurança, vendedores e estudantes. A verba conseguimos com mensalidades, que todos pagam em dia, mas sempre sobra para o Bortoloto, que é quem comanda o grupo.

GB – Os Especialistas…

TN – Em geral, todos participam de tudo, mas, por exemplo: o Chiqué é quem faz as bocas (a boca do Truffi de 40 da Balão Mágico foi ele quem fez). A bucha é com o Zoinho, antena com o Ronaldo, Honda é o homem da decoração, e com a direção do Bortoloto, todos ajudam no que for preciso.

GB – Um momento difícil…

TN – Aconteceu quando fazíamos o pião de 30 em 92. A bancada era na casa do Paulo (Montanha), e por problemas particulares tivemos que mudar. A turma se dispersou e ficamos sem saber o que fazer, o balão ia para lá e para cá, até que conseguimos essa sede. Aos poucos todos foram voltando, e com muito sacrifício conseguimos terminar nosso melhor balão que foi solto em 93, ganhando o troféu “Gazeta de Ouro” como a melhor bandeira do ano, e compensou toda a dificuldade que passamos.

GB – O primeiro balão, a primeira emoção…

TN – Nossa filosofia, nosso aprendizado, sempre foi com muita humildade, começamos com um lindo 3x1x3 bojado e com fogos, na qual temos gratas recordações.

GB – Agora um retrospecto de oito anos de balões…

TN – Para felicidade eles já tinham a relação pronta, facilitando assim a resposta à esta pergunta, que sempre gera dúvida, consulta à álbuns de fotos, etc…
Em 87, liberamos um 4×4, 5×4 e um pião de 5 metros, todos fogueteiros. No ano 88, dois 5×5 fogueteiros. Em 1989 mais dois 5×5 fogueteiros, um 5×4 letreiro “Ana Paula”, pião de 10 fogueteiro, 6×6 diurno, 5×5 solto no festival da Balão Mágico (ficamos em 7º lugar), e com um 8×8 fogueteiro diurno; Em 1990, liberamos um 5×5 com letreiro da turma, 8×6 resgatado da Zeppelim do Tatuapé, pião de 8 com bandeira ” Esquilo”, pião de 10 fogueteiro, 5×5 letreiro “Bortoloto”, 4×4 letreiro “Jorge”, 4×4 letreiro “Bárbara”, 4×4 letreiro “Silvano” em pião de 14 com bandeira “Peter Pan” e um fogueteiro; Em 1991 soltamos um 6×6, um 7×7, um pião de 20, todos fogueteiros, e um 5×5 letreiro ” Ana Cristina”; No ano de 92, liberamos pela 2ª vez nosso pião fogueteiro e um 5×5 letreiro ” Tairine”. Em 93, soltamos nosso melhor balão, que foi o pião de 30m, decorado geométrico com bandeira “A Bela e a Fera” (Melhor bandeira do Ano), medindo 38×52. Neste ano de 1994, já soltamos um 11×11 fogueteiro diurno que foi resgatado pela Balomania de Guarulhos e depois de algumas negociações, recuperamos o balão e o soltamos em Itapevi, no mesmo dia do Truffi de 40m da Balão Mágico, na versão fogueteiro noturno (desconhecemos o resgate).

GB – Um balão sempre marca o grupo…

TN – Sem dúvida. No nosso caso foi o pião solto em 93, porque durante a sua confecção a turma quase acabou e depois serviu pra levantar a nossa moral.

GB – Qual o local onde normalmente vocês soltam seus balões?

TN – aqui mesmo, próximo a sede, no campo do Santa Luzia.

GB – Festivais…

TN – Vão bem. Estão mais organizados, e a proibição dos fogos ajuda bastante. Falta apenas mais balões na parte noturna. Realizamos apenas um festival “competição”. Paramos para não criar inimizades, pretendemos realizar uma revoada em breve.

GB – Resgates…

TN – Participamos ativamente de resgates. Está ruim, muitas discussões e isso atrapalha bastante o nosso hobby. Quando chegamos e sentimos um clima ruim, nós nos retiramos. Agora se chegarmos na boca, é nosso. Como melhorar? Sei lá. É Muito difícil, só não existe solução pra morte.

GB – Gigantismo…

TN – Não temos nada contra. Balão grande e bem feito é mais seguro, mas é preciso que a turma tenha condições e principalmente experiência.

GB – Incentivo aos baloeiros…

TN – É válido. Pena que um evento de tanta tradição esteja tão desorganizado, a ponto de não ganhar os melhores, e o que é mais lamentável, ter o resultado 6 meses depois do encerramento, desanimam as turmas a participarem com seus melhores trabalhos.

GB – Nível de segurança dos balões hoje de 1 à 10:

TN – 6 – é preciso trabalhar com mais atenção na confecção e no cintamento.

GB – O balão tem limites:

TN – Acreditamos que sim. Os piões até 30m e os mexericas até 12 folhas;

GB – O que falta, e o que tem a mais na GB?

TN – No geral está excelente. A festa da Gaviões foi ótima, a campanha ” Junho – baloeiros em Férias” é válida para a preservação da arte, tem bastante diversificação nas matérias e falta apenas ” acertar a coluna ” As turmas Informam”;

GB – Três fatos ou pessoas que merecem destaque…

TN – Tatí, Nô da Turma Anjos da Noite e Armando da Turma de Guaianazes.

GB – Próxima soltura e a programação do grupo…

TN – Em novembro sobe o pião de 30 todo decorado com bandeira. Na programação ou melhor, na bacada, pião de 24 metros para fogueteiro, outro de 24 para bandeira, e um 11x2x11 também para fogueteiro.

GB – Espaço livre…

TN – “Agradecemos à presença da equipe da GB em nossa sede e nosso recado é o seguinte: Os baloeiros devem se conscientizar que é preciso mais organização nos resgates para que percamos a liberdade de exercitar nosso hobby, e um balão pequeno com qualidade vale mais que um balão de porte sem segurança”.

Nota da GB: Em junho, dois aniversariantes da turma, dia 16 Paulo (Montanha) e dia 24 (coincidência ou não), é o dia do João. E atenção Serjão: 15 dias sem Mé, e um balão que você soltar, vale um troféu na próxima festa da Gazeta do Balão.

Esta entrevista foi realizada no mês de junho de 1994.

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