Nenê e a Geladeira | Gazeta do Balão
Nenê e a Geladeira
Publicado em 12/06/2014 | 573565 Visualizações

Olá amigos! Há exatos 20 anos, em 12 de junho de 1994 subia do famoso e inesquecível campo da Santa Inês em Mairiporã, o paraíso dos balões um dos mais fantásticos Piões de toda a história, o Pião de 45 metros da Turma da Emenda.

A vontade de realizar um projeto audacioso sempre existiu entre os integrantes da Emenda e o projeto de um pião de 54 metros acabou virando um pião de 45 metros.
Tudo nasceu 4 anos antes atendendo um pedido do Marcão (Severa Albatroz), projetista dos balões da Emenda na época, que queria fazer um balão com um tema grego. Desde o leque, os riscos e o molde foram idéias dele. Mas antes de contar a história deste lindo balão, não podemos deixar de fora a história do querido Nenê, o mestre das bandeiras da Emenda.
Comerciante de sapatos na zona leste de São Paulo, Nenê conheceu os irmãos Sergio e Pedro ainda na época da Zodíaco. Após aceitar o convite do Sergio para participar da nova turma que havia fundado com seu irmão, em pouco tempo, se tornou o cara
responsável pela confecção das bandeiras da turma devido a sua excelência e precisão na confecção.
Bem sistemático, organizado, dedicado e apaixonado, Nenê tinha algumas manias e, entre elas, guardar as placas das bandeiras numa geladeira. Isso mesmo, numa geladeira ligada, claro. Obviamente, tem uma explicação. O papel de seda quando é exposto ao calor se dilata, aumenta de tamanho. Como era perfeccionista e todas as placas de bandeira que fazia tinham que ter uma precisão cirúrgica como se fossem cortadas com uma guilhotina, colocando-as na geladeira, ela não dilatava e ia para a bancada para que finalizassem a bandeira perfeitas, sem 1 milímetro fora do lugar.
Logo após a soltura do Pião da Peruana, Marcão trouxe o projeto do 45 e Nenê não queria fazer a bandeira. Com problemas pessoais, teve que escolher entre o balão e o casamento, pois, seu amor pelos balões era tão grande que sua mulher fez aquela famosa ameaça de escolha que muitos de nós sabemos qual é.
Nessa mesma época, o querido balógrafo Tati também pediu um balão e Nenê fez o famoso Truffinho de 7,5m com a bandeira em homenagem ao Tatí e todos os balógrafos.
No dia da soltura desse balão em Mairiporã, Nenê duvidou que aquele balão puxasse a bandeira (Achava muito grande para um balão de 7 metros) e o Sergio lhe propôs uma aposta: Se o balão subisse, ele faria a bandeira do 45. E Nenê se deu mal, o balão subiu e lá foi ele colar taquinhos e mais taquinhos novamente.

Passado 4 anos, o balão das Deusas Gregas ficou pronto e a soltura, na manhã de 12 de junho de 1994 foi perfeita, mas o clima não ajudou. Por vários finais de semana o balão teve sua soltura cancelada e, em praticamente todos os dias, sempre havia neblina no começo da manhã e limpava depois das 08:00. Com isso, arriscaram enchendo o balão na neblina, porém ela não dissipou e o balão teve que subir naquelas condições. Foi uma pena, mas independente do tempo ruim, o balão subiu perfeito e deu o seu recado e é considerado por muitos, o balão mais belo da Emenda.


Após mais de 5 horas de voo, o balão caiu totalmente apagado numa mata fechada na região de Salesópolis, interior de São Paulo.
Entre centenas de pessoas que o perseguiam, um conhecido baloeiro chamado de Paulinho Ignorante, aquele mesmo do 33×33, viu onde o balão caiu, andou mais de 3 horas na mata com amigos e encontrou o balão caído sob árvores. Ficaram por lá, revezando com amigos durante uma semana inteira dormindo sob o balão até conseguirem retirá-lo da mata.
Durante anos ele ficou guardado em diversos locais. Muitas lendas foram ditas mas a verdade é que há poucos anos, ele acabou sendo jogado no lixo após a mãe do dono da casa onde estava guardado dar um banho de mangueira nele literalmente.

Veja o vídeo:

 

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