Edição 25 - Parque | Gazeta do Balão
Edição 25 – Parque
Publicado em 10/01/2019 | 347283 Visualizações

Publicada na edição 25 de outubro de 1992:

A entrevista desta edição conta a história de antigos e tradicionais baloeiros. Por motivos extra balão, desmancharam os grupos a que pertenciam mas conservam com muito orgulho o nome de suas turmas. Nosso personagem central desta entrevista reuniu essa elite de baloeiros, que já fizeram e soltaram balões dignos das maiores obras já vistas em São Paulo. E o trabalho deles não para como vocês irão perceber ao longo de suas narrativas. Nossa homenagem antecipada a esse moço as vezes incompreendido por sua forte personalidade, mas que tem como marca registrada a verdadeira ALMA DE BALOEIRO. Estamos falando do Ricardo (carinhosamente conhecido como Banha) que é o nosso personagem central. Por questões técnicas, vamos utilizar o nome: TURMA DO PARQUE & SEUS AMIGOS do Jardim São Paulo – Capital.

PARTICIPARAM DA ENTREVISTA: Pela Turma do Parque: Banha, Ravísio, Giba e Ricardo (Picareta). Pela GB: Elenice e Ana.

GB: Como dissemos acima, este grupo foi formado por baloeiros de outras turmas. Iniciamos a entrevista perguntando ao Banha quando e o porquê desta fusão…

TP: Eu fazia meus balões e era conhecido como Turma do Parque quando em fevereiro de 1990, alguns baloeiros da Balão Azul da Vila Maria, da Buraco da Onça do Jardim São Paulo, da Turma da Mancha, da Voo Livre, da Águia e o Pepe, descontentes com seus grupos ou pelo fato dessas turmas estarem praticamente paradas, é que nos reunimos para fazer balão. Devido ao local onde moro chamar-se Parque Domingos Luís é que esse grupo ficou conhecido como Turma do Parque.

GB: Quando e qual foi o primeiro balão solto depois dessa união?

TP: Foi um 6×6 fogueteiro solto em Março de 1990.

GB: O 6×6 foi o primeiro, mas sabemos que já foram soltos muitos balões por você e seus amigos, vamos relembrar?

TP: Claro! Mas peço licença à você para citar primeiro o balão de cada um de meus amigos e depois os balões da união das turmas:

Vou citar apenas os balões principais:

BURACO DA ONÇA: Pião de 14m tema “Estátua da Liberdade” em fevereiro de 1987;

MANCHA: 6x1x6 com letreiro “Rogerio” solto em outubro de 1990;

PARQUE: 9×8 bandeira da turma solto em Jordanésia;

PEPE: Pião de 16m solto em abril de 1992;

UNIÃO DAS TURMAS: 9×9 “Borboleta” solto em maio de 1991, 11X11 “Brasil” solto em junho de 1990, Pião de 20m com bandeira e fogueteira solto em novembro de 1990 e um 6×6 letreiro “Tuti” solto em abril de 1992.

9×8 bandeira da turma solto de Jordanésia em 1989

GB: Nesse desfile de balões de altíssimo nível, tem um que sempre marca, qual foi e por quê?

TP: Sem dúvida foi o 9×9 “Borboleta” solto em  maio de 1991. Marcou porque geralmente a soltura de um balão de porte provoca desentendimento, mas neste caso serviu para fortalecer ainda o nosso grupo.

GB: Vamos descontrair? Conte um caso pitoresco…

TP: Esse foi dos nossos amigos Paulinho e William. Eles estavam empinando nosso 11×11 preocupados com as guias do balão e também pela falta de espaço. Foram andando, andando… até que caíram dentro de um buraco de lama, aí foi só risadas. Imaginem como eles ficaram…

11×11 bandeira e fogueteiro solto de Mairiporã em 1990

GB: Resgate… Sua visão hoje e como melhorar?

TP: Antigamente éramos de resgate, mas hoje não tem condições de sair mais para resgatar um balão. Sou da opinião de quem soltar seu balão ir resgatar. O resgate dificilmente terá uma solução. É a coisa mais crítica que existe embaixo de um balão. Eu não vejo uma luz no fim do túnel. É a lei da ação e reação porque já tomaram vários balões nossos e também já tomamos muitos baloes, mas jamais andamos armados.

GB: Gigantismo é necessário? E quais os prós e contras?

TP: O gigantismo é um mal necessário. Ajudar não ajuda, porque tem que ter carga e uma equipe que solta balão grande tem que primeiro ter feito uns 30 2×2, 3×3, 4×4 e aí sim pensar em um gigante. Fazer balão grande não é fazer e soltar, você tem que ter amor a arte, ao trabalho e temos que dar valor a esses valores. Já faz 10 anos que fazemos balões e só hoje estamos com o pião de 42m como você pode ver aqui ao lado. Mas para nós é mais um desafio. É aquela agonia, aquela preocupação, aquele trabalho de tanto tempo. Será que vamos conseguir? Será que dará certo? Mas tudo isso no final, é gratificante.

Pião 14m (1992)

GB: Festivais como está o nível hoje? Ajuda ou atrapalha?

TP: Antigamente era melhor. Os artistas dos balões pararam de participar. Os festivais hoje não tem mais aquela novidade, festival é para gente se divertir e hoje não existe mais festa. Falta consciência dos próprios baloeiros que organizam e participam dos festivais e os fogos quase que em 90% são o que prejudicam esses eventos.

GB: Acontecimentos de Junho deste ano: Tentativa de soltura do Pião de 52 em Sorocaba e o Festival da União…

TP: Resumindo tudo que todos já sabem a respeito do balão em Sorocaba, na minha opinião, o problema não foi o balão, nem o local, nem as pessoas que tentaram soltar. O que realmente aconteceu é que faltou humildade e no Festival da União, a comissão julgadora e o grupo organizador não tiveram capacidade de eliminar os balões sem condições de soltura.

GB: Incentivo aos Baloeiros (Boca de Ouro): antes, hoje, ajuda ou atrapalha, deve ser reformulada ou está tudo bem?

TP: O problema do Incentivo ou Boca de Ouro sempre foi e será o mesmo, ou seja, ninguém segue o regulamento. O troféu geralmente é dado por gosto próprio e não por julgamentos, partindo desse princípio, nunca será bem visto. Os organizadores, os julgadores, deveriam aparecer e ter orgulho de dizer: eu julgo o Incentivo e não ficar escondido, porque o nome já diz tudo, e deveria ser um prazer para eles julgarem.

Pião 20m (1990)

GB: Qual a sua opinião sobre o balão hoje e seu futuro em São Paulo, Rio e Curitiba?

TP: Em São Paulo, as armações estão acabando por falta de espaço. Hoje em dia o que eu vejo é que tem muita gente querendo apresentar bons trabalhos mas não tem experiência suficiente para tal. A qualidade dos balões está acabando. No Rio acontece a mesma coisa e tem muita gente antiga parando, mas a situação financeira é o fator principal que diminuiu sensivelmente a quantidade dos balões. Em Curitiba para os balões, os festivais e a Boca de Ouro existem regras e regulamentos que todos cumprem rigorosamente. Esta é a fórmula mais certa que pode existir e um exemplo para todos.

GB: Associação de Baloeiros, como você vê essa ideia em São Paulo e como anda essa organização no Rio de Janeiro?

TP: Se fizerem corretamente, tudo legalizado e com baloeiros competentes trabalhando pela nossa arte, tenho certeza que dará certo. E no Rio hoje, eu posso dizer que esta tudo bem, porque são verdadeiros baloeiros que dirigem e trabalham nessa área.

GB: Regulamentar o balão é o assunto do momento devido a fase política atual. Qual a sua opinião sobre isso?

TP: É muito difícil, mas se houver uma associação com pessoas competentes e do ramo, certamente teremos resultados positivos.

9×9 solto de Mairiporã em 1991

GB: Lançamos em 1992 o Projeto Art 90. Você teve conhecimento ou desconhece esse evento? Se positivo, qual sua opinião?

TP: Se vier em prol do balão tudo é válido. Vocês encontrarão muitos obstáculos, mas terão que entrar de cabeça firme. Eu darei todo apoio que precisarem. E para vocês eu bato palmas e desejo muita sorte e sucesso.

GB: Qual sua opinião sobre a GB. Falta alguma coisa?

TP: A GB é completa, não falta nada, aliás, tem até coisa demais. Este jornal você tira proveitos do começo ao fim. Existem vários jornais, mas igual ao de vocês dificilmente existirá alguém capaz de fazê-lo. A GB é mais que necessária para o balão.

GB: Próxima soltura e qual a programação do grupo?

TP: Estamos com esse Pião de 42 m com bandeira “Rei Artur e os Cavaleiros da Távola Redonda” aqui na bancada ao lado, mais o 10x9x1 com armação “Luiz Gonzaga” e um Truffi de 27m para fogueteiro que está em andamento.

Pião 18m (1993), Truffi 27m (1993) e 8×8 (1994)

GB: Espaço Livre…

TP: Gostaria que no nosso meio não existissem pessoas que quisessem aparecer mais que o próprio balão. Digo isso a nível de troféus, resgates, solturas e que seja relacionado a ele. E por último, os parabéns para todos que querem bem ao balão.

GB: Mensagem final…

TP: Já que não conseguimos tão facilmente a união entre a nossa classe, poderíamos ao menos não atrapalharmos uns aos outros principalmente na soltura de balões de porte. Um forte abraço à todos da equipe da GB.

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