Olá amigos! Agora em 2012 completarei 24 anos da soltura do meu primeiro balão, um caixinha de 16 folhas de seda palha que meu pai me ensinou a fazer com volantes de loteria. Ele pegou, cortou com uma régua e seguindo aqueles “moldes”, fiz meu primeiro balão. Já tinha visto vários, tenho fotos desde bebê no colo da minha mãe ao lado de balões, mas o primeiro que fiz foi esse. Meu primeiro resgate foi um caixinha de 8 folhas com as cores da bandeira do Brasil dentro do autódromo no mesmo ano.

Durante estas 3 décadas, cresci acompanhando solturas, colecionando fotos, fitas, jornais de balões e álbuns de figurinhas. Já no começo dos anos 90, ganhei uma filmadora e junto com meu pai, presenciei alguns dos maiores balões da história e me sinto orgulhoso pois posso falar de passado aqui na GB porque vivi tudo isso.

Comparando o passado com o presente, muitas coisas mudaram. Me lembro da boca colada, reforço de respiro em formato de estrela feitos de papel laminado, das buchas de bandeja de ovo ou de saco de estopa, armações de vareta, letreiros feitos no chão, puxa! que lembranças! Tinha também aquelas uniões de cones ignorantes com mais de 10 centímetros, bocas coladas reforçadas com gazes de farmácia embebidas em cola, cintamentos de papel. Aliás na década de 80 era chique fazer um balão com Hulk e cintamentos de outra cor. Eu mesmo cheguei a fazer um 2×2 de hulk sulferine, é mole? Obviamente ele não andou muito, rsrsrs

Já que é pra chutar o balde, me lembro das lanterninhas de celofane, das guias de bico, das chuvas de prata que o balão apagava e ela ainda estava acessa, das bombas de queda, dos cometinhas prateados que eram presos por elásticos de cabeça pra baixo nas gaiolas, esteiras quadradas, pavio vermelho, buchas de estágio, cabrestos de gaiolas em formato de aranha. A turma do meu pai, a falida Maria Preta fazia tudo assim. Seus fogueteiros tinham uma aranha na boca com engate de alpinismo e em cada gaiola, estes cabrestos eram presos um a um num cabo de aço. Esse negócio de cabresto contínuo nos pés de gaiola é coisa nova, antes era uma por uma. E ainda cantava Ra Tim Bum quando o balão subia!

Muita gente hoje fala que só tem gente vivendo de balão, que podemos comprar tudo. Naquela época já existiam também os lojistas e prestadores de serviços. Me lembro do finado Baldo da Turma Lua de Papel, mestre em fogueteiras. Ele era alto, tinha uns 2 metros e tinha um enorme talento para fazer fogueteiras.

Tinha os lojistas como o Décio (Tatuapé), a Cecília (Vl. Ema), O Salvador (GRS), Osvaldo Balonautas, o Odair da Lua, sem contar os cortadores de balões: Tinão, Paulinho Ícaro, Banha, Paulada (Estrellar). Quem quisesse boca de balão, tínha o Luis Boca. Quem nunca usou suas boquinhas pretas com churrasqueiras vermelhas?

Fotos? Tinhamos o Foto Wada, primeiro point de baloeiros de São Paulo que ficava no Ipiranga, o Tati na Vl Carrão, o Godoy no centro. Se quisesse fitas dos balões, tinha o Bira (Pouca Sorte) na Vila Olímpia, o Luiz Antonio em Pirituba, o Claudinho Alvarenga (Ipiranga) e o Edmundo (Penha).

Muita gente pode até concordar que antigamente a coisa era diferente em relação aos dias de hoje. Pode até ser mas não vem com esse papo de Boca de Ouro que estragou os balões pois ela nasceu junto com o balão moderno. Desde o primeiro festival de balões de São Paulo em 1980 ja tinha Boca de Ouro. E brigas também! O que acontece é que, como qualquer atividade, tem a escolha dos melhores e quem perde reclama mesmo. Ou você acha que no Carnaval, no futebol, na Formula 1 não sai porrada?

Muita gente se queixa e reclama que o balão deveria ser considerado uma arte. Todo mundo sabe que é. Afinal, fazer um balão é necessário utilizar técnicas manuais como num artesanato qualquer. Então se é uma arte, a coisa mais normal do mundo e ter críticas. Gosto cada um tem o seu e criticar faz parte, mesmo que alguns babacas exagerem. Por isso que brigo com os esquentadinhos para aceitar as críticas, mesmo que sejam pesadas ou em seu ponto de vista erradas. Crítica nos faz crescer e não vai ser na bala que vai fazer o mundo achar que você tem razão. É na cola, parceiro! Se um dia receber uma crítica, prove a quem te criticou que é capaz de melhorar e faça um balão melhor.

Antigamente tinha menos do que hoje por vários motivos: Não tinha internet, celular, nextel. A comunicação era por fotos e fitas vendidas, albuns de figurinhas, jornais de balão. E muita gente ficava de fora porque não tinha uma filmadora, uma máquina fotográfica ou até tinha, mas o filme queimou e elas se perderam.

Pode ter certeza que naquela época, muita gente metia o pau vendo fotos, videos e figurinhas. A diferença que muita gente não tinha acesso a essas criticas como temos hoje na internet. Se o balão subir de manhã, no meio dia já está na internet, pelo menos na GB, claro. Ai todos verão e os críticos aparecerão. Saiba viver com isso.

Antigamente as brigas e desavenças vinham nos resgates. Nem festa a Boca de Ouro tinha. Os organizadores que entregavam os troféus aos campeões em festas que eles mesmos organizavam.

Hoje é tudo diferente, a boca não é mais colada, o Rami e o Hulk são raros, as esteiras não são quadradas, as buchas de algodão, os projetos feitos no computador. O balão evoluiu muito, é mais seguro, a comunicação é maior e porque a cabeça do baloeiro não evoluiu também?

Por incrível que pareça, as mesmas cabecinhas da época da boca colada continuam desfilando por ai. Esse papinho de “que balão você fez?” existe até hoje. Parece papo de São Paulino e Palmeirense em cima de Corintiano por causa de libertadores.

Os caras ficam estressados com críticas e em vez de calar a boca de quem fala besteira com balão fica comparando currículo como se quantidade fosse o ítem mais importante para ele ser melhor que o outro.

Quando alguém lhe criticar com essa famosa pergunta poderia responder com outra pergunta: E você, o que fez PELO balão?

Pois é! Encher a boca pra falar que fez um monte, muitos fazem mas olhe pra eles e veja o que fizeram de bom pelo hobby que tanto amam?

Acredito que muitos deveriam parar com esse papo que é mais brega que colocar SEDA no balão como se fosse alguma novidade. Deveríamos colocar HULK, pois isso é raridade. O papel é tão bom que exterminaram ele em menos de 25 anos.

Pra quem não sabe, o Papel Hulk nada mais do que é o Kraft que conhecemos só que numa gramatura maior. Foi chamado de Hulk pois as primeiras bobinas a aparecerem eram verdes e a combinação de um super papel com a cor lhe deram esse nome. era um papel finlandês utilizado para encapar fios elétricos e como tinha um custo alto, pararam de fabricá-lo no começo dos anos 80. Quem tem acredite, é desse lote que rodou o Brasil. Não existe mais.

Papel forte nem sempre é sinônimo de segurança. Na época da boca colada, se dissesse que iria fazer um balão de seda ou papel fino como os cariocas chamavam, era chamado de louco. Me lembro que no começo da década de 90 a Cometa soltou um pião de 24 metros todo de “papel fino” e o povo chamava de loucura. Ao mesmo tempo, nego soltava 4×4 fogueteiro feito de Hulk Sulferine (Vermelho) e cintado com Rami Cifa de 5 fios. E a boca colada, lógico.

Hoje temos o fio dental, o durex, as argolinhas e os balões de seda. Quem diria! isso na década de 80 era suicidio. O balão ia explodir, a boca ia cair, a merda seria histórica!

Emfim, se pararmos pra ver, da época da boca colada não mudou muita coisa não! Os baloeiros continuam se preocupando em ser cada vez mais melhores que os outros, as brigas em resgates continuam, os organizadores de Boca de Ouro são ladrões e os lojistas mercenários.

Bem, essa é a minha crônica sobre o assunto. De sua opinião sobre e conte suas histórias sobre a época da boca colada.

Abraços

Dinho

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