Releitura do Fantástico | Gazeta do Balão
Releitura do Fantástico
Publicado em 04/06/2012 | 543445 Visualizações

Olá Amigos! O começo do mês mais tradicional de nossas vidas foi bem agitado. Começou com nosso 4º Festival, novamente em Itapecerica da Serra. Foi um evento muito legal, com a presença de 7mil pessoas e a soltura de 64 balões. No final, o vento acabou impedindo que alguns balões subissem corretamente, mas isso não impossibilitou a beleza do espetáculo.

Além dos balões e da grande massa de presentes, pela primeira vez na história dos festivais de BSF, tivemos a presença das duas maiores emissoras de TV do Brasil: A TV Globo e a Record, que mandaram suas equipes de reportagem ao evento, porém cada uma com interesses distintos. A Globo que foi apenas “caçar” falhas para inserir em sua matéria abusiva que seria transmitida em seu principal jornal dominical, o Fantástico e a Record, que gravou algumas imagens e entrevistas para uma futura matéria especial sobre o mundo dos balões. Essa matéria, para o programa Domingo Espetacular, concorrente do Fantástico, será veiculada em breve e, assim como a matéria de 2007, está sendo feita em parceria comigo. Ela não tem data marcada, pois tem muita coisa ainda a ser feita.

Em relação ao Fantástico, ela foi, ao meu ponto de vista, boa em alguns aspectos e totalmente ridícula em outros. Por isso, vamos fazer uma releitura ponto a ponto dos 13 minutos da reportagem para que todo mundo entenda a sequência de falhas absurdas da Globo e dos baloeiros que foram apresentadas no programa de ontem.

Antes de mais nada, é preciso saber como funciona um programa jornalístico. Cada programa de TV funciona como uma empresa dentro de outra como se fosse um prédio e cada andar um programa de tv tem seu escritório. No caso do Fantástico ele é gerado no Rio de Janeiro e possui escritórios em São Paulo e em Brasília.

Quando uma pauta (assunto) é sugerida por alguém de dentro ou de fora da Emissora, ela é discutida em uma reunião e aprovada pelo editor – chefe, o profissional responsável em escolher o que vai ao ar.

Depois de escolhido as pautas, elas são divididas entre os produtores e eles vão atrás de imagens, procuram pessoas para dar entrevistas sobre o assunto e ai os reporteres vão pra rua gravar.

Depois de pronto, o material com o vídeo é assistido pelo editor chefe juntamente com uma equipe de produtores, editores de texto e vídeo onde a matéria é montada com a intenção que foi estabelecida, e muitas vezes, “limitada” ao tempo disponível que já é pré-determinada pois em TV, tudo roda em cima de tempo e nessa matéria do Fantástico, eles tinham 13 minutos para mostrar o mundo dos baloeiros.

A matéria em questão, teve produção de Celso Lobo e Guilherme Belarmino com os repórteres Júnior Alves e Tiago Eltz.

Separei os 13 minutos da matéria em blocos divididos por assuntos apontando as falhas e acertos da produção. Vamos lá:

Parte 1 – Início

Realmente é lamentável como a falta de interesse em separar o joio do trigo. Assim como em qualquer atividade, temos bons e maus profissionais e se fizermos isso na Globo também veremos que existem bons editores de imagem, de textos, jornalistas e editores, como também temos maus exemplos em baloeiros, vândalos e ratos de resgate. É lamentável ver isso mas é bom. Eu não me senti nem um pouco envergonhado ao ver essas imagens pois eu não faço parte dessa gangue. Gosto de resgate, de pegar balão sim, mas nunca vai me ver fazendo isso. Subindo em casas, invadindo propriedades, destruindo. Eu sou da época de tocar a campainha e pedir. É obvio que não serei hipócrita em falar que isso só acontece no Rio. Acontece aqui em São Paulo, em Curitiba sim, mas nossas cidades tem um benefício que o Rio não tem que é mato. Hoje, a maioria dos balões paulistas e paranaenses soltam balões em áreas rurais, no interior e me desculpem os amigos cariocas, mas é um absurdo soltar balões dentro do Rio. Parece uma preguiça. Quando se fala que nós andamos 70, 100 km pra soltar um balão eles nos chamam de loucos. Pois é. O Rio de Janeiro pode até ser pequeno, mas o bom senso deve prevalecer. Quer soltar um balão? Solta no meio do mato, solte com responsabilidade, com pouco peso. O balão que apareceu queimando no começo da matéria, o Modelado de 12m da Campo Grande e Revelação solto em abril, caiu aceso dentro da cidade e ele não é o único, isso acontece direto. Será que o erro está no mundo do balão inteiro ou em quem não tem responsabilidade em escolher um dia legal, colocar peso abaixo do calculado, diminuir as velas do letreiro e armação, colocar pavio lento em fogueteiras, chapéus anti chama…. Se for falar os erros mais comuns ia dar uma página inteira sobre isso, mas emfim, a culpa não é da TV Globo e sim de quem alimenta o mundo do balão com essas atitudes. Você acha que estou errado? Pega os dvd´s de resgate e compara: A maioria dos videos de balões paulistas e paranaenses caem no mato. Já os cariocas…

Parte 2 – Pedras no caminho de aeronaves e embarcações

Depois de mais alguns minutos mostrando a triste realidade dos resgates cariocas, entramos no assunto exposto por Luiz Cláudio Bastos, do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) que são os resgates no mar ao lado do aeroporto. Ele lembra o artigo 261 do Código Penal:

Ele está certo. Atrapalhar o tráfego aéreo pode causar um acidente catastrófico, pois todos sabemos que o maior risco de acidentes com aviões são durante o processo de pouso ou decolagem e balão ao lado da pista do aeroporto é muito grave. Se eles fosse soltos longe do aeroporto, eles não cairiam ali certo? Sobre o espaço aéreo fora da área de aeroportos, o que me dizem, por exemplo de balões meteorológicos?

De acordo com o Wikipédia, a enciclopédia mundial, um balão meteorológico é um simples balão de gás usado para medir a umidade relativa do ar e pressão atmosférica para melhor prever a meteorologia. Com esses balões é possível determinar com mais eficiência a possibilidade de chuva e frentes frias.

Os balões são adaptados a resistir a baixas temperaturas, revestidos de cloropreno e preenchidos com hidrogênio ou hélio. Carregam sensores que transmitem as informações em tempo real via sinais de rádio e são munidos também de um GPS. Sobem geralmente até a estratosfera, podendo chegar a mesosfera.

Fundamentais na meteorologia moderna, esses balões são lançados por institutos de pesquisa e universidades. Estima-se que mais de 3000 balões são lançados coelhinhos azuis todos os dias na atmosfera.

3 mil balões por dia. No mundo do balão junino isso é a quantidade que sobe por ano! A foto acima é de um balão meteorológico grande de mais ou menos 15 metros. Ele, assim como todos os balões soltos por teste, carregou diversos equipamentos que, se sugados por uma turbina, podem também derrubar um avião, certo? Ou vai me dizer que podem apertar um botão e ele desvia do caminho do avião?

Balões de Balonismo:

De acordo com Johnny do Balão, profissional habilitado para pilotar os balões de balonismo esportivo, sempre que houver uma soltura de um ou mais balões como na foto acima, é feito um comunicado a Aeronáutica através do setor de Controle de Tráfego Aéreo e todo o espaço aéreo onde os balões estão sendo soltos é fechado num raio de aproximadamente 10 kilometros. É um procedimento padrão, facilmente aceito pela Aeronáutica e nunca se teve problemas com isso, por todos os voos são desviados daquela região a fim de impedir que aviões possam se chocar com os balões.

Em diversas matérias já divulgadas sobre os balões de papel, muitos oficiais frisam que os nossos balões não tem controle de onde possam ir e poderiam entrar em rota de colisão com aeronaves. Isso é verdade. Porém, os balões de balonismo também não se tem controle de direção. De acordo com Johnny, a única opção de controle de um balão é vertical, ou seja: o máximo que ele pode fazer é subir ou descer o balão. Não podemos fazer os nossos balões caírem, mas podemos fazer com que sejam soltos em áreas seguras, longe de aeroportos. Assim como nos balões balonismo, escolhendo o local certo e tendo total conhecimento sobre a altitude que um balão de papel possa atingir, é possível sim ter esse controle, afinal, um balão grande de papel não passaria de 2 mil metros.

Por isso que o ideal são os festivais. Quem os organiza estabelece regras, escolhe locais certos e cuida de toda a papelada para que o evento seja regulamentado. Mas se o problema em questão é não atrapalhar o espaço aéreo, basta soltar seus balões bem afastado de um aeroporto.

Em relação a atrapalhar o tráfego marítimo, o fato de pequenas embarcações no mar pegando balões não é crime. A Constituição nos dá o direito de ir e vir aonde quer que queremos e pegar balão não é crime. Estariam erradas essas pessoas caso suas embarcações estejam sem documentação ou seus pilotos sem habilitação apropriada para navegar, a Arrais.

Vale lembrar que o Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), representado pelo Sr. Luiz Cláudio Bastos cuida de acidentes com aeronaves. Se não estou errado, prevenção de acidentes marítimos é com a Marinha ou será que vão falar que um balão pode afundar um navio? Só faltava isso!

Já sobre a feira de Osvaldo Cruz, não sabia que vender projetos, fotos e dvd´s é errado, até porque, quem garante que esses projetos serão feitos para balões com fogo? Sobre a venda de balões, é lamentável. Os cariocas da antiga sempre enchem a boca pra falar que eles faziam tudo. Não comprava nada. Mais uma imagem marcada. Também não custa frisar sobre o abuso desse povo que vende balão no meio da rua. Depois quer reclamar do Fantástico. Quem tá errado? a Globo ou ele?

Parte 3 – As mentiras mal intencionadas

Excelente aula de física. Realmente uma bucha com 800 graus derrete tudo, mas não falaram que mesmo acessos, os balões quando caem as buchas estão fracas, na maioria dos casos, em borrão. A bucha em seu fogo máximo é somente em no máximo 40 minutos iniciais, isso em balões grandes. Balões pequenos de 8 metros por exemplo, possuem um fogo máximo de 10 a 20 minutos e olhe lá. Outro fator a ser lembrado. Mesmo que um balão com uma bucha acessa na forma desse teste caia sobre alguma coisa, todo mundo sabe que um balão com fogo só cai por excesso de peso, por exemplo uma bandeira grande demais para ele. Após cair, o peso é aliviado e ele fica empinado.

Parte 4 – Testes armados

Sobre os testes, separei o vídeo em frames. Observe:

Teste 1 – Curto na rede elétrica:

Teste 2:  Explosão de transformador:

Posso estar errado em meu ponto de vista, mas só para frisar, disseram que um balão sem fogo também pode causar um curto. Segue o trecho do regulamento oficial dos nossos festivais:

“Utilizem apenas materiais leves e isolantes na boca como fibras, madeiras, canos de pvc e bambus.”

Nos dois testes mostrados pela TV Globo, principalmente no primeiro, o balão cai sob os fios e não causou nenhum curto. Agora quem garante que não teve armação com materiais metálicos nas “guias” o no rabicho? Cada um decide o que acha. Só achei estranho. Afinal, sou jornalista e não engenheiro elétrico.

Parte 4: Os festivais sem fogo e a Aeronáutica:

Vale lembrar que para fazer um evento onde vai utilizar o espaço aéreo temos que comunicar a Aeronáutica para que ela, através do controle de voo instrua os pilotos que naquele local informado, haverá balões no céu. O fantástico disse que não avisamos a Aeronáutica. Mentira! Vale lembrar que nosso evento era em 13 de maio e quando há uma alteração de data é apenas enviado uma retificação a todos os órgãos que receberam os documentos, sobre a nova data. Segue o nosso documento que o Fantástico não mostrou:

Segue o fim da matéria:

Não vou nem comentar a intenção de assimilar baloeiros com milicianos por causa de um balão do Batman que caiu no batalhão pois isso é outro absurdo.

Pra finalizar, entramos em contato com o repórter Guilherme Belarmino e ele não retornou a ligação ou não quis atender. Já contactamos a produção do Fantástico e vamos enviar ainda hoje um direito de resposta sob as acusações de que nosso festival é irregular e caso a TV Globo não publique o conteúdo deste direito de resposta, amanhã entraremos na justiça e processaremos a TV Globo por danos morais causados a imagem dos nossos festivais.

Esse é apenas o começo. Mês de junho é assim. A briga apenas começou!

Todo o conteúdo dos vídeos apresentados são de total propriedade da TV Globo Ltda.

Veja  a matéria no site do Fantástico clicando aqui

Abraços a todos

Dinho

 

Segue cópia na íntegra do Direito de Resposta enviado a TV Globo:

DIREITO DE RESPOSTA

Venho por meio deste, solicitar Direito de Resposta as acusações inverídicas veiculadas no programa Fantástico da TV Globo no domingo 03 de junho onde a matéria sobre balões informou que tanto os Festivais quanto os próprios Balões sem Fogo são ilegais e perigosos.

O evento realizado na manhã de ontem em Itapecerica da Serra foi um evento totalmente regularizado, dentro da lei e todos os órgãos competentes foram devidamente comunicados com antecedência pré-determinados por eles através de reuniões ou contatos anteriores. Para cada órgão comunicado nos foi enviado certidões de providências com relação de documentos necessários e prazos para entrega dos mesmos.          Todos os documentos são protocolados e até a data do evento, nenhum órgão nos procurou para comunicar algum indeferimento ou negativa sobre a solicitação enviada.

Vale lembrar que nosso 4º Festival realizado neste domingo tinha sua data marcada para 13 de maio de 2012 e foi adiado devido às más condições climáticas, fator essencial para a realização do evento e, em todos os documentos, a prorrogação é informada:

O evento será realizado após a confirmação climática e só será confirmado com previsão de ventos inferiores a 10km/h o que impossibilita, caso a direção do vento aponte, que os mesmos cheguem próximos aos Aeroportos de Congonhas e Guarulhos. Caso o evento não possa ser realizado devido a impedimentos climáticos, automaticamente o evento será adiado para o próximo final de semana de tempo adequado”.

Todos os nossos eventos são confirmados na sexta feira que antecede o mesmo após analisar relatórios de meteorologistas contratados. Em caso de adiamento é enviado apenas uma notificação com a nova data e, no fim da semana passada, fomos até o Serviço Regional de Proteção ao Voo de São Paulo (SRPV-SP) dentro do Aeroporto de Congonhas, para informar a realização do Festival no domingo e se negaram a receber alegando fim de expediente, sendo que ainda era horário comercial. Voltamos ao mesmo local na noite de sábado para domingo e informamos novamente o Controle de Tráfego Aéreo sobre a realização do evento e conseguimos enfim, uma assinatura de um militar que nos atendeu confirmando o recebimento do comunicado. Uma cópia deste documento foi fotografada por seu repórter no local do evento.

Já realizamos 4 festivais na região sul de São Paulo, todos com as mesmas documentações e procedimentos e nenhum deles gerou ocorrências quanto ao voo dos balões. Em relação à afirmação da Aeronáutica sobre o prazo para envio dos documentos, nunca nos procuraram para dar instruções e quando perguntado também não nos informaram sobre algum erro na entrega dos documentos anteriores.

Venho salientar que os balões sem fogo são totalmente regulares e dentro da lei. Os balões são feitos com materiais frágeis e isolantes, não possuem estruturas que possam causar curto circuito ou queda de aeronaves pois, devido a sua fragilidade, apenas uma brisa já faz com que ele se desmanche. Não levam fogos ou lanternas. Apenas bandeiras e faixas de papel de seda presas com barbante de algodão. Possuem autonomia de 200 metros e costumam voar por 40 minutos em média.

Já foram soltos cerca de 5mil balões sem fogo no Brasil desde que essa prática começou a ser praticada em 2009 e não temos registros de ocorrências durante o voo destes balões.

A Gazeta do Balão, detentora dos direitos sobre os Festivais de Balões sem Fogo repudia a intenção da TV Globo em insinuar que nossos festivais são irregulares e que o Balão sem fogo oferece riscos de incêndio, curto circuito ou queda de aeronaves.

Conforme regras de lei de imprensa e direito de resposta estabelecidos em nosso país, solicito a retratação sobre as falhas cometidas na matéria veiculada no último domingo, 03 de junho. A não correção sobre o conteúdo publicado gerará medidas judiciais em relação a danos a imagem de nossos eventos a esta emissora.

Atenciosamente,

Dinho de Marcco

Confira um trecho da minha entrevista ao Fantástico que não foi utilizada na matéria:

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