Por que os balões explodem? | Gazeta do Balão
Por que os balões explodem?
Publicado em 10/11/2011 | 382290 Visualizações

Olá amigos. Nesta coluna vamos  relembrar alguns balões que tiveram um final triste e explodiram ou nas guias ou pouco tempo depois de subir. É triste falar sobre isso pois muitos deles e tantos outros que em nossa pesquisa não lembramos, mas debater sobre falhas ou até fatalidades ajuda a muitos a entender como um balão, feito com dedicação, carinho e, em muitas vezes feito por pessoas experientes, pode explodir mesmo com tanta tecnologia e conhecimento nos dias de hoje.

Até o fim da década de 80, não existia computador, internet e celular. Naquela época as turmas trocavam experiências no boca a boca, visitando bancadas, telefonando, perguntando. Nos primeiros anos do balão moderno, tanto no Rio de Janeiro quanto em São Paulo, era comum vermos balões explodirem pois os baloeiros não conheciam os limites do balão e de seus materiais. Por muitas vezes acidentes aconteciam por desconhecimento de materiais. Devido a isto, os baloeiros descobriam na base de acidentes até onde o balão poderia ir.

Um exemplo foi a batalha pelo maior balão do mundo que começou em 1976 com o 19×19 de David de Guadalupe no Rio, o famoso Balão da Bananeira feito de papel usado em sacos de cimento que iria levar um paraquedista. Ele desistiu e penduraram uma bananeira na boca pro balão não sair capotando. Pode até ser que não era a intenção de David e seus amigos, mas naquela época, soltar um balão de 38 metros era uma coisa inacreditável e só não lotou de gente porque não havia muita comunicação e o balão foi solto a tarde pois na manhã do dia da soltura o tempo não estava bom.

Anos depois começou a interminável busca pelo maior pião do mundo com a soltura do Pião de 24m de Ivo Patrocínio e sua turma do Cachambi em 1978. Após este que foi o primeiro pião de 24 metros da história a subir, o balão foi crescendo, ano após ano. Durante a década de 80 os balões foram crescendo e os limites foram aparecendo.

Durante toda a década subiram diversos piões de 42 metros. No meio da história tivemos o Pião de 54m, conhecido por Rei dos Reis que teve diversas tentativas de soltura e, em todas, rasgou ou explodiu no maçarico. Nem chegou a encher completamente. Com exceção do Rei dos Reis e do 33×33 da Piratas do Céu de São Paulo que subiu só com a boca, diversos piões de 42 subiram durante a década de 80 e muitos deles tiveram problemas, mas subiram.

A primeira tragédia de um gigante foi em 86 com o Pião de 44m da Cometa que explodiu após subir.

Nos anos seguintes, os balões foram crescendo, foram subindo e, em 1989, o maior pião do mundo, um pião de 56 metros de Ivo Patrocínio, explodiu ainda no maçarico. Muitos que estavam presentes ou que assistiram o vídeo acompanharam o desabafo de Ivo após o acidente que dizia que ali era o limite do balão, do papel.

No ano seguinte, o conhecido cortador de balões Paulinho Ribeiro, mais conhecido como Carrapato apresentou seu ambicioso projeto, um Pião de 70 metros. No dia da soltura no Clube Atlântico, o balão pegou uma forte brisa na hora de encher, começou a arrastar a todos na boca e decidiram soltá-lo só com a boca. Foi uma decepção total e devido a isto, Paulinho decidiu fazer outro, também de 70 metros.

3 anos depois lá estava mais um gigante subindo e … explodindo. Mesmo utilizando os melhores materiais e técnicas, levando uma bandeira minúscula (40×60) ou balão explodiu segundos após sair da mão. Inexplicável!

Após esse balão, muitos outros ficaram marcados na história pelas suas fracassadas tentativas de soltura. De médio a grande porte, simples ou bonitos, durante toda a história, balões memoráveis ficaram marcados não pela sua grandeza ou beleza e sim por acidentes.

Chega a ser triste lembrar de tantos balões que não deram certo. Mas a pergunta que fica é: Onde os baloeiros erraram? No começo de toda a história sabemos que aprendemos apanhando. Afinal nunca tivemos uma USP, uma UFRJ pra nos auxiliar com estudos. O baloeiro aprende a colar uma bainha, a fazer um balão na raça. Se tudo que sabemos hoje, sabemos por intermédio de nossas experiências. Todos os acidentes na história são marcados por hipóteses pois não há como fazer uma perícia pra saber o real motivo do acidente. Alguns dos acidentes citados são com balões de turmas experientes, de nome e que já provaram em outras oportunidades que sabem o que fazem. Vai entender?

Dos últimos a pergunta fica mais curiosa. Vejamos os 3 piões acima lembrados. Amor a Arte (2008), Progresso (2009) e Origami (2011). Poxa nem precisa falar da qualidade de cada uma das turmas. Ninguém em nenhuma é novato no balão. Todos tem experiência de sobra e no caso da Progresso, sei que buscaram os melhores materiais, corrigiram o molde, calcularam tudo, escolheram o melhor dia e… deu merda! Vai entender. No outros dois eu não posso falar muito pois, além de não estar nas solturas, não falei com ninguém das turmas em questão mas sei da qualidade de todos. No mesmo dia do balão da Origami neste fim de semana (06/11), tivemos o 24 da Curvinha. Pelo que ouvi também explodiu. Se estiver errado me corrijam.

Uma coisa é fato. Acidentes são raros nos dias de hoje. Todos sabemos que sobem milhares de balões a cada temporada e acidentes são mínimos. Muitos deles são facilmente descobertos e servem de experiência a todos nós para não repetir o erro. Sabemos também que em alguns casos são por negligência, irresponsabilidade e porquê não fatalidade? Dê a sua opinião:

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