Turma do Cambuci | Gazeta do Balão

Nessa edição da GB, trazemos a Turma do Cambuci, turma que se destacou no mundo do balão entre as décadas de 80 e 90 com belos trabalhos em seus piões  e armações.

Liderada pelo grande amigo Ayrton, esta turma da zona sul de São Paulo encerrou suas atividades precocemente e deixa muitas saudades a todos que acompanharam seus trabalhos. Com a ajuda do amigo Luiz Carlos, encontramos o Ayrton no interior de São Paulo. Hoje tem 46 anos de idade e há 16 anos mora em Indaiatuba, cidade na região de Campinas, interior de São Paulo. É professor de matemática e columbófilo. Foi morar no interior por indicação do seu grande parceiro no mundo dos balões, o Carlão, que havia sido transferido para o pedágio da cidade de Indaiatuba e quando foi visitá-lo se apaixonou pela cidade e se mudou para lá.

GB: Quais foram seus primeiros balões?

TC:  Já fazia meus balões juninos desde menino. Um dia vi uma baita armação sobrevoando a rua de casa, não distingui o desenho, ela “chorava” lanterninhas e caiu na Aclimação. Fui atrás mas não consegui chegar no local da queda. Depois disso me informei e me disseram que soltavam estes balões na Rodovia dos Imigrantes. Eu tinha 15 anos de idade nessa época e um primo me levou a Imigrantes para procurarmos onde se soltavam tais balões. Não foi difícil encontrarmos o local, a Imigrantes estava completamente congestionada, era o festival de armações da Turma da Amizade, no ano de 1980. Lembro-me de uma armação da Turma do 10 de Ouro, acho que era deles, com uma casinha com flores, ou algo assim. Também subiu uma armação da Turma da União, do polêmico Custê, o balão do Snoopy. Fiquei doido com aquilo. Fui embora antes da famosa confusão com a polícia. Posteriormente, queria soltar um balão caixa de 64 folhas e queria colocar uma chuva de prata em baixo. No balão do Snoopy tinha chuva de prata em baixo da armação e queria aquilo de qualquer jeito. Não me recordo como, mas cheguei na padaria sob um prédio em construção embargado pela prefeitura na esquina da Rua Mesquita e lá conheci o Custê, que me vendeu a chuva de prata e ainda me convidou para ir conhecer a bancada, que ficava exatamente no segundo andar daquele prédio embargado. Na semana seguinte já estava fazendo parte do grupo, devia ter uns 16 anos na época.  Acabei  levando um amigo de infância para ir lá confeccionar balões, o Guinola, que depois acabou fundando comigo e uma minha ex-namorada, a Martinha, a Turma do Cambuci. O Guinola posteriormente foi confeccionar balões com a Turma do Alvarenga.

A foto acima é histórica. Aí neste “predinho” ficava a bancada da Turma da União. Deste prédio saíram alguns dos primeiros balões de São Paulo quando trouxeram as técnicas do Rio de Janeiro. Era um prédio cuja obra havia sido embargada e até hoje está do mesmo jeito. Ficava sobre uma padaria na Rua Mesquita de neste terreno ao lado subiram dezenas de balões, tanto de armação como fogueteiros. A bancada ficava no segundo andar, onde tapumes tampam as janelas.

GB: Como nasceu a Turma do Cambuci?

TC: Depois de alguns anos fazendo balões na Turma da União, eu e o Guinola resolvemos fazer uns balões em separado da Turma, pois lá eles davam ênfase para balões fogueteiros, gigantes, pelo menos para a época. Pelo que me recordo,  o projeto seguinte ao 14×14 fogueteiro com lâmpadas da Turma da União era o “Trovão Azul”, um gigante em Hulk azul, mas não lembro se ele chegou a subir. Eu, Martinha e Guinola, iniciamos as atividades na Turma do Cambuci em 05 de agosto de 1985, em uma bancada construída na garagem da casa do Guinola.

GB: Os primeiros balões…

TC: Fizemos vários balões, na maioria pequenos  e sem pre letreiros, bojados e fogueteiros. Naquela época eram 4×4, 6×5, fizemos uma pequena carrapeta de 6,5 metros, enfim, pequenos balões que muito nos divertiam. Nossos balões eram todos soltos no morro do Klabim. Em 1987 ,fizemos nosso primeiro balão um pouco mais elaborado com taquinhos, todos filetados em preto, cuja bandeira eram duas pombas, uma de frente para a outra. Os taquinhos da bandeira eram grandes e não chega perto da definição das bandeiras de hoje, que tenho visto por fotos na net,  mas para a época era um balão bonito e foi solto no festival da Turma da Amizade do Rio de Janeiro e ganhou o troféu destaque daquele festival. O que mais marcou nesse balão, foi que eu passei a ter uma aproximação maior com o pessoal da Turma da Águia, Eud, Mosquela, Ravízio, Carioca, Gugú, Gil entre outros. O Ravízio era exímio confeccionador de balões e fui ter umas aulas com ele para aprender sua técnica para fechar balões. Aprendi, e uma coisa que sempre chamou a atenção nos balões da Turma do Cambuci foi a confecção. Lembro das pessoas olharem os balões e ficarem perplexos pela confecção. Em termos de decoração tínhamos nossas limitações, ia pela linha dos geométricos por conta de não ter noções de desenho. Apesar disso adorava os geométricos e dava muito valor ao efeito da decoração de boca, ou seja, do balão visto por baixo.

As fotos acima são do Pião de 13 metros das pombinhas que ganhou o troféu destaque no Festival da Turma da Amizade em 1987. Nelas aparecem a primeira bancada da Turma do Cambuci com seus fundadores, Martinha, Ayrton e Guinola. A foto da união de cones é da bancada da 10 de ouros e a foto do cone já decorado, é na bancada cedida pela Turma da Águia.

GB: Existia alguma preferência em seus balões?

TC: Gosto de todos, o balão de armação é o que mais encanta, mas também é o que impõe maiores dificuldades, até pelo meu início nos balões na Turma da União, sou um apaixonado por fogos e consequentemente pelos fogueteiros, os piões com bandeira também são igualmente belos. Honestamente, um dos meus maiores prazeres era na confecção dos balões, fiz balões com 80, 96 gomos que ficavam rigorosamente um gomo sobre o outro, parecia um livro ou que tinha sido cortado na guilhotina, tínhamos uma técnica apurada e muito capricho para fechar e cintar balões, pouco importando se seriam armações, fogueteiros ou piões com bandeira. Fizemos o 17 metros de seda que subiu com a bandeira da indiazinha chupando o dedo entre umas folhagens, que foi cedida pela Turma do Vagalume (PItchó, Tuti, Paçoca, Alemão e Cia). O balão era geométrico com um desenho do Banha (Turma do Parque), mas as emendas das folhas tinham, no máximo, 2 mm e esse capricho nos dava enorme prazer.

GB: De onde tiravam inspiração para projetar seus balões? Existia um líder ou todos opinavam e ajudavam com os custos?

TC: A Turma do Cambuci teve três fases distintas. Na primeira, que foi de 1985 até 1987, eu, Guinola e Martinha confeccionávamos os balões e as despesas eram divididas entre eu e o Guinola. Talvez eu gastasse um pouco mais, mas não tenho certeza disso. Teve a fase do 9×8 fogueteiro, do 7x1x7 também fogueteiro e do 7x1x7 da armação da Deusa Seicho-no-ie que banquei  e os fiz praticamente sozinho. Essa armação teve que ser feita duas, pois perdi a primeira armação devido ao mal tempo e o Jonas da Turma do Pega me ajudou muito a realizar o projeto. Acho que teve ajuda financeira do Rocha do ABC também, que ficou sensibilizado por eu ter sofrido tanto na confecção da primeira armação e perder tudo. O Jonas, Orelha, Roni (sobrinho do Mirão) e um engenheiro que não me recordo o nome no momento, ambos da Turma do Pega me ajudaram muito a fazer esta armação. O balão era dividido em 3 cones e um deles o Ravízio fez na bancada dele, que ficava na sala do apartamento que ele morava.  Me lembro que o Sidney (Barba) e o Chaninho da Turma do Alvarenga também apareceram no campo para ajudar na armação. Este balão acabou ganhando a boca de Ouro no ABCD em 1988.

O Sidney (Barba), que era da Turma da Amizade e posteriormente Alvarenga, quase todo sábado pintava em casa e sempre me ajudava em alguma coisa. Sua sogra era vizinha da casa que eu morava no Ipiranga e nas visitas dele à casa da sogra ele passava um tempo comigo. Este também foi um grande amigo.

Em uma terceira fase, me juntei com o meu grande e saudoso amigo Carlão. Depois dessa união, acredito que surgiram os balões que mais se destacaram. Nós dividíamos o projeto. O Carlão montava os gomos da bandeira no apartamento dele em Osasco e eu ficava com a parte da confecção dos balões. Os balões forrados nós fazíamos as decorações em um molde do gomo fora e depois aplicávamos no balão, isso nos permitia que cada um montasse partes da decoração em suas casas. Programávamos nossas férias para a mesma época e ele vinha para casa, que na realidade nem era mais no Cambuci, era no Ipiranga e aplicávamos a decoração no balão, montávamos a bandeira e emendávamos os cones. Entre 1988 e 1989 ficamos mais ligados ao pessoal da Emenda e juntávamos os cones dos balões lá, pois tinha mais espaço. Sempre alguma ajuda vinha e era bem vinda, por exemplo, a boca do 33 metros foi feita pelo Boi, da Turma da Emenda,  a cangalha do 20 metros do Toureiro foi feita pelo Pedroso, Toninho e Serginho da Emenda, soltamos o pião de 17 metros de seda com a Bandeira da menininha chupando o dedo do pessoal da Vagalume (o desenho  da bandeira era do Marcão da Severa) e assim por diante, aliás, a bandeira do menininho chorando e do 33 metros eram também desenhos de autoria do Marcão, grande figura.

GB: Quais os principais balões soltos pela Turma do Cambuci?

TC: O pião de 13 metros solto no festival da Turma da Amizade (RJ) marcou muito. Acho que o que o torna mais especial é que quando eu era moleque, com 16 ou 17 anos, chegava a ficar 10, 15 dias na casa do Zeca da Amizade e lá o ar que se respirava eram os balões 24 horas por dia. Aprendi muito com eles, alguma coisa de decoração, amarrar boca, fechar bicos com a dona Marlene, esposa do Zeca e com a sua irmã, que não me recordo o nome. Lembro-me dela fechar  bicos com tranças e depois terminar com um arremate de uma coroa. Muitos bicos de balões da Turma do Cambuci que tinham esse acabamento foi inspirado naquele bico que vi sendo fechado na casa do Zeca.

A Deusa da Seicho-no-ie que subiu em Diadema não pode deixar de ser citada. A armação ficou linda, chuvas de prata em toda a sua largura formaram uma grande cascata. O balão tinha uma confecção primorosa e a decoração em aspirais e profundidade ficou muito bonita.  Na primeira tentativa a lanternagem era em rede, que aprendi a fazer com o Jonas na própria bancada do Pega, mas perdi por conta do vento que deu quando tentamos soltá-lo. Depois fizemos em escadinha formando gregas, que apagaram um pouco devido ao vento, mas deu o recado.

Por sermos em apenas dois gatos pingados, fizemos, para a época, grandes projetos, tais como o 20 metros do Toureiro, o 33 metros da bandeira surrealista da mulher seminua, com arco-íris, seres voadores, a estátua, vários detalhes na mesma bandeira, o 24,5 metros que reproduzia um quadro de um menininho chorando, o 17 metros de seda, o 16 metros que reproduzia, em menor escala, a bandeira do menininho chorando. Acho que foram esses os principais.

GB: Entre todos, alguns deles foi especial?

TC: Difícil falar de um só. O balão, acho que foi o de 20 metros do Toureiro, pois foi o primeiro balão que fiz com o Carlão e marcou muito na época. A bandeira eu acho que foi do menininho chorando. O da armação por ser único e de muito sacrifício tem muito valor para mim. Tenho uma grande lembrança do 9×8 fogueteiro, foi o balão em que mais caprichei na confecção, até empréstimo em banco fiz para bancar aqueles fogos. Era um louco mesmo.

GB: Como viram a chegada da Lei que proibiu os balões em 1998?

TC: Em 1988 já morávamos em Indaiatuba e foi o ano do nosso último balão, solto inclusive aqui em Indaiatuba. Depois dele o Carlão foi transferido e não fizemos mais balões, então não vivenciamos muito a lei de forma direta.

GB: Como foi a mudança de cidade e a nova vida?

TC: Minha casa foi projetada com um sótão, onde inicialmente montei uma bancada e fizemos um único balão, um pião de 16 metros, cuja bandeira era a réplica do menininho chorando que soltamos em Mairiporã no início de década de 90 no pião de 24,5 metros. Soltamos esse pião de 16 metros aqui mesmo em Indaiatuba em 1998, poucos amigos de São Paulo estiveram presentes, me recordo do Carioca (Turma da Águia no Ipiranga – também falecido recentemente), do pessoal da Emenda e até mesmo de um pessoal do Rio de Janeiro, que coincidentemente estavam na região, se não me trai a memória era o Paulinho Carrapato. Provavelmente alguns columbófilos também de Campinas estavam presentes, mas não me recordo de muitos detalhes a esse respeito.

O Carlão, foi transferido para o pedágio de Santos e nosso projeto era voltarmos a confeccionar balões quando ele se aposentasse, mas infelizmente um câncer o levou para outra esfera e esse nosso projeto ficou apenas na lembrança.

Hoje sou columbófilo. Acredito que alguns devem estar achando muito engraçada a palavra, e é realmente. Columbofilia significa criar pombos correio para corridas, isso mesmo, corrida de pombos, isso existe, rs.

GB: Como acompanha e vê os balões de hoje em relação aos balões do passado?

TC: Sinceramente estou totalmente afastado dos balões. Vejo algumas fotos de balões recentes na internet e admiro bastante as técnicas empregadas. Às vezes acho que existe algum exagero. Colocam muitas coisas detalhadas e o balão na altura de 10 metros vira um borrão, só vamos identificar o que é em fotos de detalhes e balão é conjunto.

GB: Participaram de Resgates? Se sim, comente alguns que merecem ser lembrados.

TC: Participei de vários, na realidade mais acompanhava e fotografava, nunca fui atrás de balão imaginando em recuperá-lo.

Um resgate que me marcou foi o de um balão da Turma do Paulistano que tinha na armação um gato com garfo e faca olhando para os peixes que estavam na lanternagem de bojo do mesmo. Caiu na região da Avenida Paulista, em frente ao Maksoud Plaza e foi um tumulto danado. Neste resgate eu estava no super corcelzinho 1 do meu grande amigo Carioca, que faleceu a pouco tempo, e a corça velhinha até pneu cantou na hora da adrenalina, ele ficava alucinado perseguindo balões.

 A perseguição do 34 metros da Turma da Saudade também  foi bem gostoso, o fogueteiro da Turma da Penha que caiu no mato em Caieiras também me trás boas recordações, nesta perseguição eu estava com o Tati (balógrafo) e me lembro dele colocar o rosto para fora do carro na Castelo Branco para tomar um ventinho para não dormir, foi um momento muito engraçado.

No Rio de Janeiro eu participei de uma grande aventura, que foi a perseguição de um pião da Turma da Tropicália. Eu estava junto com o pessoal da Turma do Cometa. Não me lembro o nome do dono da caminhonete o qual eu, e mais um monte de malucos, estávamos na caçamba. O balão caiu em umas montanhas, perseguimos o balão em estradas de terra e foi pura adrenalina. Como eu era balógrafo e fotografava para o Tati na época, registrava tudo com minha câmera.

GB: Um momento difícil para a turma?

TC: Em 1986 o irmão do Guinola comprou um carro e usaria a garagem onde estava nossa bancada. O Eud, da Turma da Águia, cedeu um espaço para montarmos nossa bancada ao lado das suas. Eles tinham duas bancadas e montamos a nossa ao lado. Era no porão de sua casa, na Rua Basílio da Cunha, quanta saudade. Aprendemos muito com eles, eram muito caprichosos e meu grande mestre na arte de confeccionar balões fazia parte da Turma da Águia. Me refiro ao Ravízio, que já citei anteriormente.

GB: Em toda a história, participaram de alguns festivais? Quais foram?

TC: Em 1987 participamos do festival da Turma da Amizade no Rio de Janeiro. Que festival! Soltamos o pião de 13 metros das pombinhas e foi destaque do festival.

GB: Em sua opinião, até onde estes eventos foram importantes para o desenvolvimento do balão?

No início foram eles que divulgaram e massificaram os balões em São Paulo. Acho que o do Odair da Turma da Lua foi o mais importante, milhares de pessoas estavam presentes, pessoas que nunca imaginaram que balões iam além dos caixas, almofadas e carecas de padre, enfim, dos balões juninos.

GB: Vocês nunca soltaram um balão de grande porte. Qual a opinião de vocês sobre o Gigantismo?

TC: Acho perigoso. Se fosse voltar no tempo, nem o pião de 33 metros teria feito. Com um balão de 20 ou 24 metros se faz grandes obras de arte.

GB: Teve algum projeto que quiseram fazer e não foi possível?

TC: Gostaria de ter feito mais balões de armação.

GB: E sobre Boca de Ouro? Chegaram a participar de alguma temporada?

Ganhamos a Boca de Ouro de 1988 do ABC. Acho que na época era patrocinada pelo Rocha. Esse mesmo balão deve ter participado da Boca de Ouro em São Paulo. Nesse mesmo ano subiu o balão da Turma da Severa e Albatroz, que se uniram para soltar alguns balões e ganharam com  o balão do centenário da imigração japonesa para o Brasil. Fomos segundo lugar, creio que com justiça, o balão deles era muito bem trabalhado.

GB: Por que a turma acabou?

TC: Fizemos balões já morando no interior, mas com a transferência do Carlão para a balsa do Guarujá, não tive o mesmo pique para confeccionar balão sozinho como ocorreu em um período da Turma do Cambuci. O projeto seria voltarmos à ativa com a aposentadoria dele, mas infelizmente ele faleceu antes disso.

GB: 3 turmas ou pessoas que merecem ser lembradas pela Turma do Cambuci:

TC: Só 3 não tem como.

Turma da Águia, Ravízio, todo o pessoal da Vagalume, Turma do Pega, Turma da Emenda.

Muitas outras pessoas colaboraram conosco em algum momento, mas esses foram os que mais nos ajudaram.

GB: Amigos que sente saudades…

Sinto muitas saudades de vários amigos que deixei em São Paulo. Posso aqui cometer alguma injustiça por conta da minha péssima memória.

Sem dúvida o Carlão e Carioca me fazem  muita falta. O Carlão era como um irmão, nossa amizade era familiar, ia além dos balões. O Carioca foi uma pessoa que continuei mantendo contato mesmo vindo para o interior. Sua morte, ainda recente, me faz ainda pensar muito nele.

Tenho muitas saudades do pessoal do Vagalume, Pitchó, Marquinhos, Tutti, Paçoca, Marcio, Alemão, o Toninho do leite (Alvarenga). A família Ozello Carvalho é fantástica, muita saudade mesmo do convívio familiar que tínhamos. Saudade da mãe do Tuti, sua irmã, das nossas viagens para Ilha Grande,tudo muito saudoso.

Cláudio Salinas e filho, Dario do Mini Balão, aquele pessoal que ficava nas madrugadas no morro do Klabim, enfim, muita gente mesmo.

Momentos ótimos com o pessoal da Emenda também me trazem boas recordações.

Tenho muita saudade do Odair e pessoal da Lua. Lembro-me das pizzas de sexta feira no Ipiranga e das festinhas juninas na casa do Odair, isso sem contar que ele foi meu chefe na CMTC, grande figura.

Tenho muita saudade do tempo que ia para o Rio de Janeiro. Era ainda adolescente e o Zeca e família me tratavam como um membro da família, pelo menos eu me sentia assim.

O Luciano então, grande sujeito, gostaria um dia de encontrá-lo novamente. Eu ficava semanas na casa de sua família em Realengo. Vi  muito balões com ele no Rio de Janeiro. Por causa dele virei também balógrafo. O primeiro salário que ganhei quando comecei a trabalhar no Bradesco, foi quase integralmente para comprar uma máquina fotográfica Pentax, usada, que o Luciano comprou para mim no Rio de Janeiro. O primeiro balão que fotografei foi da Turma da Rede do Rio de Janeiro e era a armação de uma rosa dos ventos. Quanta emoção e saudades. Depois passei a fotografar para o Tati, se não fui o primeiro parceiro dele, fui um dos primeiros. A minha namorada na época, a Martinha, fotografava pra o foto Wada, na Av. Vergueiro, no Ipiranga.

A foto acima é de um balãozinho de seda que fiz quando moleque. Foi para este balão que fui comprar as chuvas de prata no Custê e acabei fincando o pé por lá. Esta foto é de 1982 e o balão é uma almofada com faixa de 40 folhas, feito para a Copa de 82.

GB: Como vê os balões ecológicos? Acredita que os baloeiros vão se adaptar a essa nova prática?

TC: Ele sobe sem fogo, portanto um risco a menos quando da sua queda. Não tenho muito conhecimento de como são soltos esses balões para emitir uma opinião mais contundente.

Acho que mesmo sem bucha, o risco ainda continua, pois algumas pessoas que se dedicam ao resgate dos balões, não respeitam a propriedade alheia.

GB: Em sua opinião, o principal fator que prejudica a nossa imagem quanto a sociedade é o resgate ou os balões fogueteiros?

TC: Balão fogueteiro tem um risco maior, sem dúvida, mas acho que os resgates depõem contra o balão mais do que qualquer outro fator.

Me lembro de um balão da Turma do Pega que caiu na Avenida Lacerda Franco na Aclimação. Era madrugada, o balão caiu sobre um sobrado. Foi aquele fuá, a “negada” subindo nos telhados e correndo  como se estivessem sobre esteiras de academia de ginástica. Acendeu a luz de um dos quartos e a janela se abriu. Um baloeiro saiu pela janela, depois fiquei sabendo que o telhado se quebrou, o estuque cedeu e ele caiu sobre a cama do casal morador da casa. Acabaram com o telhado e o pior é que choveu na manhã seguinte acabando com o carpete e outros móveis da casa. O senhor da casa gritava na janela e ninguém estava nem aí. Não tenho certeza,mas acho que o Jonas acabou arcando com o prejuízo.

GB: O que você acha que poderíamos fazer para mudar a imagem do baloeiro e do balão?

TC: A sociedade tem grande preconceito quanto aos balões. Talvez um esclarecimento maior quanto aos balões sem bucha e um maior respeito nos resgates dos mesmos façam com que vejam o balão como uma forma de arte.

GB: A turma do Cambuci voltará um dia?

TC: Dificilmente.

GB: Pra finalizar, o que significa pra você, a palavra BALÃO?

TC: BALÃO é uma paixão inexplicável, como diz o título do livro do Odair e do Sr. Ivo.

O balão mudou minha vida, pois ele surgiu em uma época da minha adolescência meio conturbada, fiz novos e bons amigos que me influenciaram. Voltei a estudar e fiz matemática por causa dos balões, parece inacreditável, mas é verdade. No balão era meticuloso e até os moldes queria saber como surgiam, daí acabar me entusiasmando em fazer faculdade de matemática.

GB: Agradecimentos…

TC: Agradeço ao pessoal da Gazeta do Balão pela lembrança e oportunidade de contar um pouco da minha passagem pelo universo que envolve os balões. Teria centenas de histórias para contar, mas o espaço seria muito curto. No início dos balões em São Paulo, muitas coisas engraçadas, diria cômicas, aconteceram. Um dia com mais tempo, se houver interesse vou contando.

Por ser uma Turma de balões, que de turma não tinha nada, ou sozinho, dois ou três pessoas em um curto período, contamos muito com a ajuda de algumas pessoas, principalmente na reta final dos nossos projetos. Alguns nomes foram lembrados, outros posso ter esquecido,  desculpem-me  os que porventura eu esqueci de citar.

Espero que grandes amigos do passado leiam esta entrevista e entrem em contato, tenho muitas saudades de vários deles. Obrigado!

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