Porquê é tão difícil soltar um gigante? | Gazeta do Balão
Porquê é tão difícil soltar um gigante?
Publicado em 07/05/2013 | 859853 Visualizações

Olá amigos. Por toda a história, os baloeiros, assim como em outras atividades, buscaram superar limites e nos primórdios do balão, lá nos anos de 1970, onde os maiores balões não passavam de 10 a 20 metros, quem se arriscava e fazia balões maiores ganhava muita fama devido aos seus feitos com os primeiros gigantes.

O primeiro baloeiro a construir balões “gigantes” foi David de Guadalupe no Rio de Janeiro. Em 1975 ele soltou um enorme Zeppelin de 35 metros:

No ano seguinte, ele fez um 19×19 feito com o mesmo papel utilizado em sacos de cimento, já imaginando que os papéis até então utilizados na confecção dos balões não seriam capazes de suportar tamanha pressão. Realmente o papel kraft de 45 gramas era bem forte e segurou bem, fato que o balão solto a tarde subiu, mesmo levando uma bananeira como lastro, pois o paraquedista que iria subir com o balão desistiu.

19×19 – David de Guadalupe

3 anos depois, Ivo Patrocínio e sua turma do Cachambi, construíram o famoso Pião da Bandeira, um marco na época e, mesmo sendo menor que o balão de David, foi considerado um gigante:

Pião de 32m solto em 1979

Já durante a Copa de 1982, a turma do Cachambi surpreenderam mais uma vez, soltando um gigantesco Pião de 40 metros também com o pavilhão nacional e, prevendo um possível resgate, colocaram boias, sinalizadores e bipes com a esperança de que alguém conseguisse resgatá-lo porém, assim como o pião de 32m, ele desapareceu e até hoje, não se tem notícias de onde estes balões tenham caído.

Pião de 40m solto em 1982

Este balão de Ivo Patrocínio e seus amigos, além de quebrar a barreira dos 40 metros também marcou o início da busca em construir o maior balão do mundo e, consequentemente, falhas aconteceriam.

Em São Paulo, o primeiro gigante apareceu meses depois com um baloeiro que ficou conhecido como Paulinho Ignorante devido a sua aventura em construir um 33×33 com papel jornal. Meses depois que começou a fazer o balão recebeu a ajuda de amigos e ali nasceu a turma Piratas do Céu. Com medo da polícia, o balão acabou sendo solto sem bucha e ficou conhecido como o Monstro do ABC, batizado pelos jornais da época.

33×33 solto em setembro de 1982

O balão subiu e após 2 horas de voo, caiu numa quadra de futebol na cidade de Rio Grande da Serra, cidade próxima a Santo André no Grande ABC. Quando os baloeiros chegaram a molecada estava subindo no muro da quadra e pulando sob o balão como se fosse um imenso pula-pula. Aí colocaram fogo na papelada e a boca, que foi levada pela própria Piratas do Céu, virou estacas de armação.

2 anos depois, a união de turmas cariocas liderada pela extinta Turma da Harmonia construiu um dos mais polêmicos e caçados balões de toda a história, o pião de 54 metros, batizado pela imprensa carioca como “King of The Kings” ou Reis dos Reis. Além de diversas tentativas de soltura onde, em todas, o balão estourou quando tentavam inflá-lo, ele arrastou milhares de pessoas, foi caçado pela polícia e pela imprensa carioca e, diz a lenda, que chegou a ficar escondido dentro de um caminhão em frente a delegacia, lugar onde a polícia jamais imaginaria. Cansados com tanta perseguição e insucessos ao tentar soltá-lo, decidiram destruí-lo. No ano seguinte (1985) a própria Harmonia fez uma réplica e, enfim, podemos ter uma ideia de como ele seria se ao menos tivesse enchido novamente, além de levar uma bandeira que reproduziu o painel de papel que ele levaria:

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O Rei dos Reis (1984) e sua réplica solta em 1985

Os anos passaram, tivemos balões gigantes sendo feitos pelas principais turmas de São Paulo e Rio de Janeiro. Com a dificuldade em conseguir moldes,  tivemos diversos balões confeccionados com dois únicos moldes criados  pelos cariocas Ivo Patrocínio e Tião da Bruxa. Com esses moldes, subiram diversos piões de 40 a 45 metros durante toda as décadas de 80 e 90.

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Pião 40m – Dez de Ouros – SP (1985), Pião 42m – Bruxa – RJ (1985), Pião 44m – Cometa – RJ (1986), Pião 45m – Vila da Penha – RJ (1987), Pião 42m – Unida – RJ (1987), Pião 42m – Dema – SP e Pião 42m – Alemão e Cia – SP (1988), Pião 42m – Caverna – SP (1995) e Pião 40m – Cambuí – SP também em 1995

Em 1990, a Turma do Cometa em parceria com o Gabriel, um dos responsáveis também pelo Rei dos Reis conseguiu um feito inédito. Soltou com sucesso seu pião de 54 metros e ficou por anos no topo dos gigantes que deram certo sendo batido somente em 2000 com o Pião de 61,5 metros da Emenda em São Paulo.

Pião 54m – Gabriel e Cometa solto em abril de 1990

Pião 61,5m – Emenda solto em junho de 2000

Voltando em 1989, logo após a explosão de seu pião de 56m que, por anos tinha 60, 64 metros, Ivo Patrocínio disse que o limite do papel tinha sido alcançado. Contrariando o que o pai do Pião Carrapeta disse no ano anterior, a conhecida Turma Unida do Jabour de Paulinho Carrapato  apresentou um enorme pião com 70 metros de altura. Sua soltura em setembro de 1990 foi prejudicada pelo vento e o balão subiu sem a boca. Desfilou, ameaçou cair diversas vezes, virou de cabeça para baixo, ficou de lado e caiu sobre árvores após 30 minutos de voo. Anos depois, fizeram outro, desta vez ele ficou de pé, saiu de boa mas explodiu menos de 2 minutos após subir.

Logo após os dois piões de 70 metros de Paulinho Carrapato, poucas turmas tentaram bater o teto dos 60 metros. Tivemos o Estrela de 60m da Casarão (Méier) em 94, o Zeppelin de 70m da Turma da Kombi que queimou em 97, a Emenda em 2000 com seu pião de 61 metros e o inesquecível Modelado de 60 metros da Jurema em 2001.

Em 2006 o Pião de 72 metros de Lelo com a Sandú Mosaico marcou uma nova fase na história dos balões responsável até hoje pelos principais recordes do mundo do balão como o maior Pião Carrapeta a subir completo sem problemas e sem notícias de onde tenha caído.

 

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Nos anos seguintes a soltura do Pião de 72 tivemos início a construção de 4 balões que marcariam seu nome na história recente acima dos 60 metros: A Estrela de 100 metros da Turma Piratas do Rio de Janeiro em 2008,o pião de 90 metros do Anderson, a Bagdá de 60 metros da BZL e o Pião de 74 metros da Zeppelin. Em todos os fator climático prejudicou suas solturas. A Estrela dos Piratas assim como o Pião da Zeppelin de Suzano sequer chegaram a encher completamente, a Bagdá da BZL sofreu com a brisa e saiu, como o Pião da Emenda destruindo a bandeira e o lendário Pião de 90 metros após 4 anos pronto, teve 3 tentativas de soltura. A primeira em junho de 2010 onde sequer saiu da lona, em setembro de 2011 quando finalmente foi inflado porém a névoa úmida danificou o teto do balão impossibilitando sua soltura e a última, na qual ganhou 2 metros em sua reconstrução em outubro de 2012 onde a união dos cones não aguentou a forte brisa e o papel subiu deixando todos frustrados com a boca na mão literalmente.

Durante todos estes anos tivemos dezenas de balões gigantes em todos os 3 estados da federação, sem contar os que até hoje não foram finalizados ou os que as polícias apreenderam. De Floor Post, Seda, Kraft ou Hulk a cada balão aprendemos com erros e acertos sejam de confecção, escolhas do dia ideal e até mesmo de logística e organização durante a soltura. Uma coisa é fato: Balão bem feito aguenta mas isso não quer dizer que significará sucesso. E vocês, o que acham que seria necessário para construir e soltar um gigante com perfeição? Participe preenchendo o formulário abaixo.

Abraços a todos.

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